Quatro traficantes são presos e refém é liberada após sequestro em sobrado no Morro do São Carlos

O sequestro durou mais de uma hora. Segundo os policiais, no momento do intenso tiroteio, criminosos fugiram correndo a pé e se esconderam dentro do apartamento. Snipers posicionaram-se no prédio ao lado. Ao fim, os quatro sequestradores foram presos.

Segundo o porta-voz da Polícia Militar, o coronel Mauro Fliess, os PMs fizeram uma revista para averiguar se havia mais bandidos ou moradores após a rendição. Eles constataram que apenas uma mulher era mantida refém. Ela não foi ferida e já está em segurança. Um fuzil foi apreendido.

— Os quatro criminosos estão rendidos, entregues, sendo revistados e identificados. Nenhum deles está ferido. Estamos fazendo uma varredura no local em busca de mais armas. A senhora está bem, obviamente abalada por conta de toda a tensão que viveu, mas já está sob cuidados médicos do Corpo de Bombeiros — disse Fliess.

De acordo com Fliess, as decisões judiciais que impedem operações policiais nas favelas do Rio durante a pandemia não atrapalharam a ação da PM nesta quinta. Ele reforçou, porém, que a redução da presença da polícia em áreas conflagradas dá maior liberdade aos criminosos para tentar expandir seus domínios.

— De maneira pontual, não atrapalharam. Estamos diante de um caso de excepcionalidade que justifica toda essa ação policial no local. No entanto, diante de uma decisão do STF, que respeitamos e cumprimos na íntegra, temos reduzido nossa presença em áreas conflagradas. Isso tem dado aos criminosos uma falsa sensação de que eles podem tudo. Eles acham que vão se fortalecer e partir da comunidade deles para atacar outras comunidades. A presença constante da PM nessas áreas é o que reduz a capacidade de mobilização desses grupos, mas essa decisão do STF traz uma insegurança jurídica para a atuação das polícias Militar e Civil — defendeu.

Ainda segundo Fliess, dados de inteligência da PM apontavam a possibilidade de disputa entre traficantes no São Carlos. Ele garante, porém, que a corporação fez tudo que estava a seu alcance para defender a sociedade.

— Temos mais de 1.400 comunidades no Rio e pelo menos cinco grupos criminosos disputando palmo a palmo esses espaços. São muitos criminosos que portam armas de guerra. Diversas ações já foram interceptadas e evitadas pela PM. Um exemplo disso é a de ontem, na Cidade de Deus, de onde um grupo partiria para atacar a Praça Seca. Conseguimos agir preventivamente e evitar esse ataque. Tudo que poderia ter sido feito [aqui no São Carlos] foi feito para evitarmos um derramamento de sangue — garantiu.

Bandidos pediram ajuda de familiares para se render

Após notar que a residência estava cercada, criminosos ligaram para seus familiares dizendo que queriam a presença da imprensa e de advogados. É o caso de William Araújo Gomes, de 26 anos, sobrinho da dona de casa Ana Lúcia Crispim, 54. Moradores do São Carlos, o rapaz havia dito para a família que estava na casa dos avós há três meses.

— Pensávamos que ele estivesse na casa da avó. Depois, ele ligou dizendo que queria se entregar e ficamos sem entender. Ele trabalhava como mototáxi. Ele é filho da minha irmã e pediu para a gente viesse para cá. Não sabíamos que ele tinha envolvimento com o crime. Ele sempre trabalhou, mas eu não sei o motivo que ele fez isso — diz a tia aos prantos.

A mãe e a esposa de William, que está grávida dele, tentaram auxiliá-lo na negociação.

— Fomos pegos de surpresa, não sabíamos que ele estava junto. Até então, ele deveria estar em Rio das Ostras. É uma dor imensurável — completou.

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