Sobrevivente que fez selfie sob escombros relembra queda de prédio no CE: ‘Chão abaixo de mim cedeu’


Desabamento de condomínio em Fortaleza deixou nove pessoas mortas. Estudante que ficou preso sob os escombros fez selfie e mandou para amigos e familiares para dizer que estava bem. Estudante enviou selfie de debaixo de escombros de prédio que desabou em Fortaleza
Arquivo pessoal
Um ano após o desabamento do edifício Andrea, em 15 de outubro, o sobrevivente Davi Sampaio, de 23 anos, relembra a tragédia que mudou a sua vida. Ele ficou sob os entulhos da edificação em Fortaleza por várias horas, até ser resgatado pelos bombeiros.
Enquanto aguardava, ele se preocupou em avisar aos familiares que estava fisicamente bem, apesar do estresse emocional. Ele fez uma selfie sorrindo e enviou para amigos e familiares. A imagem foi compartilhada em redes sociais e viralizou.
“A intenção de mandar a foto foi avisar a amigos e familiares que estava tudo bem. Logo depois de o prédio cair, meu celular começou a receber muitas mensagens.”
Apesar do sorriso na foto, Davi lembra que foram horas difíceis. “O local era bem desconfortável, porque tinha muitas pedras pontiagudas me perfurando”, lembra.
“Depois que o chão abaixo de mim cedeu, fiquei uma fração de tempo desacordado. Quando meu corpo voltou, minha cabeça tava com muita adrenalina. Foi um mix de muita poeira, entulho, emoção. Chorei bastante. Depois de um leve surto, parei, respirei, e comecei a pegar em mim pra ver se tinha alguma coisa quebrada. Foi quando liguei pros meus pais pra contar que o prédio tinha caído.”
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Antes e depois do prédio de 7 andares desabado em Fortaleza
Reprodução/Google Street View; Reprodução/SVM
O pai de Davi, Paulo Rômulo Bezerra, estava num banco quando recebeu a imagem. Do caminho de volta até o prédio, ela se lembra do desespero que sofria.
“Aquilo foi a mão de Deus que segurou meu filho. O Davi faz um ano agora no dia 15 de outubro. Os bombeiros disseram pra ele ficar na posição fetal, pra conseguir sair do buraco. E assim ele nasceu de novo.”
“Hoje em dia, não dou mais a importância a coisas superficiais que muitas vezes tinham minha atenção antes. Hoje, prefiro meu conforto, estar bem comigo mesmo do que tentar ser o que não sou. Eu gostava muito de consumir, mas hoje sei que isso é descartável”, afirma Davi.
103 horas de trabalho
Bombeiros distribuíram flores entre familiares das vítimas de desabamento de prédio em Fortaleza
Natinho Rodrigues/SVM
Os trabalhos de resgate duraram mais de 103 horas, com a colaboração de 500 pessoas – dentre elas, 135 bombeiros que se revezavam 24 horas por dia. Além deles, brigadistas, médicos, socorristas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, policiais, agentes de trânsito e civis participaram ativamente dos trabalhos no quarteirão marcado pela dor e pela esperança.
O coronel Eduardo Holanda, comandante geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE), tem no Andrea a operação mais complexa da corporação em mais de 90 anos de história. Ele começou a coordenar os trabalhos voltando de uma viagem a Brasília.
“Quem estava lá no dia a dia, na chamada ‘zona quente’, obviamente se sentia cansado mas não queria parar. Era uma dificuldade minha e acho que de todos os bombeiros tentar se desligar por um momento que fosse pra recuperar as energias e retornar. Sem dúvida, o desgaste físico a gente só consegue perceber no final da operação”, comenta ele, que passou as primeiras 40 horas sem dormir.
Os agentes fardados também tinham a colaboração de uma rede de voluntários civis articulada pelas redes sociais. Um dos pontos de apoio foi uma casa cedida pelo dono após uma ligação do funcionário público Daniel Serpa, 43. Ele chegou ao Andrea um dia após o desabamento, e dali só sairia na noite do sábado, 19 de outubro, com o fim da operação.
Voluntários deixam de trabalhar e dormir para dar apoio às equipes de resgate
“A gente queria ajudar quem oficialmente estava encarregado disso. Na nossa ‘casa’, tinha água, quentinha, colchonete, área de descanso, equipamentos de proteção, toda uma estrutura. Era algo que pedia muita gente, muito esforço e muita pressa”, conta. O grupo coordenado por ele chegou a ter 100 pessoas, das quais 30 mantém contato até hoje.
Mapa mostra localização do Edifício Andrea, em Fortaleza, e descrição dos apartamentos
Arte/G1
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“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”