Quinze anos antes de se tornar lei no Brasil, Antonieta de Barros criou o Dia do Professor em SC


Jornalista e professora, a parlamentar catarinense nascida na antiga Desterro lecionou e dirigiu escolas em Florianópolis. Mural em homenagem a Antonieta de Barros no Centro de Florianópolis
Gabriel Vanini/Divulgação
Primeira mulher a ocupar um cargo no Legislativo em Santa Catarina, Antonieta de Barros escolheu ensinar. Jornalista e professora, a catarinense nascida na antiga Desterro, hoje Florianópolis, lecionou e dirigiu escolas na capital e, revolucionária, sabia que a educação transformava.
Pensando nisso, partiu dela, a proposta da lei que passou a comemorar, a partir de 1948, o Dia do Professor em Santa Catarina, comemorador em 15 de outubro.
Projeto de lei de Antonieta de Barros
Reprodução Alesc/Divulgação
Na justificativa para a criação da data, que à época previa feriado para os trabalhadores, ela enfatizou a importância do educador: “Não há quem não reconheça, à luz da civilização, o inestimável serviço do professor” (veja o projeto de lei acima).
A lei criada por Antonieta, e homologada pelo governador José Boabaid, foi publicada 15 anos antes do decreto que tornou a data reconhecida nacionalmente. A lei federal foi sancionada pelo presidente João Goulart.
Antonieta foi a primeira mulher a ocupar um cargo no Legislativo em Santa Catarina
Reprodução/ NSC TV
Antonieta de Barros foi a responsável por criar lei estadual do Dia do Professor
Reprodução/ NSC TV
Educação de qualidade
Negra e de origem humilde, Antonieta é chamada de “revolucionária” pela pesquisadora e professora Jeruse Romão. Também natural de Florianópolis, a educadora se diz encantada pela história da deputada e escreveu um livro sobre a trajetória da parlamentar.
Nascida em 1901, Antonieta foi defensora das mulheres e lutou sobre uma educação de qualidade para todos e pelo reconhecimento da cultura negra, em especial no Sul do país.
Nascida em 1901, Antonieta foi defensora das mulheres e lutou sobre uma educação de qualidade
Reprodução/ NSC TV
“Ela é um ícone. Se ela tivesse nascido fora do Brasil, seria um ícone mundial, mas como nasceu no Brasil que é um país racista, é preciso lutar muito para que ela seja vista como representação na política para todos e não só pessoas negras”, conta Jeruse. Em dezembro, a professora lançará o livro em homenagem a mulher com quem compartilha a profissão.
Professora de português e psicologia, Antonieta fundou a própria escola, onde deu aula para adultos e moradores carentes da região. Uma das escolas por onde circulou enquanto dava aulas na Capital carrega seu nome.
“Ela tem muitas falas importantes para a educação. Sempre defendeu as crianças e os jovens, e os pobres. Ela inclusive traz, pioneiramente, a perspectiva da educação como um direito humano”, afirma Jeruse.
Projeto de lei de Antonieta de Barros
Reprodução Alesc/Divulgação
Pioneirismo
O Estado catarinense foi um dos primeiros no país a reservar o dia 15 de outubro para os professores.
A ideia surgiu um ano antes do projeto de lei de Antonieta de Barros tramitar na Alesc: em 1947, o professor paulista Salomão Becker propôs um dia de confraternização e homenagem aos professores – além de uma pausa no sobrecarregado segundo semestre letivo, que serviria para reavaliar o andamento dos trabalhos.
A data escolhida faz referência a 15 de outubro de 1827, quando o imperador D. Pedro I lançou o decreto que instituiu o Ensino Elementar no Brasil. O documento previa as diretrizes curriculares e as condições de trabalho dos professores.
Mural
Mural homenageia Antonieta de Barros no Centro de Florianópolis
Gabriel Vanini/Divulgação
O rosto de Antonieta foi estampado em mural na Rua Tenente Silveira, no Centro de Florianópolis. Todos os dias centenas mulheres, homens, crianças e adolescentes, idosos a enxergam nos passeios do Centro.
O mural de 32 metros de altura por nove de largura, levou dez dias para ficar pronto e foi desenvolvido pelos artistas Thiago Valdi, Tuane Ferreira e Gugie. No parte de baixo e de cima do mural é possível ver mandalas, que representam a arte de bilro, tradicional da Ilha.
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Mural homenageia Antonieta de Barros no Centro de Florianópolis
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