Se eleito, candidato Orlando Neto vai privatizar sistema de água e esgoto da Capital

Foto: Jornal Conexão Comunidade

O candidato Orlando Neto, do partido Novo, afirmou em entrevista ao Grupo Conexão que pretende entregar a um operador privado o sistema de água e esgoto de Florianópolis. A ideia é tirar da mão da Casan, empresa de operação pública do Governo do Estado, todo o serviço prestado na Capital. Entretanto, a concessão será feita a empresa que oferecer a menor tarifa. Além disso, o candidato quer criar na SC-401 uma faixa exclusiva para BRTs (Bus Rapid Transit), ônibus articulados que não disputam espaço com os carros, fazendo que o deslocamento do Norte da Ilha para o Centro seja mais rápido. O partido Novo é estreante nas eleições municipais em Florianópolis e apresenta projetos que simplifiquem a administração pública. Confira alguns pontos da entrevista:

Privatização do sistema de água e esgoto

Foto: Jornal Conexão Comunidade

Emanuel Soares: Quem seria esse agente privado que o senhor coloca?

Orlando: Seria um agente privado, uma empresa privada.

Emanuel Soares: Mas daí não iria impactar a tarifa?

Orlando: Vamos lá. O que acontece: a gente tem que assegurar na modelagem econômica um retorno que seja atrativo para esse agente econômico. Ninguém vai vir aqui para ter um retorno de 2% ou 3%. Mas dá pra manter esse retorno atrativo mesmo mantendo uma tarifa igual a atualmente praticada e até menor. A região metropolitana de Alagoas, na semana passada, fez uma concessão para conseguir essa universalização. Receberam propostas de R$ 2 bilhões de reais para o município. Foi a proposta vencedora. No nosso sistema o município não vai receber nada porque não vai ser aquele que faz o maior pagamento ao município. Mas sim aquele que faz o compromisso de ter uma tarifa menor dentro do sistema de investimentos necessários.

Emanuel Soares: Então o senhor privatizaria o sistema de água e esgoto com uma concorrência com a menor tarifa ganhadora?

Orlando: A gente tem que entender que o serviço público é do município mas não precisa ser prestado pelo município. Basta que exista uma agência reguladora, uma fiscalização efetiva.

Emanuel Soares: Mas é uma privatização isso!

Orlando: Vamos lá, privatização tecnicamente é quando você tem uma empresa de economia mista ou uma empresa pública e você vende o controle dela.

Emanuel Soares: Mas o senhor está dando para um agente privado isso. Mas isso é uma privatização.

Orlando: Mas a Casan já é um agente privado. Ela tem apenas o controle do Estado de Santa Catarina.

Emanuel Soares: Mas a referência que eu faço aqui é com o aeroporto. Ele foi entregue para a iniciativa privada. Foi privatizado o aeroporto. Antes era da iniciativa pública. Então vai ser a mesma coisa?

Orlando: Vai ser a mesma coisa!

Corredor de ônibus na SC-401

Foto: Jornal Conexão Comunidade

Emanuel Soares: Eu andei lendo aí, logo no início da campanha, que o senhor quer um corredor de ônibus pra fazer o deslocamento do Norte da Ilha para o Centro em 20 minutos. Como seria?

Orlando: É o que a gente chama de BRT, Bus Rapid Transit. Tem em Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo também. A ideia é muito simples, Emanuel. A idéia é de que tem que ser vantajoso usar o transporte coletivo. Se a opção de usar ônibus é mais vantajosa do que usar o seu carro, você vai usar o ônibus. Isso leva a um ciclo de melhoras. (…) Isso vai funcionar melhor se funcionar integrado com a Grande Florianópolis. E a gente vai conseguir implementar.

Emanuel Soares: De onde vai sair o dinheiro para isso?

Orlando: A via já existe.

Emanuel Soares: Na 401, não!

Orlando: Na 401 existem duas pistas. E a gente tá propondo em determinados horários do dia pistas exclusivas para ônibus.

Emanuel Soares: Mas o senhor vai trancar a cidade, se fizer isso!

Orlando: Vou trancar a cidade em termos, já que a ideia é fazer que as pessoas passem a usar ônibus. Se tiver menos carro, eu não tranco a cidade.

Emanuel Soares: E a tarifa? Como minimizar o impacto?

Orlando: Cobrador é coisa do passado. Eu reconheço os problemas que isso vai causar para os cobradores. É uma profissão do passado. É o fabricante de vela do começo do século passado. Vamos requalificar e não faz sentido ter cobradores nos ônibus.

Emanuel Soares: Mas voltando ao corredor, mas de onde sai o dinheiro para fazer os corredores de ônibus na SC-401?

Orlando: (…) Tem um prefeito aí que conseguiu R$ 100 milhões para o Asfaltaço. Não vou falar quem é.  Mas vou conseguir esses recursos em convênios e em Brasília.

Combate a pandemia de coronavírus

Foto: PMF

Emanuel Soares: Como o senhor avalia o trabalho da prefeitura no combate a pandemia na Capital?

Orlando: Nós exageramos! A prefeitura exagerou. Não havia a necessidade de um fechamento tão amplo como ocorreu. Existia muitas atividades econômicas que tinham baixo risco de contágio e que não precisariam ter sido fechadas de maneira tão drástica como ocorreu. Com isso, ficamos muito tempo com muita capacidade ociosa na nossa rede hospitalar e os prejuízos foram muito maiores. Eu reconheço e respeito a dificuldade do gestor de tomar decisão. Existiam informações das mais diversas. (…) Não tenho dúvida que a prefeitura foi muito mais rigorosa do que precisava, causando um enorme prejuízo para a economia.

Veja a entrevista completa

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