Professor universitário é alvo de ataques racistas durante evento online em SC

Jonathan foi alvo de ataques racistas durante uma transmissão ao vivo na última quinta-feira (27) – Foto: Reprodução/Rede Sociais

O caso ocorreu durante o Seminário Curricularizando a Extensão, promovido pelo Núcleo de Educação da ACIJ (Associação Empresarial de Joinville). O professor da Univille, Jonathan Prateat, era quem mediava a discussão.

No momento em que Prateat discursava sobre ações realizadas em uma comunidade quilombola de Joinville, ele teve o microfone silenciado. Foi, então, que hackers invadiram a transmissão e passaram a ofendê-lo com mensagens racistas e xingá-lo com palavras como macaco.

“O episódio me chocou e causou indignação, inclusive pelo modo repentino em que tudo aconteceu”, disse o professor em um vídeo divulgado nas redes sociais.

Além das ofensas, os hackers também exibiram vídeos com conteúdo pornográfico durante a transmissão.

Caso está sob investigação da Polícia

Um inquérito sobre as ofensas já foi aberto na 6º Delegacia da Polícia Civil de Joinville. A transmissão, inclusive, já está com a polícia que irá analisar as imagens, a fim de identificar os envolvidos. As imagens não foram divulgadas para não atrapalhar as investigações.

Segundo a polícia, os investigados devem responder pelos crimes de injúria racial. A pena pode chegar até três anos de prisão.

Para Jonathan, o episódio só reforça o quanto a luta por igualdade e respeito ainda está longe de acabar.

“Infelizmente, para mim, o racismo não dói mais do mesmo modo, porque não deveria ser natural passar por episódios como esse. Mas isso é uma constante na vida de negros e negras. A ofensa de ontem (quinta-feira) foi verbal. Mas há o racismo silencioso do segurança que segue no mercado, do converge que fixa os olhos e mão como quem procura uma arma, da moça que esconde a bolsa quando passo, da pessoa que atravessa a rua quando me vê, isso é diário”, explica.

Acij e Univille emitiram nota de repúdio sobre episódio

A Acij e a Univille, emitiram uma nota de repúdio a respeito do episódio. A universidade, na qual Jonathan atua como professor, considerou a ação dos hackers como um evento traumático. Além disso, ela ressaltou a necessidade de promover ações de reflexão, acolhimento e promoção de ações afirmativas em defesa de uma sociedade cada vez mais inclusiva.

Já a associação empresarial  confirmou que o caso já foi repassado as autoridades. A entidade reforçou, ainda, que repudia qualquer ofensa de caráter racial ou de manifestação pornográfica.

De acordo com Jonathan, o que ele busca, agora, é de que a justiça a respeito dos ataques seja feita.

“Não transformem essa indignação em uma coisa passageira e que ela não aconteça só com pessoas conhecidas e em casos que repercutem nas mídias sociais. Permaneçam atentos e atentas ao racismo em todo o espaço e todo o momento. Denunciem os racistas e o racismo”, finaliza.

Veja a nota da Acij na íntegra:

“Evento online do Núcleo de Educação da Acij, realizado por meio da plataforma Google Meet, sofreu invasão de hackers com manifestações racistas e pornográficas nesta quinta-feira, dia 27.

A Acij já informou o caso às autoridades policiais para que o crime seja investigado.
A entidade repudia toda forma de ofensa de caráter racial e qualquer tipo de manifestação pornográfica, e está contribuindo com a investigação para que os responsáveis sejam identificados e punidos na forma da lei”

Veja a nota da Univille na íntegra:

“Práticas de intolerância têm se potencializado com as redes digitais, expondo a violência simbólica como um dos traços preponderantes da nossa sociedade. Somos um país marcado pela diversidade, mas que carrega uma herança histórica de preconceitos: racismo, machismo, homofobia e sexismo. Tornar público o debate crítico sobre as práticas veladas ou explícitas que ferem a condição humana é um compromisso civilizatório e de defesa da sociedade.

Nesse sentido, a Universidade da Região de Joinville – Univille, solidariza-se com o professor da casa, Jonathan Prateat, que sofreu injúria racial durante sua apresentação no Seminário Curricularizando a Extensão, promovido pelo Núcleo de Educação da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ). O evento aconteceu na tarde de ontem (27), via Google Meet. Durante a apresentação do Projeto Caminho Curto, que mobiliza ações com a comunidade quilombola Beco do Caminho Curto, em Pirabeiraba, um grupo invasor entrou na transmissão, acionou o áudio e proferiu discurso de ódio, com linguagem ofensiva, de cunho racista, o que se caracteriza como injúria racial.

A Universidade tem como missão a formação humanística, científica e profissional para a sociedade, o que a leva a se posicionar ética e politicamente no combate às práticas de intolerância.

A empatia com a dor do outro, como nesse contexto vítima de racismo, é condição primordial para a vida em sociedade, fazendo circular um conjunto de sentimentos que nos faz mais humanos. A Universidade é um espaço de acolhimento, reflexão e promoção de ações afirmativas em defesa de uma sociedade cada vez mais inclusiva. A instituição entende que assim contribui para uma educação voltada aos Direitos Humanos.

Esse evento traumático mostra também a urgência de se promover mais ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas para as questões raciais, sobretudo quando o racismo estrutural se apresenta de forma tão evidente.”

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