Refém por cinco horas no Rio Comprido, decoradora conseguiu convencer suspeito a guardar a arma; vídeo

– Eu estava acordada porque eu fiquei atenta ao tiroteio. Vi os policiais correndo. Fiquei acordada olhando para ver o que estava acontecendo e atenta. Ele chutou a porta e arrombou. Perguntei: por que você veio parar no último andar? Ele disse: porque é mais seguro. Por que a minha porta? Disse que foi aleatório – contou ela.

A partir daí, a decoradora tentou estabelecer uma relação de confiança com Renan:

– Consegui fazer amizade com ele, passar confiança para ele. Consegui tirar a arma dele. Ele estava com uma pistola, colocou na bolsa e a gente ficou conversando. Teve uma hora que a gente estava rindo. Disse que ele tem que mudar a vida dele, que existem outras oportunidades. Que isso aí (envolvimento com o crime) não vai salvar ninguém. O sistema não é para ajudar e então temos que ter nossos valores muito concretos porque não vem suporte de fora. É só interno.

Sobre a calma que conseguiu manter durante todo o tempo que o suspeito esteve em sua casa, ela disse que manteve o equilíbrio emocional. A decoradora contou que sabia que, para conseguir sair bem da situação em que estava, teria que se tornar amiga de Renan, mostrar que estava do lado dele.

– Você tem que ler a pessoa, saber a caraterística da pessoa e tentar chegar no coração dela. Foi o que eu fiz. Consegui desarmar um bandido. Ele acendeu um baseado, eu acendi meu cigarro e a gente sentou e começou a conversar – relatou.

A decoradora mora há seis anos no prédio da Rua Aristides Lobo. Mas não vê a hora de se mudar do local depois da experiência, que classificou como terrível mas que também de aprendizado:

– Poderia ter sido pior.

Entenda o caso

Nesta quarta-feira, o Complexo do São Carlos foi invadido por bandidos rivais – alguns deles, da Favela da Rocinha, foram interceptados pela polícia no Humaitá, na Zona Sul. Moradores relataram tiroteios durante à tarde, à noite e na madrugada desta quinta.

Renan estava num Honda branco com outro quatro bandidos quando o carro foi cercado por PMs, que reforçam o policiamento no São Carlos. Ele fugiu para o prédio e invadiu o apartamento da decoradora. Um suspeito morreu, dois foram baleados e um outro fugiu. Os feridos estão internados sob custódia no Hospital municipal Souza Aguiar.

Num dos confrontos, ocorrido na noite de quarta, a atendente Ana Cristina da Silva, de 25 anos, morreu após ser atingida por dois tiros. Ela chegou a ser encaminhada para o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro, mas não resistiu aos ferimentos. Ana tentava proteger o filho de 3 anos quando foi baleada.

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