Secretários estaduais de Saúde pedem que governo federal compre a primeira vacina contra Covid-19 aprovada pela Anvisa


Carta do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) é publicada após secretário de SP, Jean Gorinchteyn, afirmar que, sem verba federal, é ‘inviável’ comprar doses adicionais da vacina chinesa CoronaVac. Brasil registra 151.971 mil mortes pela Covid-19, diz consórcio de veículos de imprensa
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) enviou uma carta ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, nesta quinta-feira (15), pedindo que o governo federal compre a primeira vacina contra Covid-19 que ficar pronta e for aprovada pela a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O pedido ocorre após o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmar ao G1, na noite desta quarta-feira (14), que o governo federal não liberou dinheiro para a compra da vacina CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.
A gestão João Doria (PSDB) tenta negociar para que a CoronaVac receba verba federal para ser distribuída pelo SUS, caso seja comprovada sua eficácia na terceira fase de testes.
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Até o momento, o Ministério da Saúde fez acordos para garantir a compra da vacina da empresa AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, e com a vacina do Covax, consórcio global de vacinas contra o coronavírus.
O pedido dos secretários estaduais é para que o governo se comprometa a comprar a primeira vacina que for aprovada pela Anvisa.
O Conass argumenta que a vacina CoronaVac pode ficar pronta antes da vacina de Oxford e da vacina obtida por meio do Covax, que foram as duas frentes anunciadas pelo governo.
Em entrevista ao G1, o secretário de SP disse que a compra de doses adicionais, além das 61 milhões já garantidas pelo governo estadual, será “inviável” sem esses recursos.
O secretário da Saúde de SP, Jean Gorinchteyn, durante visita ao Ministério da Saúde no fim de agosto
Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo
Em reunião virtual realizada na tarde desta quarta, o Ministério da Saúde apresentou um cronograma de vacinação da população contra o coronavírus para 2021.
Segundo Gorinchteyn, que participou do encontro junto com outros secretários estaduais, o governo federal só considerou a compra da vacina da AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford. O G1 procurou o Ministério da Saúde e aguarda posicionamento.
“Por que que uma vacina como a CoronaVac, que está no mesmo pé da de Oxford, aliás está até mais adiantada, está recebendo uma tratativa diferente? Esse foi um questionamento que a gente acabou fazendo e todos os secretários entenderam. Se eu tenho vacinas que estão no mesmo estágio de discussão, por que a de Oxford recebe uma medida provisória com R$ 1,9 bilhão? A gente nem está pedindo esse valor, mas a gente quer um aceno do ministério na aquisição também das vacinas. Isso é algo democrático”, disse o secretário ao G1.
Em estimativas divulgadas anteriormente, o governo de São Paulo disse que negociava com o Ministério da Saúde o mesmo investimento de cerca de R$ 1,9 bilhão para a CoronaVac.
Como reafirmou o secretário nesta quarta, R$ 85 milhões iriam para o estudo clínico e outros R$ 60 milhões para reforma da fábrica no Instituto Butantan. O valor restante possibilitaria que a oferta de vacinas chegasse a 100 milhões de doses até maio de 2021.
Desse total, o secretário afirma que o governo “acenou” com R$ 92 milhões, mas a verba ainda não foi liberada.
“Eram [seriam] R$ 85 milhões do estudo, mais R$ 65 milhões da ampliação da fábrica, totalizando R$ 145 milhões. E aí foi feito um aceno de R$ 80 milhões e depois foram enviados, está em avaliação nas câmaras técnicas, um valor de R$ 92 milhões”, afirmou.
O governo de São Paulo assinou um contrato com os chineses para receber 46 milhões de doses da CoronaVac até dezembro. A previsão é que o total chegue a 60 milhões até fevereiro de 2021 e a expectativa era que, com o dinheiro do governo federal, o total pudesse chegar a 100 milhões.
O governador de SP, João Doria, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, e representante do laboratório Sinovac durante assinatura de acordo no Palácio dos Bandeirantes
Reprodução/TV Globo
O secretário disse que o governo ainda negocia para que o dinheiro seja liberado e que Doria deve ir a Brasília conversar diretamente com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.
“A gente vai receber esses 60 milhões, serão 61 milhões de doses até o final de fevereiro, com uma possibilidade de termos mais 40 milhões até maio. Essas 61 milhões de doses estão garantidas. As demais, para que chegue a 100 milhões, é que se tornou inviável a aquisição pelo Butantan, por uma questão econômica”, explicou.
Questionado sobre o que o estado pretende fazer caso o governo federal mantenha a posição de não comprar doses da CoronaVac, Gorinchteyn disse que há um plano para que a imunização seja feita em âmbito estadual.
“Nós temos um plano de imunização para o estado, se isso acontecer. Mas eu reforço, não é isso o que nós queremos. Nós queremos que a vacina seja do Brasil, e não de São Paulo. Nós gostaríamos de estender essa vacina para brasileiros e gostaríamos de colocá-la pelo Sistema Único de Saúde para ser distribuída no programa nacional de imunização”, afirmou.
Acordo SP e Sinovac
O acordo para a compra de 46 milhões de doses foi assinado por Doria e Weining Meng, diretor do laboratório Sinovac, durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes. No mesmo evento, o governador anunciou que a vacinação de profissionais de saúde deve ter início em 15 de dezembro.
A vacina Coronavac ainda está em testes entre profissionais de saúde brasileiros. Até agora, 7 mil voluntários já participaram da pesquisa, segundo o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. A meta é envolver 13 mil pessoas na pesquisa.
Em relação ao valor pago pelo estado de SP para a Sinovac, Doria disse que o contrato assinado é de 90 milhões de dólares. Até dezembro, a farmacêutica vai enviar 6 milhões de doses da vacina já prontas, enquanto outras 40 milhões serão envasadas em São Paulo, segundo o governo.
Governo de SP assina contrato para a compra de 46 milhões de doses da vacina chinesa
No entanto, o governador não esclareceu se esse valor é relativo apenas à compra das 46 milhões de doses que devem chegar em 2020, ou se também inclui doses que devem ser entregues apenas em 2021. Doria também não afirmou se o valor de 90 milhões de dólares se soma aos R$ 85 milhões que, em junho, o governo estadual declarou que havia pago pelo acordo.
Vacina para todos os brasileiros
O governador de São Paulo já prometeu que toda a população do estado vai receber a vacina contra a Covid-19 até fevereiro de 2021. Ele disse que há um “plano alternativo” para o estado de SP, caso não haja acordo com o governo federal para a distribuição nacional.
“Aos brasileiros de São Paulo, sim, garanto que teremos a vacina, a CoronaVac, para atender a totalidade da população de São Paulo, já ao final deste ano e ao longo dos dois primeiros meses de 2021, e vamos imunizá-los”, disse Doria em 21 de setembro.
O estado de São Paulo tem cerca de 44 milhões de habitantes, segundo o IBGE. Os testes da CoronaVac em voluntários, no entanto, são feitos com duas doses da vacina por pessoa.
Liberação com 50% de eficácia
Dimas Covas já declarou que o governo de São Paulo vai pedir para a Anvisa a liberação de uso emergencial da Coronavac caso a vacina demonstre eficácia de pelo menos 50% em análise preliminar.
A eficácia de 50% não é, necessariamente, o objetivo final da vacina, mas um valor mínimo a ser obtido em uma análise interina que deve ocorrer até novembro. Essa análise compara quantos voluntários tiveram coronavírus entre aqueles que tomaram a vacina e aqueles que tomaram placebo.
O estudo de fase 3 divide os voluntários em dois grupos iguais: metade dos participantes toma a vacina e a outra metade, um placebo. Os participantes não sabem a qual grupo pertencem. Para que a análise interina da Coronavac seja feita, é necessário que pelo menos 61 casos de Covid-19 ocorram entre os 13 mil voluntários, sejam eles membros do grupo que tomou vacina ou do chamado grupo de controle.
O estudo deve ter ainda uma segunda análise, chamada de análise primária, que é feita quando o número de casos confirmados de Covid-19 entre os 13 mil voluntários chegar a 154 casos.
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