Regional de ensino de Piracicaba constata 20% de evasão escolar na rede estadual durante pandemia


Maior desafio atual é chegar a estes estudantes e entender o que gerou a ausência, diz supervisora. Retomada parcial de aulas e até entrega de atividades em domicílio são adotadas para promover o resgate dos alunos. Supervisoras de ensino Elayne Brancalion e Henaís Nozella participaram do programa “Câmara Convida”, em Piracicaba
Paulo Soares/ Câmara Municipal de Piracicaba
A diretoria regional de ensino de Piracicaba (SP), que além da cidade engloba Charqueada (SP), São Pedro (SP), Águas de São Pedro (SP), Santa Maria da Serra (SP) e Saltinho (SP) constatou a evasão de aproximadamente 20% dos alunos da rede desde o início da pandemia do coronavírus, iniciada em março.
A afirmação é da supervisora de ensino Elayne Brancalion, que junto à também supervisora Henaís Nozella participou do programa “Câmara Convida”, da Câmara Municipal de Piracicaba, veiculado nesta sexta-feira (16).
“O maior desafio nosso hoje é resgatar esses alunos que não apareceram. Nós já temos esse levantamento de cada escola, mas a gente tem uma porcentagem: 20% dos alunos apareceu, entregou uma atividade, aí ficou dois meses e não apareceu. Então, essa busca ativa é nosso desafio hoje. Onde eles estão? O que eles estão fazendo? Por que eles não retornaram?”, questionou.
Ela observa que, em alguns casos, diretores levaram a atividade até a casa de alunos de zona rural que não tinham acesso a transporte.
“Os amigos passavam na frente da escola e levavam o material para eles, depois demorava para trazer, mas traziam. Mas mesmo assim a gente teve alguns que ficaram perdidos nesse tempo e que a gente precisa resgatar urgentemente”, apontou.
Segundo ela, a retomada parcial das aulas nas escolas tem como um dos objetivos recuperar esses alunos que ficaram fora do sistema de ensino durante a pandemia.
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Por outro lado, Elayne afirmou que também observou a aproximação de pais e alunos de escola durante o período de pandemia.
“As escolas não ficaram fechadas. As nossas escolas passaram a atender tanto pelos aplicativos como presencialmente, de ir buscar atividade na escola, de trazer, professor corrigir. A gente teve um acompanhamento muito significativo neste sentido dos profissionais de educação. Foi bastante intenso o período que foi de abril até agora, a gente teve muito trabalho”, acrescentou.
A supervisora ainda afirmou que a diretoria de ensino vai realizar uma reunião para avaliar o desempenho dos estudantes durante a pandemia.
Planos individuais
Henaís observou que para uma escola retomar as atividades tem que apresentar um plano de medidas preventivas que será validado pelo supervisor e homologado pelo dirigente regional.
“Existe todo um trâmite que precisa ser feito. A escola precisa ter todos os EPIs (equipamentos de proteção individual) para a volta. Hoje, já temos 11 escolas voltando”, explicou.
Ensino integral
Outro ponto destacado pelas profissionais da educação do estado é que Piracicaba poderá se tornar o primeiro município com todas as escolas funcionando em período integral, de nove horas por dia.
“Foi uma fala do senhor secretário [de Educação do estado, Rossieli Soares], que teve aí na quinta-feira (8), nos visitando, e aí ele anunciou essa possibilidade. Porque a gente viu resultado. Houve um avanço significativo na medida que o aluno se tornou um sujeito participante da escola e o professor também”, afirmou Elayne.
Segundo Henaís, para que uma escola se torne de tempo integral, abre-se consulta para a comunidade, gestores e professores.
“[Se houver interesse] existe o envio deste documento para a secretaria de Educação e, se tiver dentro de todos os princípios em relação ao prédio, à quantidade de alunos e turma, aí a escola como um todo passa para o programa ensino integral”, explicou.
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