Produção do artista catarinense Franzoi ganha visibilidade nacional

As artes visuais de Santa Catarina garantem visibilidade neste momento fora do Estado com a Galeria Choque Cultural e um dos programas do IC (Itaú Cultural), iniciativas desenvolvidas em São Paulo. Franzoi, artista nascido em Taió e que vive e trabalha em Joinville, conquista espaço para a sua produção, estabelecendo conexões com o seu próprio passado.

Na galeria, participa do projeto “Rede choque” com curadoria de Juliana Crispe. No IC, desfruta a chancela do edital “Arte como respiro: múltiplos editais de emergência” criado para movimentar a economia criativa de maneira rápida e eficaz em tempos de pandemia. O evento segue totalmente on-line no site da instituição até 2 de outubro com a oferta de espetáculos musicais, de teatro, dança e circo, e apresentação de obras de artes visuais.

Performance “Cortes em Nós – Nova realidade”, que Franzoi realizou em março, ainda no início da pandemia – Foto: Divulgação/N

A parceria entre a Choque Cultural, de São Paulo, e o Espaço Cultural Armazém Coletivo Elza, em Florianópolis, aposta na divulgação de artistas, coletivos e espaços com o propósito de fortalecer uma rede cultural. A pesquisadora e curadora Juliana Crispe, uma das mais importantes de Santa Catarina, analisa sobre a inserção de Franzoi no sistema de artes do Estado, com ênfase nos trabalhos mais recentes, a começar pela videoperformance “Corte em Nós”, que integra o edital do IC.

Com artigo crítico, Crispe discute e apresenta “almacorporiolama”, videoperformance realizada neste ano em Brumadinho (MG), “Coluna no espaço-tempo” (2020), vista no Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), “almacorpomarterra” (2019), “Entre nós, o silêncio” (2018), apresentada na Fundação Cultural Badesc, “almacorpo”, performance de 2018, “Nós em Nós” e “O que se faz presente”, ambas de 2017, além de outros trabalhos, como “Entre memórias do espaço-tempo”, uma fotoperfomance de 2011.

Franzoi em _almacorpomarterra_ em mais uma de suas performances, com apoio da Willrich Malhas – Foto: Sérgio Adriano H/Divulgação/ND

Neste conjunto, Juliana frisa que fica visível a consistência desta trajetória cada vez mais afirmativa na performance, prática que o artista incorpora a partir de 1989, ainda como aluno de educação artística da Univille (Universidade da Região de Joinville).

Significativa, a iniciativa da Choque Cultural possibilita uma leitura sobre o artista, uma rara oportunidade que permite dimensionar as principais criações dos últimos anos. Não é pouco, porque além de artista Franzoi atua como educador e curador independente.

A parceria entre a Choque Cultural e o Espaço Cultural Armazém Coletivo Elza aposta na divulgação de artistas, coletivos e espaços culturais com o propósito de fortalecer uma rede cultural. Além de Franzoi, Juliana apresenta outros nomes de Santa Catarina.

REFERÊNCIA  NA ARTE CONTEMPORÂNEA

Fundada em 2004, a Galeria Choque Cultural é referência global em arte urbana e nas linguagens contemporâneas. Jovens artistas estão ao lado de nomes consagrados. O programa de exposições foca na apresentação integral de artistas e coletivos, ou seja, nas mídias diversas que compõem suas obras, através de exposições indoor, nas ruas ou virtuais. Além disso, a galeria investe em intercâmbios, residências, intervenções urbanas, colaborações, imersões e outras experiências multidisciplinares.

De 2017, novamente Franzoi transformando seu corpo em arte na performance “Nós em nós” – Foto: 2017 Nós em nós Foto Divulgação

A interação física imposta pelo isolamento

Desdobrado em três exposições, o edital do Itaú Cultural insere Franzoi na mostra “Corpo e performance”, cujo tema é o corpo em suas diferentes representações. Os trabalhos de dez artistas enfatizam as múltiplas possibilidades destes corpos que, na rua ou nos limites de suas casas, chamam às ações de interação com o espaço diante do isolamento.

“Ao lançar o edital, buscamos estimular os artistas a expressarem em sua arte como seguem produzindo neste período crítico, em que têm de permanecer isolados em suas casas, e, eventualmente, quais são as suas reflexões sobre o momento”, diz Sofia Fan, gerente do Núcleo de Artes Visuais.

“Cortes Nós – a nova realidade”, a videoperformance de Franzoi, aborda o sofrimento e o corte social, econômico, político e estético provocado pela pandemia.

“O isolamento impõe uma reflexão, um repensar a postura diante da vida e da morte. O ser humano necessita recolher-se ao seu interior, passar por um processo de higienização, de assepsia da alma, e ressurgir, tal qual Fênix que renasce das próprias cinzas, para então enfrentar e sobreviver no novo século, na nova realidade.”

O artista fez a performance em março, em quarentena, no apartamento em Joinville, quando participava do projeto “Mantenha uma distância segura”, idealizado pelos artistas Cyntia Werner, Franzoi, Jan M.O., Linda Poll e Sérgio Adriano H.

Se no plano do sistema de artes visuais Franzoi assegura projeção, no campo pessoal estabelece uma conexão com seu passado vinculado ao institucional. “O Itaú Cultural sempre esteve presente em minha carreira profissional, fui artista selecionado no primeiro Rumos Visuais (1999-2000), o curador convidado da região Sul do programa Rumos Visuais (2011-13) e agora tutelado pelo edital “Arte como respiro”, situa Franzoi.

Oito artistas de Santa Catarina foram selecionados pelo mesmo edital: André Massena (desenho), Anna Moraes (desenho), Bruna Vettori (pintura), Franzoi (performance), Diego de los Campos (vídeo) e Lela Martorano (fotografia). Na Série Fotográfica foram contemplados Ana Sabiá e Victor Hugo de Oliveira Silva.

Serviço:

Choque Cultural

REDE CHOQUE apresenta: Franzoi

Itaú Cultural

https://www.itaucultural.org.br/festival-arte-como-respiro-mostra-1

Saiba mais:

Instagram @franzoiartista

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“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”