Tailândia reprime protestos e rejeita pedidos de reforma da monarquia

O Parlamento da Tailândia rejeitou uma proposta que poderia ter aberto a discussão sobre o papel da monarquia, principal reivindicação dos protestos que estão tomando as ruas do país desde julho. Das sete propostas de reformas constitucionais que foram analisadas pelos deputados e senadores nesta quarta-feira, 18, apenas duas serão levadas adiante. Nenhuma delas afeta a família real ou o primeiro-ministro Prayuth Chan-ocha, que os manifestantes pedem que seja retirado do cargo. Apesar do resultado não ser uma surpresa, já que os apoiadores do primeiro-ministro têm maioria no Parlamento, os tailandeses se revoltaram com a decisão. No mesmo dia, cerca de dez mil manifestantes se reuniram em frente ao quartel general da polícia e utilizaram pistolas de água para jogar tintas coloridas sobre a fachada do edifício.

A noite anterior foi marcada pelo protesto mais violento desde o início do ano. Enquanto os parlamentares discutiam a possível reforma da Constituição, cerca de dez mil manifestantes entravam em confronto com a polícia de Bangkok, que pela primeira vez utilizou gás lacrimogênio contra os civis. Como já se tornou comum que os agentes acionem canhões de água com produtos químicos, os manifestantes usaram como escudo boias em formato de pato, que se tornaram um novo símbolo do movimento pró-democracia. O que mais chamou atenção, no entanto, foi o fato de seis pessoas terem sido baleadas e outras 55 terem ficado feridas, apesar da polícia negar que tenha usado balas reais ou de borracha durante os protestos.

A próxima manifestação está prevista para acontecer no dia 25 de novembro em frente ao Escritório de Propriedades Reais. A motivação específica dessa ato é protestar contra o fato do rei Maha Vajiralongkorn poder administrar pessoalmente a fortuna real, que é avaliada em dezenas de bilhões de dólares. De maneira geral, no entanto, os manifestantes têm pedido a saída do primeiro-ministro, a limitação dos poderes da monarquia em questões políticas e uma revisão da Constituição, já que a atual é considerada muito favorável às Forças Armadas da Tailândia.

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