Trump moderado e Biden desafiador dificilmente mudarão rumo da eleição


Desempenho do presidente pode até evitar deserções no campo republicano, mas não conseguiu desestabilizar adversário democrata. Joe Biden e Donald Trump no último debate antes da eleição nos EUA, na noite desta quinta-feira (22).
Jim Bourg/Pool via AP
Um presidente ponderado, que se apresentou como defensor do meio ambiente e como o menos racista do auditório em Nashville. Um adversário que corria o risco de tropeçar e sucumbir aos ataques a seu filho Hunter manteve-se em posição confortável. É pouco provável que o debate final entre Donald Trump e Joe Biden mude o rumo da eleição — até porque 47 milhões de americanos já votaram.
Com o tom comedido e sem perder a calma, o presidente poderá até evitar deserções no campo republicano ou motivar seus partidários a votar, mas não conseguiu derrubar seu oponente. É mais um bom sinal para Biden, oito pontos à frente na média das pesquisas nacionais.
Na primeira oportunidade, Trump jogou a carta Hunter, acusando o adversário de ter recebido dinheiro da Rússia, da Ucrânia e da China, mas encontrou Biden preparado, com o argumento de que suas declarações do imposto de renda eram transparentes. Tampouco o presidente saiu abalado por acusações de ter uma conta bancária na China ou pelos minguados impostos pagos à receita federal nos últimos anos.
Ao contrário do primeiro debate, desta vez os eleitores ouviram ideias. Ao ver suas políticas sob ataque, Trump batia na mesma tecla: “Por que ele [Biden] não fez diferente nos oito anos que esteve no governo?” De tanto insistir, ouviu como resposta, num quase sussurro do democrata, que o Congresso era de maioria republicana na época.
Veja os destaques do segundo debate entre Donald Trump e Joe Biden
Biden, por sua vez, manteve Trump na defensiva, sobretudo na discussão sobre a pandemia, no dia em que os EUA tiveram 74 mil novos casos — a segunda maior alta desde o início do surto. O ex-vice de Obama reagiu com espanto quando ouviu do presidente que assumia a responsabilidade pelo avanço da doença no país. Logo depois, no entanto, ele se eximiu da culpa, atribuindo-a à China.
A separação de 500 crianças imigrantes de seus pais, na fronteira sul do país, tornou o debate dramático. Biden a classificou como criminosa: “Isso nos torna motivo de chacota, viola todas as noções de quem somos como nação.” Trump assegurou que as crianças foram trazidas por coiotes e não pelos pais e que as jaulas para acomodá-las tinham sido construídas pelo governo Obama.
“Serei presidente dos EUA e não vice-presidente”, respondeu Biden, sugerindo uma abordagem mais eficaz para a regularização de imigrantes nos primeiros 100 dias de governo.
Trump insistiu em pintar o adversário como refém da extrema-esquerda, associando-o à medicina socializada ou a políticas ambientais prejudiciais à economia. “Ele é um cara muito confuso. Ele pensa que está concorrendo com outra pessoa. Está concorrendo com Joe Biden”, revidou o democrata.
No day-after do debate, quando reiniciará uma maratona de comícios por estados decisivos, o presidente certamente tirará proveito da declaração de Biden em favor da transição energética, substituindo a indústria do petróleo por energias renováveis, para combater a poluição. “Essa é talvez a maior afirmação em termos de negócios. O que ele está dizendo é que destruirá a indústria do petróleo. Você vai se lembrar disso, Texas?”, perguntou Trump.
Os poucos que ainda estão indecisos se depararam com Biden desafiador e Trump moderado, ainda que mais na forma do que no conteúdo. A instituição do debate presidencial foi reabilitada e a moderadora Kristen Welker, da NBC, controlou o duelo com maestria. Acabou apontada como a real vencedora da noite.
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