Setembro Amarelo: mulheres veem na culinária e no teatro estímulo para superar depressão


Elas encontraram na culinária e no teatro uma forma superar a doença. Psicóloga explica que a importância do tratamento e da família. Mulheres vencem a depressão encontrando o que gostam de fazer
Duas mulheres de Araraquara (SP) encontraram na culinária e no teatro uma forma superar a depressão, um transtorno mental que atinge cerca de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A depressão é uma das principais causas do suicídio, lembrado durante esse mês pelo Setembro Amarelo, com diversas campanhas de prevenção e conscientização da população sobre o tema.
Depressão
Moradora de Araraquara (SP) desenvolveu depressão devido à problemas familiares e de adaptações
Rodrigo Sargaço/EPTV
A cozinheira Patrícia Galhardo se mudou de Botucatu (SP) para Araraquara há cinco anos e, segundo ela, a adaptação foi complicada, já que as pessoas da nova cidade não eram tão abertas. Devido a isso e a problemas familiares, ela desenvolveu o transtorno, mas demorou para perceber.
“Eu olhei para mim mesma e vi que tinha algo de muito errado, mas no começo a gente demora pra admitir. Eu coloquei o celular no modo avião e falei para as pessoas mais próximas que ele estava quebrado, também não tinha vontade de levantar da cama”, contou.
Estudante de Araraquara (SP) sofria bullying na escola e desenvolveu depressão
Rodrigo Sargaço/EPTV
No caso da estudante Maria Júlia Sedassari Souza, a escola foi um dos motivos pelo qual adoeceu, já que os colegas de sala a incomodavam com brincadeiras infelizes, o que causava mal-estar para a estudante.
“As pessoas começavam a mexer comigo assim que eu entrava na escola. Chutavam a minha mochila, me empurravam, ficavam rindo de mim… Então eu comecei a rir com eles, mas na minha cabeça tudo estava desabando”, contou.
Aceitação
Compulsão alimentar afetou Patrícia junto com a depressão
Rodrigo Sargaço/EPTV
Além da depressão, Patrícia desenvolveu compulsão alimentar, o que lhe prejudicou. “Eu pensei muito no meu filho e falei ‘ele precisa de mim, por mais que eu não esteja bem’, então foi quando pensei que precisava procurar ajuda”, explicou.
Para Maria Júlia, o momento foi muito delicado. Sentimentos de angústia, vazio e culpa afetaram a estudante, que apresentou mudanças na escola. Foi quando um professor percebeu e ofereceu ajuda, contando que ele também havia tido depressão.
“Eu juntei forças e disse que aquele era o momento de alguém me escutar. Contei para ele as coisas que estavam acontecendo e ele falou que estava muito preocupado e que era para eu falar com a minha mãe para procurar ajuda. Eu estava muito mal, era visível”, disse.
Tratamento
Culinária ajudou Patrícia que sofria com a depressão
Rodrigo Sargaço/EPTV
Ambas as mulheres iniciaram um tratamento. Com ele, buscaram atividades que trariam algum prazer e, consequentemente, melhora no quadro depressivo. Patrícia foi para a culinária, enquanto Maria Júlia iniciou as aulas de teatro.
“Eu penso que levar comida para as pessoas é levar alegria, levar sentimento. A culinária para mim foi uma cura da depressão, né? Eu amo mesmo cozinhar, porque é um ato de amor que eu faço para outra pessoa”, contou Patrícia.
“Quando eu entrei em uma aula de teatro pela primeira vez, eu lembro que analisei todo o ambiente, eu nunca tinha sentido aquilo, foi algo muito especial, eu senti como se a minha vida voltasse a fazer sentido, como se tivesse mais um motivo pra viver”, afirmou Maria Júlia.
Maria Júlia, de Araraquara (SP), encontrou no teatro a cura para a depressão
Rodrigo Sargaço/EPTV
Orientações
De acordo com a psicóloga Aline Tellaroli Parisi, durante o processo terapêutico o profissional incentiva o paciente a buscar práticas que trazem benefícios, como o teatro ou a culinária. “É onde a pessoa adota um cachorro, para trazer a sensação de ser amado, de ser útil”, explicou.
Ela também ressalta a importância das atividades físicas para a recuperação do paciente, porque o transtorno faz com que as pessoas deixem de lado por se sentirem cansadas, além do apoio familiar, já que a pessoa, muitas vezes, não enxerga que está doente.
“É importante quem está perto observar qualquer mudança de comportamento do outro, porque no dia a dia quem passa pela depressão não percebe. [Além] das pessoas ainda terem muito preconceito em ir ao psiquiatra ou procurar um psicólogo”, disse.
Volta por cima
Mulheres vencem depressão buscando atividades que gostam em Araraquara (SP)
Rodrigo Sargaço/EPTV
Para Patrícia, o primeiro passo é procurar uma ajuda médica. “Quando eu me olho no espelho, hoje vejo a minha melhor versão. Uma Patrícia feliz, empoderada, uma mulher muito mais forte do que eu mesa imaginava”, finalizou.
“Com as humilhações que eu passei, aprendi que é errado você diminuir o universo que está dentro de você para caber no universo de outra pessoa. É injusto com você mesmo. Daqui em diante eu vou com mais força, vou continuar no teatro espalhando amor”, completou Maria Júlia.
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