“Rachadinha”: prática também envolveu repasses a advogado de Flávio Bolsonaro

Senador Flávio Bolsonaro. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Site aponta depósitos feitos não apenas para Queiroz, mas também para o advogado Luis Gustavo Botto Maia

A prática de “rachadinha de salários” no gabinete de Flávio Bolsonaro em seus tempos de deputado estadual no Rio de Janeiro, investigada pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ),  pode ter ido além dos repasses nas contas do ex-assessor Fabrício Queiroz.

Dados da quebra de sigilo bancário de outras assessoras de Flávio, que atualmente exerce o cargo de senador pelo Republicanos-RJ, mostram que houve repasse de parte dos salários entre elas e o advogado Luis Gustavo Botto Maia, responsável pela área jurídica da candidatura de Flávio ao Senado. As informações foram publicadas nesta terça-feira 29 pelo UOL.

Segundo as movimentações bancárias analisadas pela reportagem, Botto Maia recebeu 22 depósitos de duas assessoras: Alessandra Cristina Oliveira e Valdenice Meliga. Valdenice também recebia repasses constantes de Lídia dos Santos Cunha, outra funcionária do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

A maioria dos depósitos ocorria no mesmo dia do pagamento da Alerj aos funcionários ou pouco tempo depois e incluía parte do valor do auxílio-alimentação. Os repasses duraram até, pelo menos, o fim do período de quebra de sigilo pedida pelo MP-RJ, que analisou dados até o final de 2018.

Botto Maia teria recebido ao menos 20,8 mil reais de Alessandra e outra parte de um montante de 11,2 mil reais depositados por Valdenice para Alessandra. Valdenice, por sua vez, teria recebido cerca de 13,1 mil reais de Lídia.

A reportagem não obteve respostas de nenhum dos citados na matéria.

O esquema de repasses também se relaciona com a influência do advogado Luis Gustavo Botto Maia e de Alessandra Cristina Oliveira no diretório do PSL no Rio de Janeiro. Eles teriam trabalhado em campanhas de diversos candidatos das eleições de 2018 e recebido, nesse período, quantias expressivas vindas principalmente do Fundo Eleitoral.

Luis Gustavo exercia cargo parlamentar na Alerj até junho de 2020, quando foi exonerado do gabinete do deputado estadual Renato Zaca após aparecer na denúncia do MP-RJ contra Fabrício Queiroz.

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