Polícia investiga racismo contra modelo após publicação de fotos em campanha de shopping


Dalligton Person, de 28 anos, posou com roupas de lojas do centro de compras. RioMar, no Recife, disse que “não compactua com qualquer ato de racismo”. Polícia investiga denúncia de racismo contra modelo no Recife
A Polícia Civil começou a investigar uma denúncia de racismo contra um modelo negro, no Recife, que foi vítima de comentários preconceituosos em rede social, depois de ter fotos publicadas no perfil do shopping RioMar, na Zona Sul. Dalligton Person, de 28 anos, prestou queixa sobre o caso ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e na Delegacia de Crimes Cibernéticos (veja vídeo acima).
As fotos foram publicadas como propaganda de lojas que ficam no shopping. Entre os comentários, um perfil identificado como Décio Nunes Filho questionou o centro de compras, dizendo “quando é que vocês vão colocar um modelo normal?”.
Abaixo, alguém perguntou o que haveria de “anormal” nesse e então, o mesmo perfil respondeu “esse tá mais pra modelo do Aníbal Bruno (sic)”, se referindo a um antigo presídio no Recife onde, atualmente, funciona o Complexo do Curado.
Fotos de Dalligton de Souza foram publicadas no perfil do RioMar e, nos comentários, foram alvo de ataques racistas
Reprodução/Instagram
Dalligton Person é modelo há dois anos e estuda licenciatura em teatro na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Nesta segunda, ele esteve na Delegacia de Crimes Cibernéticos, onde registrou um boletim de ocorrência contra dois perfis: @decio.nunes.filho e @decio.72. Como provas, ele levou fotos tiradas das publicações.
O delegado Eronides Meneses, titular da delegacia, verificou que os perfis foram apagados, mas, mesmo assim, a polícia tem capacidade para identificar o agressor.
“A polícia dispõe de mecanismos para investigar, pedir a preservação. Além disso, os provedores e a rede social são obrigados a manter os registros de acesso daquele perfil. Então, mesmo que a pessoa apague tudo, achando que não vai deixar rastros, a polícia tem como identificar. O principal, ele [a vítima] já forneceu, que é o endereço do perfil que fez aquele tipo de comentário”, afirmou o delegado.
Frases racistas foram postadas nas redes sociais no perfil do shopping após publicação de campanha com modelo negro
Reprodução/ Redes sociais
O representante da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE) Diogo Ramos afirmou que o suspeito pode ser investigado por dois tipos de crime.
“Essa pessoa pode ter cometido injúria racial, que consiste na ofensa direta à pessoa relacionada à sua raça, sua cor, ou ela pode ter cometido um crime ainda mais grave, que é o de racismo, que é inafiançável, imprescritível, e, pela característica da postagem, como foi num meio de comunicação social, tem agravante, a pena é ainda mais severa, de 2 a 5 anos”, declarou o advogado.
Muitas pessoas saíram em defesa de Dalligton Person, acumulando mais de 800 comentários. A maioria criticando Décio Nunes Filho e cobrando um posicionamento do shopping. Famosos como Érico Brás e Bruno Gagliasso também se pronunciaram. O primeiro, inclusive, incentivou a abertura de uma denúncia contra o racismo.
O próprio modelo fez uma cobrança ao shopping, alegando falta de preocupação com a integridade e a imagem dele. Dalligton disse que a mobilização em favor dele o fortaleceu.
“Eu me senti fortalecido nesse momento, quando eu vi muitos amigos, a grande maioria pessoas que não conheço, mas que estavam lá, reivindicando que aquele tipo de violência não acontecesse, que o respeito acontecesse, porque é inadmissível alguém ser tratado dessa forma, ainda mais hoje. A gente percebe que, por estar por trás da internet, muitas vezes com um perfil sem foto, algumas pessoas acabam achando que têm o direito de agredir as pessoas ou destilar o ódio que elas têm de alguma forma”, afirmou o jovem.
A Delegacia de Proteção à Pessoa ficou responsável pela investigação do crime. O Ministério Público de Pernambuco confirmou o recebimento de duas denúncias feitas por Dalligton. Uma foi encaminhada para a Central de Inquéritos da Capital e a outra, para as promotorias de Justiça e Direitos Humanos da capital.
Resposta
Logo após a repercussão das frases, o RioMar emitiu uma nota, publicada na mesma rede social, dizendo que “não compactua com qualquer ato de racismo”.
“Em todas as nossas ações, procuramos espelhar a diversidade da nossa sociedade. E não achamos que isso é um diferencial. Isso é o certo! É o único caminho que uma sociedade sabia deve percorrer. Mas não somos responsáveis pelo posicionamento de terceiros. Um recente post com um modelo foi alvo de racismo. Nos solidarizamos com a vítima. Sobre tal fato, o setor jurídico já foi acionado. Seguimos acreditando nas pessoas, na igualdade e desejando um tempo com oportunidades iguais para todos, sem qualquer distinção”, disse o shopping.
VÍDEOS: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias
Aa. aluno de licenciatura em teatro na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fez uma campanha para o centro de compras e, nos comentários das imagens, postadas na terça-feira (22), sofreu os ataques. O shopping afirmou, também pelas redes sociais, que “não compactua com qualquer ato de racismo”.
Tags .Adicionar aos favoritos o Link permanente.

“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”