Preso com fuzil em MG é homem condenado por ataque à Prosegur em Ribeirão Preto, diz Polícia Civil


Um dos 22 mais procurados do país, Diego Capistrano foi condenado por roubo de R$ 51,2 milhões de empresa de transportes de valores em 2016. Polícia Rodoviária Federal encontrou foragido durante patrulhamento em Igarapé (MG). Diego Moura Capistrano, acusado de ser um dos mentores de assalto à Prossegur em 2016, em Ribeirão Preto (SP)
Reprodução/EPTV
A Polícia Civil confirmou neste domingo (22) que o homem preso com um fuzil na região da Grande Belo Horizonte (MG) na última semana é Diego Moura Capistrano, foragido, condenado a 123 anos de prisão pelo mega-ataque à sede da Prosegur em Ribeirão Preto (SP) em 2016 e um dos homens mais procurados do Brasil, segundo o Ministério da Justiça.
Capistrano é apontado como um dos mentores do assalto com R$ 51,2 milhões levados da empresa de transportes de valores. Com pelo menos 20 homens, a quadrilha usou armamento de guerra e explosivos para invadir o prédio. Durante o ataque, um morador de rua foi usado como escudo e morreu queimado e um policial militar rodoviário morreu baleado na fuga dos criminosos.
O G1 não conseguiu contato com um advogado de Diego Capistrano para obter um posicionamento.
Material apreendido pela PRF durante a abordagem.
Divulgação/Polícia Rodoviária Federal
Foragido preso na Grande BH
De acordo com o delegado Eduardo Martinez, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) em Ribeirão Preto, Capistrano é o homem de 34 anos que foi detido na última sexta-feira (20) pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-381 em Igarapé (MG), na Região Metropolitana de BH.
Segundo a PRF, ele foi detido com mais de R$ 14 mil, dois celulares, munição calibre 9 mm e um fuzil calibre 5,56 mm, considerado armamento de guerra, de alto poder destrutivo e normalmente usado em grandes assaltos.
O homem estava em um carro em alta velocidade em um trecho com muitas curvas, segundo a PRF. Alvo de uma abordagem policial, ele ficou nervoso e tentou fugir, atravessando a pista, mas foi alcançado pelos agentes.
A arma e o dinheiro estavam escondidos em um compartimento oculto. Segundo Martinez, ainda não se sabe se Capistrano permanecerá preso em Minas Gerais ou será remanejado.
Devido aos explosivos, a faixada da empresa Prosegur foi destruída em Ribeirão Preto
Paulo Souza/EPTV
Condenado a 123 anos
Acusado de transportar o dinheiro roubado e os demais suspeitos em um caminhão durante a fuga, Capistrano foi condenado a 123 anos de prisão no final de 2018, assim como outras três pessoas, entre elas duas apontadas como líderes do grupo.
A sentença confirmou os crimes de organização criminosa armada, latrocínio – roubo seguido de morte – e incêndio com morte, considerando que um policial rodoviário foi baleado e morto durante a fuga da quadrilha.
A Justiça considerou ainda a receptação de um colete balístico, furtado de um banco meses antes de um banco, e a posse de fuzil, munição e dinamite, que foram apreendidos dias depois em um cofre, dentro de um veículo utilizado pelos assaltantes.
Fotos mostram estrutura interna totalmente destruída em empresa de Ribeirão Preto
Reprodução / EPTV
O mega-assalto
Na madrugada de 5 de julho de 2016, um grupo fortemente armado atacou o prédio da Prosegur localizado no bairro Campos Elíseos, zona norte de Ribeirão Preto, e fugiu levando R$ 51,2 milhões. A quadrilha usou armamento de guerra e explosivos para invadir a empresa.
A quadrilha bloqueou as ruas de acesso à Avenida Saudade usando veículos e espalhou pregos pelas vias para dificultar a aproximação da Polícia Militar. Em seguida, o grupo atirou contra um transformador de energia, deixando 2,2 mil imóveis e as ruas do bairro no escuro.
Ao todo, 15 veículos foram usados no assalto, sendo que três foram queimados e outros sete abandonados em um canavial. Na Rodovia Anhanguera (SP-330), um policial rodoviário foi morto com um tiro na cabeça, durante a fuga da quadrilha.
Um morador de rua de 38 anos que teria sido usado como escudo pelos suspeitos também morreu queimado após o assalto. O homem estava próximo a um dos veículos que foi incendiado pelo grupo.
O diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-3), João Osinski Junior, disse que mais de mil tiros de fuzil foram disparados em 40 minutos contra os policiais.
Prédio da Prosegur e imóvel vizinho ficaram destruídos em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/EPTV
O grupo usou pistolas, fuzis 556 e 762, metralhadoras ponto 50, além de fuzis AK-47, que entraram no país pela Venezuela. Para acessar o cofre, a quadrilha explodiu o prédio com dinamite. Ao todo, 20 fuzis e duas metralhadoras ponto 50 foram apreendidos.
Os principais suspeitos fugiram na carroceria de um caminhão graneleiro, levando o dinheiro roubado da empresa e parte do armamento usado na ação. O objetivo da quadrilha era despistar a polícia, que buscaria por automóveis e não por veículos de carga.
Ao todo, foram recuperados R$ 194 mil dos R$ 51,2 milhões roubados. Parte do dinheiro foi achada com os primeiros presos, que guardavam R$ 160 mil e R$ 34 mil em locais diferentes. A Justiça determinou o bloqueio dos bens de todos para ressarcir os prejuízos.
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