Relatório da Casa Fluminense mostra que apenas 38,3% da frota de ônibus do Rio rodou no mês de outubro

Documento ‘De olho no transporte’, da Casa Fluminense, foi feito com base nos dados gerados pelos GPS dos ônibus, disponibilizados pela prefeitura. Rio Ônibus afirma que ainda sofre com redução de passageiros. BRT diz que opera com 100% da frota. De cada 5 ônibus que deveriam estar circulando apenas 2 estão nas ruas
Um relatório da Casa Fluminense mostra que, de cada cinco ônibus que deveriam estar nas ruas do Rio em outubro, apenas dois rodaram. O número representa 38,3% da frota determinada pela Prefeitura do Rio. Nos meses de agosto, setembro e outubro, uma em cada cinco linhas não rodou.
O documento “De olho no transporte” foi feito com base nos dados gerados pelos GPS dos ônibus, disponibilizados pela prefeitura.
“A gente tinha outras conduções para o Centro da cidade e agora não tem mais. Difícil. Tem que pegar van até Coelho Neto e depois baldeação até o Centro. Aqui de Santa Cruz é muito difícil. É complicado”, disse a técnica de enfermagem Lucinéia Souza.
O relatório concluiu que a Zona Oeste é a região que mais sofre com a falta de ônibus. De cada quatro veículos que deveriam estar rodando, só um está nas ruas. É comum ver os passageiros esperando muito tempo no ponto.
A esteticista Lucélia Calazans, que mora em Sepetiba e trabalha em Campo Grande, também encontra dificuldades, mesmo circulando na mesma região.
“Para chegar em Campo Grande é quase impossível. Se não fossem as vans, e ainda ilegais, a gente tava frito. A gente se sente abandonado. A gente não tem opção”, disse a passageira.
O relatório dá sugestões de como o poder público poderia melhorar o sistema de transporte.
“Em primeiro lugar, a prefeitura usar esses dados para fazer a fiscalização de maneira mais efetiva, cuidar da qualidade destes dados, ver se o que está no GPS é o que está acontecendo na rua. O pessoal da ITDP [Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento] faz sugestões pra aumentar as faixas do BRS, garantir que os ônibus tenham maior velocidade e maior performance na rua. A ideia é a gente fazer isso em 2021, lançar relatórios frequentes. E, com isso, poder fornecer pra sociedade essas ferramentas de fiscalização”, disse Guilherme Braga, pesquisador da Casa Fluminense.
Os pesquisadores também concluíram que o BRT circulou com frota inferior, com apenas dois ônibus para cada cinco que deveriam estar nas ruas.
O Rio Ônibus, que representa os empresários do setor, disse que ainda sofre com a redução de passageiros, que está no patamar de 45%, e que a tarifa não é renovada há quase dois anos.
O BRT afirmou que está operando com 100% da capacidade.
A Secretaria Municipal de Transportes disse que já aplicou mais de cinco mil multas.
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