Representatividade das minorias aumenta na política, mas lutas de gênero e raça ainda são desafio no PA


Ativista Juliana Damasceno afirma que representatividade é conquista da população negra em geral, que luta por uma ressignificação da negritude enquanto identidade positiva. Juliana Damasceno, ativista do Coletivo Sapato Preto fala sobre
Arquivo pessoal
A comunidade LBGTQIA+, mulheres e negros terão mais representatividade nas Câmaras Municipais do Pará. Para especialistas, esta diversidade representa um avanço para a defesa das minorias através da política. Quanto a questão racial, essa representatividade ainda precisa passar por uma ressignificação da negritude enquanto identidade positiva.
Em Belém, os negros ganharam mais espaço na Câmara Municipal. Antes ocupavam uma cadeira e em 2021 vão ocupar 6 vagas. Treze vereadores se auto declararam pardos e 16 se dizem brancos.
Juliana Damasceno, ativista do Coletivo Sapato Preto, que tem pesquisas na área de políticas públicas – voltadas para mulheres negras, explica como essa representatividade é algo positivo. “É necessário compreender que mulheres negras sempre fizeram política, principalmente nos movimentos sociais”, detalha.
“Ocupando a política institucional tivemos Lélia Gonzalez e esse ano, em Belém, 3 mulheres negras foram eleitas. Precisamos entender isso como conquista dos movimentos negros e da população negra em geral, já que as políticas públicas e ações afirmativas se transformam em pontes para o combate do racismo em suas diversas esferas”, afirma Juliana.
Comunidade LGBTQIA+, mulheres e negros ganham mais espaço nas câmaras municipais
Consciência negra
No Dia da Consciência Negra, celebrado nesta sexta-feira (20), a ativista Juliana Damasceno explica por que muitas pessoas preferem se declarar pardas e não pretas.
“Em primeiro lugar, para entender por que as pessoas preferem se identificar como pardos do que como pretos, ainda que para o IBGE ambos façam parte do que se classifica como ‘negro’ é preciso falar sobre as construções de imagens construídas a partir da colonização, que são dotadas de carga negativas para o ser negro”, diz.
Durante o período da escravidão foram criadas diversas teorias para justificar a dominação dos povos africanos, algumas com viés científicos na tentativa de justificar a inferioridade empregada ao negro. “A partir do colonialismo são criadas diversas imagens controladoras – conceito apontado por Patricia H. Collins – para homens e mulheres negros, e essas imagens controladoras afetam diretamente na construção de nossa identidade que reverbera no afastamento de nossas negritudes”, explica.
Nilma Bentes, umas das fundadoras do CEDENPA (Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará) em seu livro “Negritando”, fala sobre a auto-rejeição que o racismo incute nas pessoas negras, uma vez que, essas imagens negativas e estereotipadas são fortemente reproduzidas, reforçadas e ensinadas na escola, na televisão, nos jornais.
“Como poderia alguém se identificar com algo que é visto como ruim na sociedade? Dessa forma, se torna muito mais aceito socialmente se identificar enquanto pardo ou moreno – como é o contexto da Amazônia, envolto de uma morenidade. Por tudo isso, o movimento negro vem trazendo a ressignificação da negritude enquanto identidade positiva, assim como, a luta por direitos através de ações afirmativa e políticas de reparação”, ressalta a ativista.
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