Veja o que é #FATO ou #FAKE nas declarações dos candidatos à Prefeitura do Rio na 5ª semana de campanha


Frases foram ditas em redes sociais, no horário eleitoral e nas agendas. Os candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro deram continuidade à campanha eleitoral na cidade nesta quinta semana após o registro oficial das candidaturas.
Eles postaram em redes sociais, falaram no horário eleitoral na TV e no rádio e participaram de entrevistas e outros eventos.
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações dadas durante a semana pelos quatro candidatos que aparecem numericamente à frente nas pesquisas. A ordem segue a da última pesquisa. Leia:
Eduardo Paes (DEM)
“Nesta semana, recebi a notícia do bloqueio momentâneo dos meus bens. Uma medida que nada tem a ver com corrupção, mas sim com a gratuidade da passagem de ônibus para os alunos da escola pública” (no Facebook, em 24/10)

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#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: O Ministério Público afirma que o então prefeito Eduardo Paes pagou em dobro o benefício das gratuidades e que houve improbidade administrativa ao direcionar o edital do processo licitatório em favor das empresas de ônibus que já atuavam no ramo.
A investigação afirma ainda que houve repasse de verbas vinculadas à educação de cerca de R$ 240 milhões às empresas de ônibus, entre 2011 e 2013, sem previsão contratual. E que um valor adicional à tarifa provocou um novo pagamento de R$ 271 milhões às empresas, “numa verdadeira dupla oneração do usuário pagante”.
Ainda segundo o agravo de instrumento, o município promoveu o desequilíbrio econômico financeiro do contrato, em “detrimento ao erário por meio de ação dolosa dos agentes públicos e políticos”.
No pedido de bloqueio de bens, a procuradora escreve ainda que o Poder Judiciário deve zelar pelo bem comum e que espera que “a crise de corrupção e de inversão de valores” seja superada por prática de transparência e legalidade.
Na semana passada, o Fato ou Fake checou afirmação semelhante do candidato.
Resposta do candidato: O candidato disse que a decisão judicial “em nenhum momento insinuou que teria havido corrupção, enriquecimento ilícito ou oferecimento de qualquer facilidade”. Paes afirmou ainda que o custeio das gratuidades estava previsto no Estudo de Viabilidade Econômica, assim como o repasse da prefeitura para custear as gratuidades. Ele disse também que o Tribunal de Contas do Município concluiu que não havia nenhuma irregularidade.
Nota da redação: Na decisão do desembargador relator Gilberto Matos, o juiz se refere aos aportes às concessionárias, contrariando o contrato, como “condutas (que) caracterizam, em um juízo de cognição sumária, atos ímprobos, eis que praticados ao arrepio da lei e do edital de licitação, e beneficiaram as concessionárias de transporte público, em detrimento dos usuários do serviço”. O magistrado cita ainda uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para justificar a indisponibilidade de bens dos réus afirmando que em caso de ação de improbidade basta, mesmo em um exame menos profundo, a demonstração “de que o ato de improbidade causou lesão ao patrimônio público ou ensejou enriquecimento ilícito de terceiros”.
“Em relação à dívida deixada para o sucessor, é importante dizer que o Tribunal de Contas do Município analisou todas as contas e deixou claro que nós deixamos um saldo em caixa para que o prefeito tocasse a prefeitura no ano seguinte” (no Facebook, em 24/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê: Em agosto de 2018, os conselheiros do Tribunal de Contas do Município (TCM) concluíram que Eduardo Paes não tinha deixado dívidas do orçamento para o sucessor, Marcelo Crivella. Isso significa que, segundo o TCM, Paes deixou dinheiro em caixa para Crivella pagar fornecedores por serviços já concluídos.
Contudo, apesar de ter deixado dinheiro em caixa para honrar os compromissos da prefeitura, em 2016 Paes contraiu empréstimos para obras de infraestrutura e mobilidade urbana — aprovados pela Câmara Municipal — a serem pagos pela gestão seguinte, de Marcelo Crivella.
Há duas semanas, o Fato ou Fake também classificou como FATO o pagamento de R$ 5,2 bilhões em dívidas, juros e amortização pela gestão de Crivella.
“A Transbrasil nunca foi prevista para terminar no meu governo” (em entrevista ao jornal “O Dia”, em 23/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: O prazo para execução das obras no edital de licitação era de dois anos e meio, e a licitação foi concluída em outubro de 2014. Ou seja, com término estipulado para 2017. Na ocasião, no entanto, o então prefeito e seu secretário de Obras, Alexandre Pinto, deram declarações públicas de que a intenção era de que as obras do corredor expresso fossem concluídas até o final de 2016. Um comunicado da Secretaria Municipal de Obras no Diário Oficial do dia 2 de outubro de 2014 afirmava que, “embora não integre a Matriz de Responsabilidade para a Olimpíadas, a previsão de conclusão das obras do BRT Transbrasil é 2016”. O comunicado também foi publicado no site da prefeitura. A conclusão das obras e a operação do corredor eram uma das metas do plano estratégico da prefeitura para o período de 2013 a 2016.
Na primeira semana de campanha, o Fato ou Fake classificou como FATO uma declaração de Paes que continha, além de dados de outras obras, o seguinte trecho: “a Transbrasil era pra ter ficado pronta em 2017 e 2018 com algum atraso”. Contudo, não é bem assim que a Transbrasil “nunca foi prevista” para terminar no governo Paes. E a própria frase dita na ocasião dá a ideia de que mesmo pronta em 2017 ela ia ter sido concluída “com atraso”.
Resposta do candidato: “Na entrevista para o jornal ‘O Dia’, o candidato Eduardo Paes afirmou que a Transbrasil não estava prevista para terminar no governo dele. ‘A Transbrasil nunca foi prevista para terminar no meu governo.’ Conforme o próprio portal G1 publicou no dia 15 de outubro de 2014, data da assinatura do contrato para construção da Transbrasil, Eduardo Paes afirmou: ‘É fora de cogitação ficar pronto para Olimpíada, nunca teve ligação nenhuma com a Olimpíada, não estava na proposta.’ Além disso, após a assinatura do contrato, foi estabelecido um cronograma com previsão para a entrega da obra para maio de 2017.’
Nota da redação: Não é verdade que em nenhum momento tenha se aventado a conclusão da Transbrasil em seu governo. Na própria reportagem citada, inclusive, há o trecho: “De acordo com Paes, as obras, que devem gerar alguns transtornos à população, devem começar em novembro e estão previstas para terminar no final de 2016.”
“A gente aumentou o efetivo da Guarda (Municipal) de 3 mil para 7 mil homens” (em entrevista ao jornal “O Dia”, em 23/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: No ano em que Eduardo Paes assumiu a prefeitura, no primeiro mandato em 2009, o efetivo da Guarda Municipal era de 5.183 agentes, segundo a instituição. Um ano antes, era de 5.295. Ou seja, o efetivo não era de 3 mil homens. Em 2016, último ano do seu segundo mandato, a Guarda contava com 7.483 agentes.
Números da Guarda Municipal
Resposta do candidato: “O candidato Eduardo Paes se equivocou ao mencionar o número de 3 mil como contingente da Guarda Municipal no início de sua gestão. Na realidade, o número de 3 mil guardas municipais se refere aos 3.490 concursados chamados para integrar a corporação durante a sua administração, que terminou com um efetivo de 7.816 servidores.”
“Só para consulta oftalmológica são mais de 100 mil pessoas aguardando (na fila do SISREG)” (no Twitter, em 26/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Segundo os dados do SISREG, os mais atualizados disponíveis, 39.503 moradores do Rio aguardam por uma consulta oftalmológica em unidades de saúde da cidade — não só municipais, apesar de a gestão do sistema estar a cargo da prefeitura. Há ainda 9.710 moradores de outros municípios que aguardam uma consulta oftalmológica e estão em outra fila do SISREG. Mesmo somando os dois números, o total é de 49.213 pessoas aguardando atendimento, menos da metade do dito pelo candidato.
Resposta do candidato: Procurado, ele não quis se manifestar.
Martha Rocha (PDT)
“Mais da metade do território do Rio é dominado pela milícia, que age como empresa. É gato, botijão, construção irregular e venda de proteção para comerciantes” (no Facebook, em 23/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê: Uma pesquisa divulgada em 19 de outubro revelou que grupos paramilitares já estenderam seus domínios para 57,5% do território carioca — um quarto dos bairros da cidade —, superando as áreas controladas por traficantes de drogas.
Intitulado Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, o levantamento, que reuniu o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (UFF), as plataformas Fogo Cruzado e Pista News, o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Disque-Denúncia, mostra que 33,1% da população do município, mais de 2,1 milhões de pessoas, vivem nessas regiões.
Entre as atividades criminosas dos milicianos, estão as citadas pela candidata, além de outras, como a exploração de sinal de TV a cabo e o transporte irregular.
“Estão dizendo por aí que fui a responsável pela prisão do Rafael Braga durante as manifestações de 2013. A verdade: a responsabilidade pelo policiamento é da Polícia Militar e não da Polícia Civil, que eu comandei. A ordem de prisão do Rafael foi emitida por um juiz, e não por mim. Nas mais de 700 páginas do processo, meu nome aparece oito vezes. Todas com a mesma conduta que a lei determina: encaminhei o caso à instância correta, que era a Delegacia de Polícia Judiciária (DPJ). Também constam as assinaturas dos delegados que conduziram o processo, da promotora, que pediu a prisão, e do juiz que a concedeu” (no Facebook, em 24/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê: Martha Rocha era a chefe da Polícia Civil quando a prisão foi realizada. O processo tem cerca de 750 páginas e a candidata, de fato, é citada oito vezes — de maneiras praticamente idênticas.
O registro de ocorrência relata que dois policiais detiveram Rafael Braga Vieira ao vê-lo em uma loja arrombada com dois frascos na mão que, segundo os policiais, pareciam coquetel molotov.
“Um deles estava parcialmente preenchido com substância incolor com odor semelhante ao de álcool e o outro preenchido com substância de odor muito forte, embora não identificado”, narra o registro.
Ainda segundo o documento, o policial “apresentou o fato à autoridade policial, que, seguindo orientação da chefe da Polícia Civil, Dra Martha Rocha, ordenou que o detido fosse conduzido a esta UPJ (delegacia) e apresentada a ocorrência a autoridade policial dessa distrital”.
“A maior apreensão de armas de fogo feita pela Polícia Civil no ano passado foi feita dentro do Aeroporto Internacional do Galeão sem dar um único tiro e sem causar nenhum efeito colateral” (em live no Facebook, em 23/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: A maior apreensão da Polícia Civil em 2019, segundo a corporação, ocorreu no Complexo da Maré, em conjunto com a Polícia Militar. Foram 30 armas apreendidas, sendo 28 longas (como fuzis e metralhadoras).
Houve uma apreensão no Galeão em 2017 em que 60 armas foram encontradas, feita pela Desarme. Na ocasião, a investigação começou a partir da morte de um policial e de um roubo de cargas. O levantamento da origem da arma utilizada nos crimes culminou na apreensão no aeroporto.
Resposta da candidata: A candidata afirma que usou o exemplo para “mostrar a importância do trabalho de inteligência e monitoramento”. Ela disse que a ação da Desarme contou com “o trabalho de inteligência da Polícia Civil”. Martha Rocha também se referiu ao caso de 117 fuzis encontrados na casa de Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco, e de um amigo dele. Em março de 2019, a Polícia Civil anunciou a operação como a maior apreensão de fuzis da história.
Nota da redação: A apreensão referida não entrou nas estatísticas oficiais. O Instituto de Segurança Pública não os contabilizou porque eles foram considerados acessórios, e não armas.
“Naquele momento, a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas era da Assembleia Legislativa e havia dois candidatos. Naquele momento, não havia nenhuma punição ao candidato Domingos Brazão e eu votei, votei, sim, votei. Avaliando hoje talvez não tivesse votado, mas naquele momento não havia disponível nenhuma questão que o acusasse, nenhuma denúncia formal. Motivo pelo qual — a vaga era da Assembleia, havia dois candidatos — e eu votei, sim, no Domingos Brazão” (em entrevista ao SBT News, em 28/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Nove candidatos concorriam à vaga, sendo dois deputados: Domingos Brazão e Marcos Abrahão. Os outros sete eram servidores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e um deles desistiu da candidatura antes da votação.
Alguns deputados fizeram um acordo para que um parlamentar fosse eleito, mas não havia proibição para que alguém de fora da Assembleia fosse escolhido — tanto é que Ivy Nicolaevsky, servidor do TCE, recebeu quatro votos.
Quatro anos antes da eleição, em 2011, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) chegou a determinar a cassação do deputado Domingos Brazão por compra de votos.
Ele respondia por abuso de poder econômico, captação ilícita de voto e conduta vedada a agente público. A ação, entretanto, foi revertida no Supremo Tribunal Federal (STF).
Domingos Brazão tinha sido acusado de usar o Centro de Ação Social Gente Solidária, em Jacarepaguá, para distribuir bens em troca de votos. O bairro, na Zona Oeste do Rio, é um dos locais com atuação da milícia.
No relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, de 2008, Domingos Brazão também havia sido citado.
O vereador Nadinho de Rio das Pedras foi o primeiro a depor na CPI e, segundo o documento, “detalhou as relações de políticos com redutos controlados por milícias em Jacarepaguá, especialmente em Rio das Pedras e adjacências”.
Ele “citou o deputado Domingos Brazão (PMDB) como tendo feito campanha em Rio das Pedras)”. O local era área de influência dele e de seu irmão, Chiquinho Brazão.
Na semana passada, o Fato ou Fake checou declaração semelhante da candidata.
Resposta da candidata: A candidata disse que, na eleição, Domingos Brazão “não respondia mais a qualquer processo eleitoral” já que a Procuradoria Regional Eleitoral pediu o arquivamento. Martha Rocha afirmou ainda que a vaga “era uma das quatro cadeiras pertencentes à Assembleia Legislativa do Rio”.
Nota da redação: De acordo com o site do TCE e a Constituição Estadual, o tribunal é formado por sete conselheiros. Destes, três são escolhidos pelo governador e quatro pela Assembleia Legislativa. Entre os escolhidos pela Assembleia Legislativa, no entanto, não há necessidade de que sejam parlamentares nem especificação de origem da vaga. O artigo 128, parágrafo 1º da Constituição do Estado, determina que os conselheiros “serão nomeados dentre brasileiros com mais de 35 anos e menos de 65 anos de idade, de idoneidade moral, reputação ilibada, formação superior e notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública, com mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exijam tais conhecimentos”.
“A cidade do Rio de Janeiro tem mais de 1.500 escolas, mais de 600 mil alunos. É a maior rede de ensino público da América Latina” (em entrevista no Youtube, em 26/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: A cidade do Rio de Janeiro tem 1.542 escolas e 643.053 alunos, segundo a Secretaria Municipal de Educação. Porém, apesar de registrar um número maior de unidades do que a cidade de São Paulo, o Rio tem menos alunos — na capital paulista, há mais de 740 mil estudantes matriculados na rede municipal, segundo o Censo Escolar 2019, do Inep. Logo, não se trata da maior rede de ensino público da América Latina.
O Fato ou Fake já checou uma declaração semelhante do candidato Eduardo Paes (DEM).
Resposta da candidata: “A delegada Martha Rocha referia-se ao número de unidades municipais de ensino. No Rio de Janeiro são 1.542 e em São Paulo são 1.509.”
“Quando você coloca os dados da tuberculose, os dados da violência e os péssimos dados resultados da educação, você vai ver que esses dados negativos estão todos no mesmo território. Então quando você vai ver lá, a tuberculose é maior na Zona Oeste, a violência é maior na Zona Oeste, o número de mortes por covid-19 foi maior na Zona Oeste, a questão da educação a gente também percebe isso”. (em entrevista no Youtube, em 26/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Segundo relatório da Frente Parlamentar de Combate à Tuberculose da Câmara Municipal, o bairro que concentra a maior incidência da tuberculose é Bangu, na Zona Oeste, com uma taxa de 723 casos por 100 mil habitantes.
Em relação à violência, dentre as áreas da cidade, Bangu e Campo Grande, que também fica na Zona Oeste, são as regiões com maior número de ocorrências entre janeiro e setembro de 2020, segundo dados do ISP. A área da 34ª DP (Bangu) registrou 7.810 crimes neste período. Já a área da 35ª DP (Campo Grande) registrou 7.800 delitos.
Já sobre a mortalidade da Covid-19, os bairros que registram maior número de óbitos na cidade são Campo Grande, com 676 mortes; Bangu, 555 e Realengo, com 375 mortes. Todos também ficam na Zona Oeste.
Porém, em relação à educação, entre as dez escolas com piores resultados no Ideb, a maioria se concentra na Zona Norte. Entre os anos iniciais, oito dos piores resultados são de escolas da Zona Norte. Entre os anos finais, são sete entre as dez.
Resposta da candidata: “A delegada Martha Rocha se referia aos números do Ideb na 10ª CRE (da região de Santa Cruz e adjacências), cuja média foi 5,72, a terceira mais baixa, entre as 11 CRES, ficando atrás apenas da 4ª (Bonsucesso) e da 6ª (Pavuna), cujas médias foram 5,58 e 5,51, todas bem abaixo da média da capital, que foi 5,81, e muito aquém da meta, de 6,1 (dados de 2019).”
Marcelo Crivella (Republicanos)
“O governo do estado, nesse momento envolvido em uma série de corrupções, não conseguiu fazer sequer um hospital de campanha” (em live no Facebook, em 26/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: O governo do estado inaugurou, com dinheiro público, dois dos sete hospitais de campanha prometidos para o combate à pandemia do novo coronavírus. O primeiro foi aberto no dia 9 de maio na área externa do estádio do Maracanã. O segundo foi aberto no dia 18 de junho em São Gonçalo. As duas unidades foram administradas pela organização social Iabas, alvo de denúncias de corrupção, e começaram a ser fechadas no dia 17 de julho, com a transferências de pacientes para outros hospitais. Outros dois hospitais de campanha (Lagoa-Barra e Parque dos Atletas) foram construídos e administrados com dinheiro da iniciativa privada. Coube ao governo do estado firmar a parceria e ceder os terrenos.
Resposta do candidato: “Sobre hospitais de campanha, o próprio G1, assim como todos os veículos do Grupo Globo noticiaram ostensivamente os escândalos envolvendo corrupção nesse tema, inclusive os hospitais do Maracanã e São Gonçalo só ficaram abertos por mais um (curto) período de tempo, por conta de uma decisão judicial.”
Nota de redação: O G1 noticiou diversos problemas com os hospitais de campanha, mas a frase do candidato é FAKE, já que foi dito que nenhum hospital de campanha foi feito, o que não é verdade.
“A gente não fechou a economia como foi feito no resto do Brasil (…) Aqui no Rio, a gente não fechou o setor da indústria em nenhum momento. A indústria permaneceu funcionando todo o tempo. Os serviços também ficaram abertos. Escritório de arquitetura, de advocacia, todos os serviços ficaram abertos” (em live no Facebook, em 26/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: De fato, o setor da indústria não precisou ser fechado no Rio de Janeiro por determinação da prefeitura ou do governo do estado. Mas nem todos os serviços ficaram abertos como declarado pelo candidato. A prefeitura determinou, por meio de decreto, o fechamento obrigatório do comércio da cidade a partir do dia 24 de março, com algumas exceções. Shoppings, lojas de ruas, concessionárias de carros, academias, cinemas e teatros, por exemplo, ficaram fechados por pelo menos dois meses.
Resposta do candidato: “Sobre a questão de serviços, a indústria e serviços essenciais nunca deixaram de funcionar na cidade.”
Nota de redação: O candidato, em nenhum momento, falou em “serviços essenciais”, apenas “serviços”. De qualquer forma, a lista de “serviços essenciais” é definida por meio de decreto presidencial e vale para todo o Brasil, não sendo exclusividade da cidade do Rio de Janeiro.
“Não pudemos fazer internação involuntária da população de rua, durante esse período da pandemia, porque a Justiça não permitiu” (em release, em 26/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê: No começo de agosto, a 10ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio negou autorização pedida pela prefeitura para retirar compulsoriamente pessoas que estão em situação de rua na cidade. O município alegou à Justiça que, com a chegada do inverno, aumentava o risco de contaminação pela Covid-19 e requereu permissão para descumprir um Termo de Ajustamento de Conduta firmado em 2012, que veda a remoção compulsória de pessoas que não querem sair das ruas.
A Justiça acolheu o argumento do Ministério Público de que a retirada e o abrigamento obrigatórios violam os direitos humanos desta população. E considerou ainda que “sem qualquer documento científico comprovando que a chegada do inverno aumentaria os índices de propagação da Covid-19”, o município pretendia levar a população para um único abrigo, na Ilha do Governador, gerando aglomeração indesejada.
Com essa decisão, a prefeitura seguiu proibida de forçar a população adulta que está nas ruas a ir para abrigos, a menos que seja em flagrante de delito ou por determinação médica.
“Ontem, pelo sistema de mortalidade do Ministério da Saúde, nós tínhamos no Rio de Janeiro cerca de 11 mil pessoas que morreram. Dessas 11 mil que morreram, 10% vêm de fora do Rio de Janeiro” (em entrevista ao SBT News, em 27/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: A cidade do Rio de Janeiro tinha, no dia 26 de outubro, 11.899 mortos por coronavírus, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES).
O registro de óbito leva em consideração o município de residência. Portanto, os cerca de 12 mil mortos eram moradores da capital, ainda de acordo com a secretaria estadual.
Resposta do candidato: Em nota, a assessoria de imprensa do candidato enviou dados de óbitos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), que contabilizavam naquela data 10.820 mortes.
Nota da redação: O dado considera as declarações de óbito e, segundo especialistas, não é a forma mais precisa para contabilização porque pode omitir alguns casos da contagem. Além disso, os quase 12 mil mortos são, sim, residentes da cidade.
Benedita da Silva (PT)
“O programa Mulheres pela Paz, um projeto implementado quando fui secretária da Assistência Social, foi abandonado e deixado pela prefeitura” (no Facebook, em 24/10)

G1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Com a missão de capacitar mulheres de comunidades pobres para torná-las lideranças locais, o Mulheres da Paz foi lançado em 2008 pelo governo federal, no âmbito do Programa Nacional de Segurança com Cidadania, do Ministério da Justiça, e em parceria com os estados. À época, Benedita era secretária de Assistência Social do Rio, e o estado acabou sendo pioneiro ao implantá-lo. Não cabia à prefeitura da capital mantê-lo, como ela sugere na fala. O governo do estado e o Ministério da Justiça informaram que o programa não está mais em vigência.
Resposta da candidata: “A candidata afirmou que quando ocupava o cargo de secretária de Assistência Social do Rio de Janeiro implementou no estado o programa Mulheres da Paz, instituído pelo Ministério da Justiça em 2008, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela coordenou a implantação do projeto federal em âmbito estadual. E a cidade do Rio foi contemplada neste contexto. A prefeitura não buscou diálogo com o estado e a União para garantir a continuidade do programa no município.”
“Nós tínhamos 9 meses com uma política e que nós conseguimos ainda diminuir o número de assassinatos (…) de assassinar menos pessoas naquela época (em que fui governadora, em 2002)” (em entrevista à Rádio Tupi, em 26/10)

G1
A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que aumentou o número de homicídios dolosos (com intenção de matar) no período em que Benedita da Silva governou o estado do Rio, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
De abril a dezembro de 2002, durante o governo de Benedita, foram registrados 5.202 homicídios dolosos no estado do Rio — alta de 15,6% em relação ao mesmo período de 2001, quando houve 4.500 assassinatos.
Também houve crescimento no número de mortes por intervenção policial (os chamados “autos de resistência”) durante a administração de Benedita. Segundo o ISP, de abril a dezembro de 2002, foram 694 registros em todo o estado — alta de 73,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando houve 440 casos.
O estado do Rio também registrou alta nos casos de letalidade violenta durante o governo de Benedita da Silva. A letalidade violenta engloba os crimes de homicídio doloso, roubo seguido de morte (latrocínio), lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção policial. De abril a dezembro de 2002, houve 6.099 registros de letalidade violenta — crescimento de 17,4% se comparado ao mesmo período do ano anterior.
Resposta da candidata: “Em nove meses de governo, Benedita da Silva enfrentou o crime organizado dentro do estado e nas cadeias, criando ações de transparência nos dados da segurança, auditagem, checagem e aprimoramento da classificação das violências. A opção pela inteligência permitiu conquistas emblemáticas, como a operação da prisão de Elias Maluco, responsável pela morte do jornalista Tim Lopes, sem disparar tiros na comunidade e com mandato judicial. A ação contra o crime motivou a reação da ‘banda podre’ da polícia, o que resultou, inclusive, em tiros contra o Palácio Guanabara em tom intimidatório.”
“Não houve um tiro na comunidade e ele foi preso (Elias Maluco)” (em entrevista à Rádio Tupi, em 26/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê: O traficante Elias Maluco foi preso, no Complexo do Alemão, durante uma ação da Polícia Civil chamada “Operação Sufoco”, em que mais de 200 agentes realizaram um cerco à favela da Grota. A ação durou mais de 48 horas e não houve troca de tiros. A prisão de Elias Maluco aconteceu no dia 19 de setembro de 2002 — enquanto Benedita era governadora —, 109 dias depois da morte do jornalista Tim Lopes pela qual foi condenado. Elias Maluco foi encontrado na residência de um casal de idosos após denúncia anônima e não resistiu à prisão.
“No caso do auxílio emergencial, o presidente queria pagar R$ 200, e nós [Congresso Nacional] passamos para R$ 600” (em entrevista ao Estadão, em 27/10)

G1
A declaração é #FATO. Veja o porquê: Em 18 de março, o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou um auxílio emergencial mensal de R$ 200 – um impacto de R$ 15 bilhões para “populações desassistidas”. Na semana seguinte, a Câmara dos Deputados discutia o aumento do auxílio para R$ 500. O texto foi emendado e o valor subiu para R$ 600.
No dia da votação, Bolsonaro disse que deu “sinal verde” para o aumento proposto pela Câmara. Segundo “O Globo”, a orientação de Bolsonaro foi feita para evitar uma derrota política.

G1
VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE
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