Quase metade das internações na cidade de SP seriam evitadas com atenção básica, diz Mapa da Desigualdade


No Cambuci, tempo média de espera para consultas na atenção básica é de 5 dias. Na Vila Matilde, espera sobe para 43 dias, segundo estudo da Rede Nossa São Paulo. Mapeamento mostra as disparidades no acesso e qualidade de vida nos bairros da capital paulista. Atenção básica é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), como atendimentos e exames de prevenção.
Irineu Júnior
Na cidade de São Paulo, 47% das internações poderiam ter sido evitadas com cuidados da Atenção Básica. É o que mostra o Mapa da Desigualdade 2020, estudo divulgado nesta quinta-feira (29) pela Rede Nossa São Paulo, com base em dados de 2019, portanto, antes da pandemia de Covid-19.
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Atenção básica é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), como atendimentos e exames de prevenção feitos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e em programas como Estratégia de Saúde da Família.
O índice de “Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária” é desigual na cidade. Enquanto em Moema, na Zona Sul, 4,5% dos leitos estão ocupados com internações desta categoria, esse índice sobe para 77,7% no Jaçanã, na Zona Norte da cidade. Ou seja, a chance do morador da Zona Norte ser internado é 17 vezes maior.
O índice fica abaixo de 10 em bairros de classe média alta como Itaim Bibi (7,5%), Perdizes (8,9%) e Jardim Paulista (9,8%). E fica acima de 70 em bairros da periferia como São Mateus (71,5%), Limão (74,9%) e Cachoeirinha (77,4%).
O tempo médio de espera para uma consulta na Atenção Básica também difere na capital paulista. Um morador do Cambuci, na região central de São Paulo, espera cerca de 5 dias para uma consulta. Já um morador da Vila Matilde, na Zona Leste, espera 43 dias.
Mortalidades materna e infantil
Os dados também trazem outros indicadores da área da saúde, como gravidez na adolescência, e mortalidades materna e infantil.
No Jardim Paulista, 0,6% dos bebês nascem de mães com menos de 19 anos de idade. O índice é semelhante em outros bairros de classe média alta, como Moema (0,8%) e Itaim Bibi (0,8%).
Já no distrito de São Rafael, no extremo sudeste da cidade, esse índice sobe para 15,3%. No bairro vizinho, Iguatemi, a taxa é de 13,8%, e em Parelheiros, na Zona Sul, é de 13,7%.
Quando se analisa a mortalidade materna, que é a proporção de mortes de mulheres por causas maternas, para cada cem mil crianças nascidas, esse índice é de 0% nos seguintes distritos: Alto de Pinheiros, Cambuci, Consolação, Cursino, Ermelino Matarazzo, Itaim Bibi, Jaguará, Jaguaré, Jardim Paulista, Lapa, Marsilac, Mooca, Pari, Perdizes, Pinheiros, Santa Cecília, Saúde e Tatuapé.
Na Liberdade, região central da cidade, a mortalidade materna sobe para 182 mortes a cada cem mil nascidos, é o pior índice da cidade.
Em seguida vem o de Belém (135), Capão Redondo (124), Perus (122), Vila Guilherme (121), e Iguatemi (111).
Os menores índices de mortalidade infantil, que é a proporção de mortes de crianças menores de um ano para cada mil nascidos, estão em Marsilac (0), Jardim Paulista (1,3), Moema (2,5), Alto de Pinheiros (3,2), Perdizes (3,4) e Vila Leopoldina (3,8).
Já as maiores taxas de mortalidade infantil estão em São Miguel (20,3), Brás (19,5), Socorro (19,1), Brasilândia (18,9), Ermelino Matarazzo (17,6), Casa Verde (16,7) e Morumbi (16,6).
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