Sem acordo com o governo, greve de fome dos profissionais da educação chega ao 3º dia e passa de 60 horas, diz sindicato


Servidores fazem protesto em frente à sede do governo estadual, em Curitiba, desde a manhã de quinta-feira (19). Governo do Paraná não quis se manifestar. Manifestantes fazem greve de fome em protesto ao modelo de seleção do PSS
Divulgação/APP-Sindicato
A greve de fome dos profissionais da educação que são contra o formato de seleção do Processo Seletivo Simplificado (PSS), no Paraná, chega ao terceiro dia e passou de 60 horas, neste sábado (21), sem negociação por parte do governo do estado, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato).
Procurado pelo G1, o Governo do Paraná, por meio da Secretaria Estadual de Educação (Seed), disse que não vai se manifestar.
O formato de seleção do processo seletivo prevê uma prova escrita como critério de seleção, e a cobrança de inscrição. Esse modelo revoltou os profissionais, que pedem a revogação do edital. Eles fazem protestos na cidade desde terça-feira (17).Veja mais reivindicações no fim da reportagem.
Sobre a greve de fome, o sindicato informou que está monitorando as condições de saúde dos grevistas com uma unidade móvel de atendimento. A greve de fome começou na quinta (19), com 47 manifestantes, depois que os servidores desocuparam o prédio da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Servidores da Educação do Paraná entram no 2º dia de greve de fome em frente ao Palácio Iguaçu, diz sindicato
Servidores da rede estadual de ensino fazem protesto contra a prova do PSS, em Curitiba
Professores desocupam prédio da Alep e iniciam greve de fome em frente ao Palácio Iguaçu, diz sindicato
Neste sábado, segundo o presidente do APP-Sindicato, 24 manifestantes permanecem sem se alimentar. Eles fazem o protesto em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual na capital.
Ainda conforme a Seed, 24 mil pessoas tinham feito a inscrição para participar do processo seletivo até este sábado. O período de inscrição termina na segunda-feira (23). O processo prevê a contratação de quatro mil professores temporários em todo o estado.
Sem acordo
Na tarde de quinta (19), uma reunião entre representantes da APP Sindicato e do Governo do Paraná terminou sem acordo. Uma nova reunião deve ocorrer nos próximos dias, segundo o governo, mas não tem data definida.
O governo estadual informou que reabriu o diálogo em respeito ao processo democrático depois da desocupação. Uma nova reunião poderá ocorrer nos próximos dias, segundo o governo.
Mesmo sem acordo, sindicalistas entenderam a abertura da mesa de negociações como um avanço na tentativa de retirar a prova do PSS.
“Da pauta central da mobilização, teve um avanço pequeno, mas a gente avalia que significativo. A gente parte de um não com o edital em curso para uma possibilidade de ter a prova retirada”, afirmou Walkiria Olegário, da direção da APP Sindicato.
Por outro lado, houve uma definição no encontro. Ficou acordado que os servidores temporários da merenda e da limpeza das escolas passarão a receber o piso regional a partir de dezembro.
Eles passarão a receber R$ 1.380, em vez de R$ 1.306. A medida beneficia cerca de 9 mil trabalhadores. Haverá pagamento retroativo a janeiro.
Outras reivindicações
Conforme os sindicalistas, a contratação de professores e funcionários por meio de PSS ocorre há 15 anos no Paraná e nunca foi realizada com prova e cobrança de inscrição. O APP-Sindicato destacou que exige a revogação do edital do PSS.
Pelo formato dos anos anteriores, sem a prova, a avaliação era sobre a capacitação dos temporários, com análise de títulos e tempo de serviço.
O sindicato informou ainda que “o contrato de quase R$ 4 milhões para a realização da prova foi feito sem licitação”, e que, devido à pandemia, “a prova seria um risco para a saúde de quase 100 mil pessoas que, segundo o governo, poderiam se inscrever”.
O APP diz ainda que sempre defendeu a ampliação de contratações via concurso público, considerando que, todos os anos, segundo o sindicato, são cerca de 28 mil profissionais temporários contratados. O governo informou que, no momento, não há como abrir concurso.
Vídeos
Veja mais notícias no G1 Paraná.
Tags .Adicionar aos favoritos o Link permanente.