Trump anuncia acordo entre Israel e Sudão de normalização das relações diplomáticas

Para que isso fosse possível, o presidente dos Estados Unidos retirou o Sudão da lista de países que patrocinam o terrorismo. Trump disse que se tratava de um acordo de paz, mas Sudão e Israel nunca estiveram em guerra. Donald Trump anuncia acordo entre Israel e Sudão de normalização de relações diplomáticas
O presidente Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (23) um acordo entre Israel e Sudão de normalização das relações diplomáticas. O anúncio foi durante uma ligação telefônica com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o primeiro-ministro do Sudão, Abdalla Hamdok.
Donald Trump disse que se tratava de um acordo de paz, mesmo afirmando, logo depois, que não sabia se os dois países tinham algum conflito. Sudão e Israel nunca estiveram em guerra. Agora, concordaram em tomar medidas para normalizar as relações diplomáticas no acordo mediado pelos Estados Unidos.
Para que isso fosse possível, Trump retirou o Sudão da lista de países que patrocinam o terrorismo, lista em que o país estava há quase 30 anos. A medida desbloqueia o acesso do Sudão a investimentos e ajuda financeira de organizações, como o Fundo Monetário Internacional.
O Sudão concordou em pagar US$ 335 milhões para indenizar as famílias de americanos mortos em ataques terroristas da Al-Qaeda. O governo americano acredita que o então ditador sudanês, Omar al-Bashir, dava suporte ao grupo terrorista nos ataques às embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia em 1998. As explosões mataram 224 pessoas, entre elas 12 cidadãos americanos. Em 2019, al-Bashir foi deposto e preso, abrindo o caminho para as negociações.
O anúncio desta sexta-feira ajuda a redesenhar o mapa geopolítico do Oriente Médio. Até dois meses atrás, apenas dois países árabes tinham relações diplomáticas com Israel: o Egito, depois de um acordo firmado em 1979, e a Jordânia, por causa de um acordo de 1994.
Em setembro, Emirados Árabes Unidos e o Bahrein anunciaram acordos também mediados pelos Estados Unidos.
O Sudão é o mais populoso país de maioria árabe até agora a se juntar ao grupo, que deixa cada vez mais isolada a Autoridade Palestina.
Historicamente, países árabes condicionavam relações mais próximas com Israel à desocupação de territórios palestinos e à criação de um estado palestino.
Nesta sexta, uma autoridade da Organização pela Libertação da Palestina disse que a decisão do Sudão é uma nova facada nas costas dos palestinos.
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