Relatório de investigação sobre embaixadora que agrediu doméstica no DF sai em duas semanas, diz governo filipino


Em rede social, secretário de Relações Exteriores do país, Teodoro Locsin Jr., afirmou que inquérito já teve início. Também disse que ofereceu ajuda financeira à vítima. Câmeras de segurança flagram embaixadora das Filipinas agredindo empregada
O secretário de Relações Exteriores das Filipinas, Teodoro Locsin Jr., disse em uma rede social que sai em duas semanas o primeiro relatório da investigação sobre a embaixadora do país no Brasil, Marichu Mauro, que agrediu uma empregada doméstica, na residência oficial da embaixada, em Brasília.
O caso veio à tona depois que uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibiu imagens de câmeras de segurança que mostram as agressões. Com a repercussão do caso, o governo filipino determinou o retorno imediato da embaixadora ao país (relembre abaixo).
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Em publicações feitas na rede social na quinta (29), o secretário de Relações Exteriores das Filipinas disse que ofereceu ajuda financeira à empregada agredida, sem impor qualquer condição. De acordo com a imprensa local, a mulher já chegou ao país e se reuniu com a família.
Embaixadora das Filipinas, Marichu Mauro, durante agressão à funcionária dentro da residência da embaixada, em imagem registrada pelo circuito interno de televisão em 19 de outubro
TV Globo/Reprodução
Ainda de acordo com Teodoro Locsin Jr., a investigação contra a embaixadora já teve início. O secretário disse que, inicialmente, foi formado um time de quatro pessoas para averiguar o ocorrido. O grupo vai conduzir uma investigação preliminar que será encaminhada ao secretário.
Caso os investigadores encontrem evidências suficientes de transgressão, Teodoro pode apresentar uma queixa formal contra a embaixadora ao presidente, Rodrigo Duterte, que tomará a decisão sobre o caso. O aval dele também foi necessário para que as investigações tivessem início.
Saída de Marichu Mauro do Brasil
Apesar do governo filipino ter solicitado a saída de Marichu Mauro do Brasil, o G1 não conseguiu confirmar se ela já deixou o país. Funcionários da Embaixada afirmam que foram “claramente orientados a não comentar sobre o assunto”.
A reportagem também entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores e questionou sobre a saída da diplomata do Brasil. Em nota, o órgão disse: “Sugere-se dirigir consulta à Embaixada das Filipinas no Brasil”.
Embaixada das Filipinas em Brasília
Walder Galvão/G1 DF
O G1 tenta contato com a Embaixada das Filipinas desde segunda-feira (26), entretanto, não obteve resposta.
Mudança de protocolo
Na quarta (28), o Departamento de Relações Exteriores (Department of Foreign Affairs – DFA) das Filipinas também informou que vai revisar a política que permite que diplomatas do país levem empregados domésticos para outras nações. De acordo com o departamento, a ideia é que os diplomatas deixem de levar filipinos para trabalhar no exterior e passem a contratar mão de obra local, de nacionalidade do país onde estiverem.
Segundo o secretário Teodoro Locsin Jr. “a resposta do DFA nesta assunto será severa ao limite máximo da lei, especialmente quando envolve uma oficial de alto escalão do órgão servindo de exemplo para garantir que atitudes como essas jamais serão toleradas [em tradução livre]”.
O caso
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As agressões da embaixadora Marichu Mauro contra a empregada doméstica foram registradas por câmeras da residência oficial, que fica nos fundos da embaixada, em Brasília. Um funcionário, que não quis se identificar, viu as imagens e fez um pente fino nas gravações junto com um colega.
Eles descobriram que a vítima era agredida praticamente toda semana. Em 12 de março, por exemplo, as câmeras mostram um momento em que a diplomata parece discutir com a funcionária. De repente, Marichu Mauro dá um tapa no rosto da empregada. A agressão é interrompida no instante seguinte, quando uma pessoa aparece abrindo uma porta.
Em 19 de agosto, as duas aparecem tentando consertar uma porta. Enquanto a empregada está abaixada, a diplomata dá um puxão nas orelhas da vítima.
Imagens de 15 de outubro mostram a embaixadora tentando beliscar a funcionária. Ela ainda arranca a máscara de proteção que a empregada usa no rosto.
A mulher agredida tem 51 anos e deixou o Brasil na semana passada. Os representantes do país disseram que ela voltou para as Filipinas, de onde vai contribuir com as investigações.
Outras agressões
Marichu B. Mauro, embaixadora das Filipinas, durante assinatura do Livro dos Embaixadores, em abril de 2018
Isac Nobrega/PR
O Ministério Público do Trabalho (MPT) também investiga outras agressões cometidas por Marichu Mauro, contra funcionários da residência diplomática. A procuradora do MPT à frente do caso, Carolina Mercante, explicou que o órgão atua “de uma forma global”, em relação à embaixada.
“O nosso objetivo é apurar se outros trabalhadores, sejam brasileiros, empregados diretos ou não, estão tendo seus direitos fundamentais violados”, disse. A procuradora afirmou ainda que a Embaixada das Filipinas tem 12 trabalhadores, sendo três brasileiros.
“Uma testemunha que ouvimos nos informou que, pelos vídeos, que não têm áudio, era possível ver as agressões verbais em relação aos demais funcionários”, disse a procuradora do MPT.
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