Tchê Tchê faz depoimento sobre o Dia da Consciência Negra: ‘Sempre vou lutar por essa causa’

O São Paulo divulgou um vídeo nas redes sociais, nesta sexta-feira, 20, em que o meio-campista Tchê Tchê faz um comovente depoimento sobre o Dia da Consciência Negra. Engajado no combate o racismo, o volante contou um pouco da sua história de vida e afirmou que nunca deixará de lutar pelo fim do preconceito racial. “Sempre vou lutar por essa causa. Tenho um filho e não quero que ele passe por diversas coisas que passei. Dificilmente isso vai acabar. A gente pode ter a voz mais ativa para que as pessoas se conscientizem e isso possa diminuir cada vez mais”, disse o atleta são-paulino.

Veja a declaração completa abaixo:

Mas como que a pessoa que tem um ensino muito abaixo da média, na periferia, vai lutar com alguém que estuda na escola particular, e que quando você está no terceiro ano já está fazendo cursinho pra faculdade? Dificilmente a pessoa que estuda numa escola normal vai ganhar dela.

Volto na minha quebrada, onde nasci, e as pessoas não tem condições e consciência de tipo: “Caramba, posso lutar e conseguir sair daqui”. É difícil sonhar quando você vê seu pai trabalhando todo o dia e mal dá pra pagar conta. As vezes chega no fim do mês e está apertado. Não tem direito o que comer em casa. Mas não é porque a pessoa não sonha. É a realidade que a gente vive lá. Falo isso porque vivi. De pouco tempo pra cá a minha vida mudou.

O direito de sonhar é tirado muitas vezes na periferia. Por isso poucos pessoas conseguem sair de lá. Então eu volto e vejo que está basicamente a mesma coisa. Mas não é culpa das pessoas que estão ali. É difícil ver um negro médico. Você vai nos hospitais de alta linha em São Paulo: dificilmente vê um negro como chefe. Agora o segurança você vê. Entende? É diferente. O segurança, o manobrista é negro.

Envolve muito mais do que você só tentar entender o que o negro passa. Têm muitas pessoas que tem muito e gostam de desmerecer as outras que não tem e que não tiveram a possibilidade de lutar pra ter algo melhor.

Sempre vou lutar por essa causa. Tenho um filho e não quero que ele passe por diversas coisas que eu passei. Dificilmente isso vai acabar. A gente pode ter a voz mais ativa para que as pessoas se conscientizem e isso possa diminuir cada vez mais”.

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