Professores se reinventam durante a pandemia, mas aula remota ainda é desafio

Cursos de plataformas digitais, aulas com música, artes e até culinária: no meio da pandemia, a professora Márcia Andrino de Melo não poupou esforços para criar as aulas. Responsável por aproximadamente 20 crianças entre 5 e 7 anos, sua maior preocupação era como conseguir alfabetizá-los a distância. Não faltou vontade. Logo que as escolas fecharam em São Paulo, no mês de março, a professora comprou equipamentos para as aulas online e criou até uma apostila para os estudantes.

Para Márcia, o maior desafio do ensino a distância é lidar com as diferentes emoções das crianças durante o período de isolamento. “As crianças estavam eufóricas, você teve que lidar com isso. Depois eles ficaram cansados. Eles podem querer desistir, você nunca. Eu comecei muitas vezes não dar aula. Se a criança estava irritada, eu ia conversando. Vamos brincar. Mesmo que eu não trabalhasse naquele momento algo que eu tinha planejado, eu não deixava de trabalhar algo que fosse fazer diferença para ela depois”, disse. Para driblar o problema, a professora começou até a dar aulas individuais pelo WhatsApp fora do período regular.

A receita deu certo: a Juliana Marinho, mãe de um dos alunos, conta que o filho aprendeu a ler e escrever. Ela ressalta a importância da parceria entre os pais e a escola. “O acompanhamento da professora foi excepcional, porque além da aula online ela teve o trabalho de fazer pelo WhatsApp uma aula individual para cada um. Ela pegou bem no detalhe do desenvolvimento dele. Eu abri mão do faturamento da empresa para estar presente para ele. E essa parceria com a Márcia, com a escola, foi perfeito.” Apesar dos bons resultados do Guilherme, há uma grande preocupação com a evasão escolar durante e após a pandemia.

De acordo uma pesquisa feita pela organização Nova Escola com mais de oito mil professores, apenas 32% deles afirmam que todos os alunos estão participando das atividades remotas. Para a especialista em educação e professora Fernanda Leal, vínculos como o que Márcia criou com os alunos mesmo à distância são essenciais para que eles permaneçam na escola. “Eu acho que a primeira cosia que os professores de todo o mundo fizeram foi não se afastar das suas crianças e buscar esse vinculo que não é fácil”, explica. As crianças, como o Guilherme, agradecem. “Eu gosto muito da escola. Um beijo, prô.”

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini

Tags .Adicionar aos favoritos o Link permanente.