Veja o que é #FATO ou #FAKE nas declarações dos candidatos à Prefeitura de SP na 5ª semana de campanha


Frases foram ditas em redes sociais, no horário eleitoral e nas agendas. Os candidatos à Prefeitura de São Paulo deram continuidade à campanha eleitoral na cidade nesta quinta semana após o registro oficial das candidaturas.
Eles postaram em redes sociais, falaram no horário eleitoral na TV e no rádio e participaram de entrevistas e outros eventos.
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações dadas durante a semana pelos quatro candidatos que aparecem numericamente à frente nas pesquisas. A ordem segue a da última pesquisa. Leia:
Bruno Covas (PSDB)
“Requalificamos mais de 100 km de corredores aqui na cidade de São Paulo” (em agenda de campanha, em 24/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Ao contrário do declarado pelo candidato, a atual gestão, iniciada em janeiro de 2017, requalificou, ou seja, reformou, 28,46 km de corredores de ônibus, número bem abaixo do número citado por Bruno Covas (PSDB), segundo a própria assessoria dele.
Além disso, um relatório sobre o Programa de Metas 2017-2020, publicado em agosto deste ano pela Prefeitura de São Paulo (último dado oficial disponível), aponta que “até junho de 2020, foram requalificados 53 km de corredores/faixas exclusivas de ônibus”. Ou seja, um dado incluindo faixas também.
Lançado em 2019, o Programa de Metas executado por Covas contém uma série de alterações em relação a um outro plano da prefeitura, lançado em 2017 pelo seu antecessor, João Doria (PSDB). O documento original previa a construção e a operação de 72 quilômetros de novos corredores de ônibus até o fim deste ano, meta que foi abandonada sem ter sido, na prática, alcançada.
O Fato ou Fake já checou uma declaração parecida com essa na 3ª semana de campanha.
Resposta do candidato: “A Secretaria Municipal de Transportes já havia informado à imprensa de forma transparente a revisão da meta. Grande parte dos corredores de ônibus foi implementada sem a devida atenção ao asfalto e estava muito mal conservada. A prefeitura focou na requalificação de 100 km de corredores já existentes para poder funcionar bem o que já existe. Portanto, é incorreta a comparação utilizando-se como parâmetro a primeira meta, uma vez que já foi revista.”
Nota da redação: Apesar de a prefeitura ter “focado na requalificação de 100 km de corredores já existentes”, a própria administração municipal admite só ter reformado 28,46 km.
“Foram 200 mil árvores plantadas na cidade de São Paulo [durante a atual gestão]” (em agenda de campanha, em 24/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Diferentemente do declarado pelo candidato, a prefeitura plantou, entre janeiro de 2017 e setembro deste ano, 172.335 árvores, segundo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA).
O atual Programa de Metas da prefeitura, atualizado em agosto deste ano, prevê como uma de suas metas, de número 23, “plantar 200 mil árvores no município”.
A prefeitura informa que cumprirá a meta até dezembro. “Até o final dessa gestão serão plantadas 208.799 árvores”, diz.
“Até o mês de setembro já foram plantadas 172.335 árvores. É importante lembrar que os números serão ampliados com a inclusão de mais de 9 mil árvores dos contratos de SVMA referentes aos meses de outubro a dezembro, e mais de 27 mil árvores dos Termos de Compensação Ambiental (TCA) e Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) do ano de 2020.”
Resposta do candidato: “A meta de 200 mil será cumprida até o final deste ano. Faltam apenas 28.665 plantios, operação já em andamento.”
“A gente implantou um rodízio durante uma semana, que fez com que a curva do isolamento, que vinha caindo, parasse e voltasse a subir” (no Flow Podcast, em 26/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Anunciado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) como uma medida alternativa à decretação de lockdown em São Paulo, o rodízio ampliado vigorou por apenas sete dias e não surtiu o efeito esperado: elevar a taxa de isolamento social para índices acima dos 50%.
Na prática, o chamado megarrodízio restringiu, em dias alternados, a circulação de metade da frota de veículos na cidade: carros com placas de final par só podiam rodar em dias da semana pares e veículos com final ímpar, nos dias ímpares.
No dia 17 de maio, quando anunciou o fim dessa regra mais dura e a retomada do rodízio tradicional, o prefeito deu a seguinte declaração: “Não tem sentido a gente exigir esse esforço sobrenatural das pessoas se, do ponto de vista prático, a única razão para qual o rodízio (ampliado) foi feito, que é aumentar o isolamento social, não foi cumprida. Continuamos abaixo dos 50%.”
De acordo com o Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo de São Paulo, nos dias úteis da semana anterior à vigência do rodízio ampliado (4 a 8 de maio), os índices de isolamento social na capital paulista variaram entre 46% e 48%. Durante os dias úteis em que vigorou a regra de proibição (11 a 15 de maio), em dias alternados, da circulação de metade da frota de veículos, esses números variaram entre 48% e 49%.
O Fato ou Fake já checou uma declaração parecida com essa na 4ª semana de campanha.
Resposta do candidato: “Conseguimos reduzir a circulação de veículos com o rodízio emergencial em maio. Retiramos, em média, 1,27 milhão de veículos por dia. Mesmo assim, não surtiu o efeito no nível de isolamento social que desejávamos, abaixo de 50%.”
“Não tem diferença de contaminação na cidade de São Paulo entre aqueles que usam o transporte público e aqueles que não usam o transporte público” (no Flow Podcast, em 26/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê: Um inquérito sorológico realizado pela Prefeitura de São Paulo aponta que a prevalência de infecção pela Covid-19 entre usuários do transporte coletivo é praticamente a mesma apresentada por paulistanos que não usam o transporte coletivo. O estudo foi feito com base na coleta de 2.449 amostras em adultos acima de 18 anos.
De acordo com o levantamento, entre as pessoas residentes na capital paulista que utilizam o transporte público (ônibus, trens e metrô), a prevalência foi de 10,3%. Entre os aqueles que não usam o transporte público, a prevalência foi de 11,3%.
“175 mil pessoas perderam carteira assinada entre os meses de março, abril e maio na cidade de São Paulo” (em agenda de campanha, em 28/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Diferentemente do declarado pelo candidato, entre março e maio deste ano, 544.515 trabalhadores com carteira assassinada foram demitidos na cidade de São Paulo, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), calculado pelo Ministério da Economia. No mesmo período, porém, 384.484 pessoas foram contratadas para ocuparem postos de serviço formais em toda a capital paulista.
Com isso, o período resultou em um saldo, ou seja, uma diferença entre os números de contratações e demissões, de 160.031 vagas com carteira assinada a menos ocupadas na cidade de São Paulo. Vale ressaltar, porém, que o número, diferente do dito pelo candidato, ainda se trata de um saldo.
Resposta do candidato: “O prefeito disse 170 mil quando se referia ao período de março a junho”.
Nota da redação: O número dito não foi esse e, mesmo se fosse e o período fosse o mencionado, também estaria impreciso.
Celso Russomanno (Republicanos)
“Mas eles [sem-teto] estão nas ruas, e o índice de óbitos [por Covid19] é de 28 mil pessoas, apenas 30 óbitos, 0,01. Quando na classe média alta, nós temos 4” (em agenda de campanha, em 28/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Diferentemente do declarado pelo candidato, nenhuma estatística oficial aponta uma taxa de mortalidade pelo novo coronavírus entre pacientes da classe média alta 400 vezes maior do que a registrada entre os sem-teto. E a própria estimativa populacional citada pelo candidato está errada: há 24.344 moradores de rua em toda a cidade, conforme o último Censo realizado pela prefeitura, com números referentes a 2019.
Ao checar uma declaração anterior do candidato sobre as mortes de sem-teto por Covid-19, durante a 3ª semana de campanha, o Fato ou Fake mostrou que a taxa de letalidade entre os moradores de rua (122,7 mortes por 100 mil habitantes) é maior do que a da população em geral (74,8 mortes por 100 mil habitantes).
A própria citação de uma taxa de mortalidade na classe média alta, por si só, é controversa. Isso porque, segundo tanto a Secretaria Estadual da Saúde quanto a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, a ficha de notificação do paciente infectado pela Covid-19 não exige o preenchimento de informações relativas à renda ou à classe social. Sendo assim, o poder público não calcula quantas das mortes por Covid na capital paulista de forma separada por renda.
Ao contrário do que a comparação do candidato sugere, o que um inquérito sorológico feito pela Prefeitura de São Paulo aponta é que a incidência do coronavírus é quatro vezes maior na classe D do que na classe A. Sobre isso, o prefeito Bruno Covas (PSDB) declarou o seguinte: “O vírus está jogando luz sobre a desigualdade que nós temos na cidade de São Paulo, é 4 vezes maior a incidência de coronavírus na classe D do que quem é da classe A, ou seja quem é mais pobre tem mais chance de pegar o vírus”.
Só que os inquéritos sorológicos da prefeituras são pesquisas amostrais por meio das quais a prefeitura estima a prevalência do coronavírus de toda a população em determinado momento. Aponta, portanto, o grau de espalhamento da vírus causador da Covid-19 em determinados grupos, e não taxas de mortalidade ou de letalidade, que é o indicador citado por Russomanno em sua agenda de campanha.
O epidemiologista e professor titular da Faculdade de Medicina da USP Paulo Lotufo afirma ser impossível aferir um indicador semelhante ao citado por Russomanno. Ele é autor de uma série de estudos que apontam, ao longo desta epidemia, a evolução das taxas de mortalidade por distrito da capital paulista. “Você estima a taxa de mortalidade a partir do distrito em que as pessoas infectadas moram, não é possível fazer esse cálculo com base na renda de todos os moradores da cidade”, explica Lotufo. A maioria dos seus levantamentos mostra que distritos com rendas mais baixas registraram taxas de mortalidade maiores do que aquelas contabilizadas em distritos com rendas mais altas. De acordo com Lotufo, isso tem a ver com uma série de fatores, como, por exemplo, uma melhor assistência médica utilizada por pessoas que vivem nas regiões mais ricas da cidade.
De acordo com a pesquisadora do Observatório das Metrópoles Suzana Pasternak, que também acompanha a evolução dos casos confirmados e dos óbitos por Covid-19 nos diferentes distritos paulistanos, a comparação entre moradores de rua e paulistanos da classe média alta “é estapafúrdia” e não encontra fundamento em dados oficiais. “A mortalidade dos moradores de rua é extremamente subdimensionada. Além disso, quando falamos em renda alta, lidamos sempre com um dado aproximado, levando em conta o perfil dos moradores de cada distrito”, diz.
Resposta do candidato: Procurado, ele não quis se manifestar.
“A Cohab não fez nenhuma casa popular nos últimos anos” (em agenda de campanha, em 26/20)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: A Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab-SP) construiu o conjunto habitacional Asdrúbal do Nascimento/Mario de Andrade II, na região central da cidade, entregue em fevereiro de 2019. O empreendimento faz parte do parque de Locação Social do município, possui 34 unidades habitacionais e é o primeiro a atender exclusivamente a população de rua.
A assessoria diz que, desde a regulamentação do Minha Casa Minha Vida, a Cohab-SP mudou a sua forma de atuação, sendo facilitadora do programa. A companhia realiza a compra e a desapropriação de terrenos, deixando-os aptos para receber as obras de unidades habitacionais. Após o processo, a área é repassada para a Caixa Econômica Federal. Além disso, a Cohab também é encarregada do chamamento que determina as construtoras responsáveis por esses empreendimentos.
“Também por meio da Cohab, foi criada a primeira Parceria Público-Privada da habitação municipal que, em suas duas fases, já viabilizou a construção de 22 mil novas moradias para a cidade de São Paulo, em áreas concedidas pela companhia.”
A primeira obra da PPP teve início em 2020, com a transferência da área do lote 12, localizado na Avenida Comandante Antônio de Paiva Sampaio, no Tucuruvi. O empreendimento beneficiará 400 famílias.
O Fato ou Fake já checou declaração similar na 4ª semana de campanha.
Resposta do candidato: Procurado, ele não quis se manifestar.
“Hoje, a vida de quem quer empreender é tão complicada que acaba demorando dois anos pra conseguir uma licença para iniciar uma obra” (em agenda de campanha, em 26/20)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: A Secretaria Municipal de Licenciamento (SEL) informa que a mediana de tempo de aprovação de obras na cidade de São Paulo foi de 291 dias em 2019, período 45,3% inferior aos 532 dias de mediana registrado em 2016, de acordo com o órgão.
O Programa de Metas municipal prevê a redução do tempo de aprovação para 202 dias até dezembro de 2020, índice que deverá ser alcançado, segundo a SEL.
Para pedidos que tramitam pelo Aprova Rápido, procedimento que emite alvarás em no máximo 130 dias, a mediana de tempo de aprovação é de 76 dias.
Todos esses prazos médios são inferiores aos dois anos, ou seja, 730 dias, citados por Russomanno.
“O Aprova Rápido foi o alicerce para a implantação das novas tecnologias adotadas pela SEL, como a adoção do software Aprova Digital, a partir de outubro de 2020, que tornou possível que a entrada, análise e tramitação de novos processos de licenciamento na Prefeitura de São Paulo passasse a ser 100% eletrônica, cumprindo a meta de zerar a entrada de processos físicos na municipalidade e contribuindo para a redução de deslocamentos, do tempo de resposta e trazendo maior eficiência à vida do cidadão e do servidor”, informa a Secretaria de Licenciamento por meio de nota.
“Informamos, também, que de acordo com o Indicador “Antecedente do Mercado Imobiliário”, da Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC), em parceria com a Fipe, a cidade de São Paulo encerrou o 3° trimestre com número recorde de emissão de alvarás para empreendimentos verticais em 20 anos, o maior da série histórica iniciada no ano 2000, com 973 alvarás emitidos nos últimos 12 meses.”
Resposta do candidato: Procurado, ele não quis se manifestar.
“A verdade é que a maioria das pessoas que vivem na nossa cidade enfrentam falta de trabalho, sem dinheiro até para comer” (no horário eleitoral, em 26/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: A parcela de paulistanos que enfrentam a falta de trabalho é bem inferior à maioria da população, universo citado pelo candidato. A capital paulista, na verdade, possui uma taxa de desocupação de 13,2%, de acordo com os dados do mercado de trabalho do IBGE referentes ao primeiro trimestre de 2020, levantamento mais atualizado disponível.
De acordo com o IBGE, a população ocupada da cidade é formada por 6,1 milhões, mais da metade da população, outro dado que contraria a declaração de Russomanno.
Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, também elaborada pelo IBGE, 68,8% dos domicílios da região Sudeste, onde está localizado o estado de São Paulo, encontravam-se em situação de segurança alimentar. Isso significa que essa parcela da população “tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais”.
Resposta do candidato: Procurado, ele não quis se manifestar..
“Eu fui o relator do Estatuto das Pessoas com Deficiência” (em live no Instagram, em 27/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê: Celso Russomanno foi, de fato, relator, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados destinada a proferir parecer acerca do Projeto de Lei nº 3.638/2000, que, após a sua aprovação pelo Congresso e posterior sanção, instituiu a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). O estatuto foi sancionado em julho de 2015.
“Tanto a prefeitura como o governo do estado resolveram fechar tudo” (em live no Instagram, em 27/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Diferentemente do declarado pelo candidato, a primeira quarentena decretada pelo governador de São Paulo, João Doria, que entrou em vigor no dia 24 de março deste ano, proibiu uma série de atividades econômicas, mas permitiu que outras continuassem funcionando.
Fecharam as portas, em quarentenas válidas inicialmente nas 645 cidades paulistas e renovadas a cada 15 dias:
Bares
Restaurantes
Cafés
Casas noturnas
Shopping centers e galerias
Academias e centros de ginástica
Espaços para festas, casamentos, shows e eventos
Escolas públicas ou privadas
Nunca deixaram de funcionar:
Hospitais, clínicas, farmácias e clínicas odontológicas
Transporte público
Transportadoras e armazéns
Empresas de telemarketing
Pet Shops
Deliverys
Supermercados, mercados e padarias
Limpeza pública
Postos de combustível
A partir de junho deste ano, o governo do estado de São Paulo iniciou o processo de retomada gradual da economia no âmbito do Plano São Paulo.
Desde o dia 10 de outubro, a Grande São Paulo e mais cinco regiões do estado estão na fase verde do plano de reabertura da economia durante a pandemia do coronavírus. Essa fase permite que, após o 28º dia de mudança para esse estágio, ocorram eventos, convenções e outras atividades culturais com o público em pé, por exemplo.
Resposta do candidato: Procurado, ele não quis se manifestar.
Guilherme Boulos (PSOL)
“Bruno Covas contratou uma OS sem licitação pra assumir interinamente o Theatro Municipal de SP. A prestação de contas da atual foi reprovada. O edital, impugnado” (no Twitter, em 27/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê:: A gestão de Bruno Covas realmente contratou sem concorrência pública a organização social Santa Marcelina para gerenciar o Theatro Municipal de 1º de novembro deste ano a 30 de abril do ano que vem. A decisão foi baseada em decreto municipal de 2016 que dispensa a licitação em caso “de urgência decorrente de paralisação ou iminência de paralisação de atividades de relevante interesse público”. Ela foi uma reação à decisão do Tribunal de Contas do Município (TCM) de suspender o processo de escolha. A Santa Marcelina vai substituir o Instituto Odeon, que assumiu a gestão em setembro de 2017 e foi alvo de muitas polêmicas. No fim de 2018, o então secretário municipal de Cultura, André Sturm, quebrou o contrato e solicitou uma apuração sobre as contas do instituto. No início de 2019, o sucessor de Sturm, Alê Youssef, suspendeu a decisão para que o espaço continuasse funcionando. A prestação de contas do Instituto Odeon referente a 2018 foi rejeitada. Em 5 de outubro deste ano, o conselheiro do TCM Edson Simões, relator dos processos da Fundação Theatro Municipal, determinou a suspensão do edital que escolheria a nova gestora do complexo. Em sua decisão, o conselheiro destacou que o edital da prefeitura não tinha, por exemplo, “previsão de comprovação da satisfatória situação econômica-financeira dos proponentes” e “parâmetros técnicos utilizados para fixação das metas e indicadores descritos”.
“É Davi contra Golias, não é? Todos eles [adversários da campanha] com máquina, com financiamento de empresa” (no Facebook, em 24/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Ao contrário do declarado pelo candidato, seus adversários não estão contando com o financiamento de empresas porque doações desse tipo para campanhas eleitorais foram proibidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) durante julgamento realizado em 2015. Na ocasião, por 8 votos a 3, o Supremo declarou inconstitucionais todas as normas que permitem a empresas doar para campanhas eleitorais.
Durante esse julgamento, o STF definiu também que a proibição valeria já a partir da eleição do ano seguinte, 2016. Portanto, a eleição deste ano é a terceira em que as doações de empresas para campanhas eleitorais estão vetadas.
Também não é fato, conforme declarado pelo candidato do PSOL, que todos os seus adversários dispõem de uma máquina de governo a favor deles, uma vez que, dentre todos os concorrentes à Prefeitura de São Paulo, apenas o atual prefeito Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição, ocupa atualmente um cargo no Executivo.
Resposta do candidato: Procurado, ele não quis se manifestar.
“Com o fim do auxílio, 28% da população de SP terá que sobreviver com menos de 1/2 salário mínimo por mês” (no Twitter, em 24/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê: De acordo com o Ministério da Cidadania, 3,5 milhões de pessoas na cidade São Paulo recebem o auxílio emergencial. Esse número corresponde, de fato, a 28,4% dos 12,3 milhões de habitantes da capital paulista, segundo estimativa referente a 2020 calculada pelo IBGE. Os dados sobre o auxílio emergencial podem ser consultados no portal.
“Ela [Erundina] fez 6 hospitais municipais, casa pra 150 mil pessoas e botou 2 mil ônibus novos em circulação” (no Twitter, em 26/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: A gestão Luiza Erundina (1989-1992), de fato, entregou seis novos hospitais municipais, e a frota de ônibus da cidade foi ampliada em cerca de 2 mil veículos durante o mandato da hoje candidata a vice-prefeita pelo PSOL. Essas informações constam do livro “Governo Gestão Erundina: cronologia de quatro anos de administração do PT na cidade de São Paulo”, do jornalista Ivo Patarra, ex-assessor de Erundina, e de uma série de reportagens da época, como as publicadas pelo jornal “Folha de S.Paulo”.
Erundina não entregou, no entanto, 50 mil novas moradias, volume necessário para abrigar cerca de 150 mil pessoas, número citado pelo candidato. Entre 1989 e 1992, a prefeitura concluiu 27.399 unidades habitacionais e iniciou outras 804, totalizando 28.203 casas ou apartamentos viabilizados pela prefeitura. Esses números constam de uma dissertação de mestrado apresentada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) em 2007, disponível no banco de teses e dissertações da USP. Considerando-se uma média de 3 pessoas por unidade habitacional, indicador usado como referência até mesmo pelo próprio candidato em entrevistas recentes sobre o assunto, pode-se dizer, portanto, que a hoje candidata a vice-prefeita entregou casa para 84.609 pessoas, número bem abaixo do mencionado por Boulos.
Resposta do candidato: Procurado, ele não quis se manifestar.
“Uma semana antes da eleição [para a Prefeitura de SP em 1988], ainda teve um massacre da ditadura lá em Volta Redonda, uma greve da CSN [Companhia Siderúrgica Nacional]” (em live no Instagram, em 26/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Diferentemente do declarado pelo candidato, o país não vivia sob uma ditadura em novembro de 1988, quando três operários em greve da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ), foram mortos durante uma tentativa de retomada da empresa por tropas do Exército. A CSN era então uma estatal controlada pela União. A empresa foi privatizada durante o governo Itamar Franco, em 1993.
Em novembro de 1998, quando ocorreu a greve da CSN, um dos movimentos grevistas mais emblemáticos do país, a atual Constituição Federal tinha sido promulgada um mês antes, o governador do Rio era Moreira Franco, democraticamente eleito pelo então PMDB após disputa com o Darcy Ribeiro, apoiado por Leonel Brizola, ambos do PDT. O presidente do Brasil era José Sarney (PMDB).
Resposta do candidato: Procurado, ele não quis se manifestar.
Márcio França (PSB)
“Quando fui governador, autorizei o uso das bicicletas nas rodovias paulistas, inclusive criando a ‘Rota Márcia Prado’, na descida da serra, que foi um sucesso” (no Twitter, em 25/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Em dezembro de 2018, último mês de seu mandato, Márcio França, de fato, assinou decreto que regulamentou uma lei de 1998 que trata sobre a circulação de bicicletas nas rodovias de São Paulo. A Rota Márcia Prado, no entanto, não foi criada pelo hoje candidato a prefeito. O caminho entre São Paulo e Santos foi mapeado por um grupo de ciclistas em 2009, em homenagem a uma ciclista atropelada na Avenida Paulista naquele ano. O que França fez foi sancionar em maio de 2018 um projeto da Assembleia Legislativa que oficializou essa rota.
Resposta do candidato: “De fato a rota não foi projeto de autoria de França, mas com a aprovação do projeto de lei da Alesp foi o governador Márcio França quem sancionou a criação da rota. É prerrogativa do governador vetar ou aprovar, total ou parcialmente, projetos de lei. Na medida em que aprova, ele oficializa, portanto.”
“Prefeitura de SP contratou por R$ 1,9 milhão, sem licitação, uma OS do Rio de Janeiro para ‘organizar’ e ‘ensinar’ os artesãos da capital” (no Twitter, em 26/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: A Prefeitura de São Paulo contratou uma organização social (OS) do Rio de Janeiro para gerenciar um programa para artesãos na capital por R$ 1,9 milhão, mas a contratação não foi feita sem licitação. Além disso, os objetivos do programa vão além de “organizar e ensinar” os trabalhadores, como afirma o candidato.
Criado por decreto municipal em 22 de março de 2019, o programa Mãos e Mentes Paulistanas tem entre seus objetivos capacitar artesãos e trabalhadores manuais, organizar feiras e implantar um sistema de cadastro municipal do artesão e do trabalhador manual na capital, além de gerir um ponto de atendimento presencial na região central.
Um edital para a escolha da organização responsável pelo programa foi lançado, mas, em 16 de dezembro de 2019, uma Reunião da Comissão de Seleção desclassificou todas as propostas feitas, inclusive a do Instituto Asta, e considerou o chamamento público fracassado. Em fevereiro de 2020 foi lançado um novo edital. Em junho de 2020, o Instituto Asta, uma organização social sediada no Rio de Janeiro, mas que também conta com um endereço no Itaim Bibi, Zona Sul de SP, foi anunciada como vencedora do certame.
O contrato para a “implantação, coordenação, operacionalização e gerenciamento” do programa Mãos e Mentes Paulistanas foi assinado em 1º de outubro de 2020. Seu valor total é de R$ 2,23 milhões, sendo que R$ 300 mil serão investidos pelo instituto, como contrapartida, e R$ 1,93 milhões serão pagos pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET) em 4 parcelas semestrais.
Resposta do candidato: “O candidato reafirma que, embora o Instituto Asta tenha uma filial em São Paulo, ela é uma entidade com sede no Rio de Janeiro.”
Nota da redação: A classificação da frase se deve à alegação de que o contrato foi feito sem licitação e que visa “organizar e ensinar os artesãos”, não à localização da sede do instituto.
“Não adianta quebrar o Minhocão porque passam 80 mil veículos por aí por dia” (em agenda de campanha, em 26/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Um estudo de maio de 2019 feito pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estima que 78 mil automóveis trafegam por dia no Elevado João Goulart, mais conhecido como Minhocão. No entanto, o mesmo estudo afirma que há possibilidade de absorção desses veículos e que o impacto no trânsito da cidade, caso o Minhocão fosse desativado, ia ser “muito baixo”.
O relatório avalia a mudança nas velocidades médias e no tempo de viagem em todo o município, na região do centro expandido e na chamada área de influência, como é denominado o entorno imediato do Minhocão. O estudo conclui que, no trânsito de toda a cidade, o impacto da desativação do Minhocão é considerado “muito baixo”, mas destaca que “será necessária a adequação do sistema viário existente para mitigar os impactos dessa proposta”. No centro expandido, o impacto é “baixo”. Já na área de influência, o impacto é considerado “significativo”. O maior efeito ocorre na via que corre abaixo do elevado, a Rua Amaral Gurgel, onde a velocidade média no pico da manhã aumentaria em 36,1%, de 42,8 km/h para apenas 27,3 km/h.
Resposta do candidato: “A checagem se vale de uma estimativa feita pela CET há um ano e cinco meses. Ou seja: um número estimado pela companhia já em maio do ano passado. Se nem mesmo a checagem faz uso de um número exato, nos parece pouco razoável classificar dessa maneira a consideração do candidato de que se trata de 80 mil veículos – ou seja, uma variação ínfima, de 2,5%, sobre um dado não atualizado da própria CET.”
Nota da redação: A frase foi classificada dessa forma porque o estudo diz que o impacto ao desativar o Minhocão ia ser “muito baixo” em relação ao trânsito da cidade, diferentemente do dito pelo candidato, e não pelo número em si.
“Eu me reelegi com 93% dos votos na cidade mais pobre do estado de São Paulo” (no Facebook, em 24/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Em 2000, de fato, Márcio França se reelegeu prefeito de São Vicente com 93% dos votos válidos. Todavia, o município da Baixada Santista administrado pelo candidato por dois mandatos não era em 2000 nem é agora a cidade mais pobre do estado de São Paulo.
De acordo com levantamento realizado pela Fundação Seade com base em dados do IBGE, em 2017, período mais recente com números disponíveis, o PIB per capita de São Vicente (R$ 14.859,00), ou seja, o total de bens e serviços feitos no território dividido pelo número de habitantes, era maior que o de 61 outras cidades paulistas. Francisco Morato, na região metropolitana, é o município com o menor PIB per capita de todo o estado, com R$ 8.712,00.
O estado de São Paulo possui 645 municípios. São Vicente possui o 584º PIB per capita municipal paulista.
Ainda segundo a Fundação Seade, levando-se em conta o PIB Municipal, ou seja, o total de bens e serviços produzidos no território de cada cidade e sem levar em conta a população de cada uma delas, São Vicente possui o 65º maior indicador do estado (R$ 5,2 bilhões).
No ano 2000, ano da reeleição de França para prefeito, São Vicente também não era a cidade mais pobre do estado de São Paulo. O PIB per capita (R$ 4.036,86) era maior do que o de outras 127 cidades paulistas. Já o PIB municipal era o 47º maior do estado.
Resposta do candidato: “O candidato vem repetindo que São Vicente tem uma das menores rendas per capita do Estado entre as cidades com mais de 100 mil habitantes. Para se ter uma ideia, na série histórica da Fundação Seade, em 2002, São Vicente era o segundo pior PIB per capita do Estado nessa categoria – R$ 4.375,68, atrás apenas de Itaquaquecetuba, que registrava R$ 3.959,08. Na mesma série histórica, o dado mais recente da Seade, de 2017, mostra São Vicente na mesma posição de 2º pior colocado no PIB per capita do Estado entre as cidades com mais de 100 mil habitantes. A renda per capita dos vicentinos é de R$ 14.858,66, na frente apenas de Francisco Morato, com R$ 8.711,80 na mesma categoria”.
“Existem [na cidade de São Paulo] 400 mil pessoas, 400 mil famílias, esperando numa fila de CDHU, de Cohab, esperando a sua vez” (no Facebook, em 25/10)
Selo #FAKE
G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Ao contrário do declarado pelo candidato, a fila da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab) possui 204.103 famílias com cadastro ativo em todo o município, segundo a prefeitura.
Além disso, a CDHU informa que “não mantém fila para interessados em adquirir uma unidade habitacional”, como dito pelo candidato. “Para aquisição de uma casa ou apartamento da CDHU, a família interessada deve aguardar a abertura das inscrições para o empreendimento no município em que mora ou em que o chefe da família trabalha, e inscrever-se para participar do sorteio público”, complementa a nota enviada pela estatal.
Resposta do candidato: “474 mil moradias populares: essa é a quantidade de unidades que deveriam ser construídas para zerar o déficit habitacional na cidade de São Paulo, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, de 2017. São mais de 3,3 milhões de pessoas que vivem em condições inadequadas na cidade. Segundo números da própria Prefeitura, há na capital paulista mais de 1.730 favelas cadastradas, com cerca de 390 mil domicílios. Há 1.479 cortiços cadastrados pela Secretaria Municipal de Habitação apenas nas subprefeituras da Sé e Mooca. O problema é complexo e envolve índices variados. A Relação de Munícipes no Auxílio Aluguel, por exemplo, atualizada nesta quarta-feira (28), dá conta de 22.969 paulistanos recebendo o auxílio aluguel e mais de 111.600 cidadãos cadastrados no site da demanda aberta do município. Portanto, na avaliação da campanha, a partir das fontes acima elencadas, classificar como fake a declaração do candidato é desconsiderar a complexidade de um tema que não comporta avaliações tão binárias.”
“Nesta última eleição, na minha cidade, na cidade de São Vicente, eu tive mais de 75% dos votos para governador” (no Facebook, em 25/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Márcio França não teve mais de 75% dos votos válidos nem no primeiro nem no segundo turno da eleição para governador de São Paulo em 2018. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, no primeiro turno, França obteve 64,07% dos votos; no segundo, foram 73,08% dos votos.
Resposta do candidato: “A campanha de Márcio França rejeita o rótulo de informação falsa apontada pela checagem, uma vez que o candidato mencionou um número aproximado. De todo modo, isso não muda a esmagadora vitória de França diante do seu oponente na cidade em que foi prefeito duas vezes, com ampla aprovação da população.”

G1
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