Por falta de repasses do governo estadual, maior centro de transplantes renais e hepáticos do Rio pode parar

As verbas que a Secretaria Estadual de Saúde deveria repassar para os custos não chega desde o mês de maio. Cerca de 50 profissionais de saúde estão sem receber pagamento. Secretário reconhece erro e diz que dinheiro será regularizado na segunda (23). Sem repasse de verbas, funcionários de centro de transplante no Rio alertam para risco de encerramento das atividades
O maior centro de transplantes renais e hepáticos do Estado do RJ, no Hospital São Francisco, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, pode encerrar as atividades até o fim do ano. As verbas que a Secretaria Estadual de Saúde deveria repassar para os custos não chega desde o mês de maio.
Os cerca de 50 profissionais que atuam nos transplantes estão sem receber os pagamentos.
“Desde maio não temos repasse. Não repassa nada. Nada referente aos transplantes. Uma situação dramática pois os médicos estão trabalhando sem receber nada”, contou a médica Deise de Bone.
A verba direcionada ao Hospital São Francisco é repassada pelo Ministério da Saúde ao governo estadual. A Secretaria de Saúde deveria repassar o dinheiro destinado aos custos hospitalares e para os salários dos profissionais de saúde.
Documentos mostram que os repasses dos meses de agosto, setembro e outubro foram feitos ao governo estadual.
“Somos o segundo maior dentro de transplantes do país. Quem está arcando com estas despesas hoje é a unidade hospitalar. É uma situação lamentável. Muitos profissionais de saúde dedicam quase que seu tempo de trabalho de forma integral ao nosso centro e precisam receber” disse o cirurgião Leandro Tavares
Mais de 70% dos transplantes de rim realizados no local foram feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os funcionários afirmam que, se os repasses para o hospital não forem feitos até o fim do ano, é possível que o serviço seja suspenso no ano que vem.
“Nós estamos pensando até em parar, com muito medo, pois o Rio de Janeiro vai virar um caos em transplantes se este hospital parar de fazer”, disse de Bone.
Pacientes temem paralisação
Apenas este ano, 220 transplantes de rim foram feitos na unidade. Diante da situação, a Associação de Pacientes Renais e Transplantados do Rio teme o impacto que uma possível paralisação pode ter na vida de quem precisa do serviço.
“Condena estas pessoas que estão necessitadas de um transplante a ficarem na diálise até chegar o momento em que isso vai ser inviabilizado pois eles estarão debilitados ao ponto de não conseguirem passar pela cirurgia”, afirmou Gilson Silva, representante da associação de pacientes renais e transplantados do Rio de Janeiro.
Secretário reconhece erro
Em entrevista à TV Globo, o secretário estadual de saúde afirmou que o pagamento tinha uma autorização há 15 dias.
Ele reconheceu o erro e disse que o responsável será punido. Segundo ele, o pagamento sairá na próxima segunda-feira (23).
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