Dia mais quente de 2020 foi registrado no último sábado (12). Meteorologista afirma que ano tem sido marcado por bloqueios atmosféricos, que impedem aproximação de frentes frias. Calor em Campinas e estado de alerta marcaram primeira quinzena de setembro
Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
Os primeiros 15 dias de setembro já representam recorde de calor em Campinas (SP). O mês registrou 35,6ºC, a temperatura mais alta do ano, e teve a sua primeira quinzena mais quente da história do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, que iniciou as medições em 1990.
Meteorologista do Cepagri, Ana Ávila explica que o recorde tem relação com um 2020 mais seco e os bloqueios atmosféricos, frequentes este ano e não têm deixado as frentes frias se aproximarem muito da região de Campinas.
“A gente está com a circulação do vento impedindo o avanço das frentes frias. Elas ficam no Sul e não conseguem avançar. Toda a parte central do país secou no outono esse ano. A umidade que vem da Amazônia, esse outono e inverno não aconteceu.”, afirma.
Segundo dados da estação meteorológica, setembro teve a temperatura máxima média de 33,3ºC no período entre os dias 1 e 15, sendo 35,6ºC a mais alta de 2020, registrada no último sábado (12), e em pleno inverno.
A onda de calor registrada neste mês chegou a ser motivo de alerta divulgado pela Defesa Civil na semana passada, que previu risco dos termômetros marcarem até 40ºC na região. E o clima mais quente tem sido acompanhado de umidade relativa do ar em níveis críticos, abaixo de 20% e chegando a quase 12%.
Ventos fortes
Na madrugada desta terça-feira (15), ventos com mais de 100km/h atingiram a região de Campinas e derrubaram árvores, resultado de uma frente fria no litoral. No entanto, não houve registro de chuvas por aqui.
A umidade teve uma melhora, segundo a meteorologista, mas é passageira. Os próximos dias devem ser de calor novamente.
Campinas teve queda de árvores após forte ventania na segunda-feira
Defesa Civil
E a chuva?
O último registro de chuva foi de 7mm no dia 21 de agosto, durante uma onda de frio devido a uma massa polar que afetou vários estados do Brasil. Pouco depois, a onda de calor se estabeleceu. Até o fim de agosto, o Cepagri registrou 30% menos do que o esperado de precipitações em um ano.
Mas a previsão para o fim de setembro é otimista. Uma frente fria pode causar chuva na segunda quinzena, melhorando a umidade relativa do ar.
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