Polícia prende suspeito de ataques cibernéticos a operadoras de internet, em Goiânia


Homem tinha mandado de prisão pelo Tocantins, mas tem empresa concorrente a de suas vítimas na capital goiana, onde foi pego. Escritório do qual hacker Guerreiro atuava, segundo investigações
Reprodução/Polícia Civil
A Polícia Civil prendeu, em Goiânia, um empresário de 31 anos suspeito de aplicar golpes a operadoras de internet. Segundo as investigações, o homem, que não teve a identidade divulgada, coordenava ataques a essas empresas que só cessavam mediante pagamento. Ele teria causado prejuízos de até R$ 80 mill a uma das vítimas e de R$ 150 mil a outra.
Em depoimento à corporação, o preso afirmou que está sendo vítima de perseguição e golpes por parte das concorrentes. O G1 tenta localizar a defesa dele para pedir um posicionamento sobre o caso.
De acordo com a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (Dercc), a prisão aconteceu na terça-feira (29) após a Polícia Civil do Tocantins encerrar investigações sobre o suspeito e conseguir um mandado de prisão preventiva contra o alvo – que já havia sido preso antes de forma temporária, mas teve a preventiva negada pela Justiça à época.
Segundo as investigações, o preso mora em Goiânia e tem uma empresa, que também é uma provedora de internet, no setor Santos Dumont. As apurações indicaram que ele usava o codinome de “Guerreiro” para hacker as concorrentes, impedindo que elas conseguissem fornecer o serviço aos seus clientes.
“Já está mais do que comprovado de que ele atuava como ‘Guerreiro’. Com esse codinome, ele é conhecido na DarkWeb por comercializar ferramentas usadas para hackear vítimas”, disse a delegada Sabrina Leles, responsável pelo caso.
A Polícia Civil também apurou que o autor só cessava os ataques após a empresa passar a ele um valor em criptomoedas. Segundo a corporação, os ataques causaram grandes prejuízos às operadoras vítimas, porque perderam diversos clientes por causa dos golpes.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o homem tinha um grupo em uma rede social de mensagens chamado “Escritório do Guerreiro”, por meio do qual ele e colegas trocavam ideias sobre como realizar os ataques cibernéticos a essas e outras vítimas.
A delegada Sabrina afirmou que deve concluir os inquéritos contra o preso nos próximos dias e pedir novamente a prisçao preventiva dele também em Goiás.
Por enquanto, o preso está no Complexo Prisional em Aparecida de Goiânia, mas deve ser levado para o Tocantins, de onde é o mandado de prisão preventiva expedido contra ele.
Operação Attack Mestre
Deflagrada no final de agosto, a operação Attack Mestre prendeu o mesmo investigado, em Goiás, e outro, apontado como comparsa dele, em São Paulo.
As investigações revelaram que os suspeitos têm conhecimentos avançados no campo da tecnologia da informação e faziam uso de uma estrutura extremamente complexa, dotada de uma rede com diversos computadores infectados por “Bots”, popularmente conhecida como “zumbis”.
Ainda conforme a polícia, com isso, os investigados conseguiam derrubar as conexões de internet banda larga de “centenas de milhares de usuários” – pessoas físicas e jurídicas – de todo Brasil, afetando até mesmo a prestação de serviços essenciais.
Nessa operação, foram apreendidos servidores de um dos suspeitos, notebooks, pen drives e valores em espécie.
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