Taxa de contágio indica aumento dos casos de síndrome respiratória na cidade de São Paulo, diz observatório


Estimativa do “R efetivo”, o número de reprodução da Covid-19, mostra que, em 6 de outubro, número estava em 1,09. Epidemiologistas dizem que contágio por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) precisa ficar pelo menos duas semanas perto de 0,7 para indicarem um controle da disseminação da doença. Agente de saúde realiza exames Covid-19.
Eraldo Peres/AP
Especialistas do Observatório Covid-19 BR afirmam que a taxa atual de contágio (também conhecida como “R efetivo” ou o número de reprodução da doença) dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) aponta para uma tendência de alta no início de outubro na cidade de São Paulo.
Os números mais recentes, atualizados nesta semana, indicam que, nos primeiros sete dias de outubro, a capital passou seis deles com índice acima de 1,1. No dia mais recente, 7 de outubro, ele foi de 1,09, variando num intervalo de confiança de entre 0,94 e 1,25.
Epidemiologistas explicam que, para controlar a disseminação de uma doença epidêmica, o ideal é manter a taxa consistentemente abaixo de 1, o que indica que o número de doentes novos em um dia é menor do que no dia anterior. A taxa observa todos os pacientes com a síndrome respiratória notificados pelos hospitais, não só os que têm a Covid-19 confirmada.
Mas, de acordo com o Observatório, considerando que outubro é um mês onde não há histórico de doenças sazonais, como a gripe, isso aumenta a probabilidade de o problema ter sido provocado pelo novo coronavírus, ainda não diagnosticado em todos os pacientes.
Transmissão do coronavírus em São Paulo continua estável
No caso da cidade de São Paulo, o início da quarentena ajudou na queda da taxa, que antes variava entre 2 e 3 e, desde abril, se mantém estável em torno de 1.
Segundo Flávia Maria Darcie Marquitti, pós-doutoranda da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora do Observatório Covid-19 BR, “isso quer dizer que a gente não tem controle da situação. A gente está numa situação que não tem mudanças no número de novos casos”.
A taxa de contágio de Covid-19 confirmada em 06 de outubro estava em 0,97, segundo o Observatório Covid-19 BR, o que significa que cada grupo de 100 pessoas infectadas passam o vírus para outras 97, em média, sinalizando igualmente que a situação da pandemia não está sob controle na cidade (veja mais abaixo).
Segundo o Observatório Covid-19 BR, o mês de outubro começou com tendência de aumento na taxa de transmissão.
Reprodução/Observatório Covid-19 BR
O que é a taxa de contágio?
Taxa de contágio é um indicador usado na epidemiologia para estimar o comportamento de uma doença epidêmica ao longo do tempo. Ela é calculada com base nas notificações diárias de pessoas infectadas pelo agente que provoca a epidemia.
Como se trata de uma estimativa, especialmente em uma epidemia onde não é possível diagnosticar 100% dos casos, a taxa é apresentada com o chamado “intervalo de confiança”.
Quando a taxa fica perto de um, isso significa que uma pessoa infectada transmite a doença para uma pessoa (o valor é uma média para o total da população infectada). Ou seja, o crescimento não é exponencial, mas o agente causador da doença segue se reproduzindo de pessoa em pessoa.
Já quando ela passa a ficar abaixo de 1 – e especialmente perto de valores mais baixos, como 0,7 ou 0,5, isso quer dizer que o número de doentes novos hoje é menor do que o de ontem. Quando isso acontece por um período de vários dias ou semanas, é possível dizer que a cadeia de transmissão está sendo interrompida e, assim, que a doença está retrocedendo.
No caso da Covid-19, como o ciclo de vida do novo coronavírus dura cerca de 14 dias, especialistas indicam que o patamar ideal da taxa de contágio é que ela fique perto de 0,7 durante duas semanas consecutivas para ser possível considerar que a epidemia está de fato controlada.
Situação de São Paulo na fase verde
Nesta terça-feira (13), a Prefeitura da capital lembrou, em coletiva de imprensa, que a entrada da Grande São Paulo na fase verde em 10 de outubro não decretou o fim da pandemia. A mudança de fase ocorreu porque o conjunto dos municípios da Região Metropolitana apresentado indicadores de novos casos, óbitos e internações compatíveis com a nova fase verde anunciada pelo Plano SP.
As internações são o único dos três indicadores epidemiológicos do plano que leva em conta tanto os casos suspeitos quanto os confirmados. Na capital, esse é justamente o indicador que apresentou alta nas últimas semanas, levando a cidade a apresentar inclusive indicadores compatíveis com a fase laranja no início do mês, quando as regras antigas do plano ainda estavam vigentes.
No caso da taxa de contágio, o Observatório Covid-19 BR calcula o índice tanto para os casos de Covid-19 confirmada quanto para todos os pacientes de síndrome respiratória atendidos nos hospitais.
Considerando apenas os casos já confirmados da doença, a taxa mais recente indica uma tendência de estabilidade em torno do patamar 1 (em 6 de outubro, esse índice era de 0,97).
O número que estima o ritmo de reprodução da Covid-19 na cidade de São Paulo segue perto de 1 desde o início de abril.
Roberson Kimura/TV Globo
Mas a alta recente da taxa referente aos casos de SRAG, segundo a pesquisadora Marquitti, pode ser um alerta de que os casos graves de Covid estão aumentando na capital, apesar de ainda não aparecerem nas estatísticas oficiais.
“Ela pode estar apontando pra gente com uma certa antecedência que há sim um aumento de casos de Covid-19, antes que os resultados dos exames cheguem. Eu diria que a gente deveria ficar em alerta com os dados SRAG, ainda mais com a testagem que ainda estão muito baixas”, explicou ela.
A Prefeitura de São Paulo não quis comentar os dados do Observatório Covid-19 BR. Sobre a testagem, ela informou, em nota, que “vem testando os sintomáticos e seus contatos nos 14 Distritos Administrativos com maiores números de casos, além da realização do Censo Sorológico com professores, alunos e servidores da rede municipal de ensino e nos Centro para Crianças e Adolescentes”.
Mais de dez milhões de paulistanos suscetíveis
Os dados sobre a velocidade da reprodução do novo coronavírus servem de alerta também porque, segundo as estimativas mais recentes da Prefeitura de São Paulo, 13,6% da população da cidade tenha sido infectada, o que representa cerca de 1,6 milhão de pessoas, podendo chegar, na margem de erro, a 1,8 milhão.
Isso significa que mais de dez milhões de habitantes da cidade ainda não foram infectados. Se contraírem a doença, essas pessoas podem, com maior ou menor grau de risco, virem a desenvolver sintomas graves, precisar de internação, sofrer com sequelas ainda pouco conhecidas da infecção ou até perderem a vida.
O fato de a falta de leitos hospitalares não ser um problema não garante que os médicos conseguiram salvar a vida de 100% dos casos graves.
Além disso, a prefeitura ressaltou, na apresentação dos dados mais recentes do inquérito sorológico, na terça-feira (13), que a incidência e a mortalidade seguem atingindo os paulistanos de forma desigual, com os distritos com maior porcentagem de pessoas pretas e pardas sofrendo mais do que os demais.
Segundo estimativas da Prefeitura de São Paulo, 13,6% da população paulistana havia sido infectada pela Covid-19 até 24 de setembro.
Rafael Ferraz/TV Globo
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