Vídeo mostra estrela sendo devorada por buraco negro supermassivo

Imagine a seguinte cena: uma estrela de tamanho semelhante ao do nosso Sol está percorrendo sua órbita tranquilamente a uma distância de 215 milhões de anos-luz da Terra. Então, num certo momento, ela acaba passando perto demais de um buraco negro supermassivo – do tipo mais pesado, com massa que chega a ser milhões de vezes maior que a do Sol.

É o seu último erro. Essa proximidade indesejada faz com que o astro comece a ser sugado pelo buraco. Resistir, especialmente neste caso, está longe de ser uma opção: o tal buraco negro tem massa 1 milhão de vezes maior – e, por isso, atrai a pequena estrela de forma muito mais contundente do que é atraído por ela.

O capítulo mais curioso desse processo é aquilo que os astrônomos chamam de espaguetificação. Como se estivesse descendo por um ralo, a estrela começa a se desintegrar em direção ao buraco negro, perdendo massa. No fim, o astro sugado acaba perdendo sua forma e, de tão esticado, fica parecendo um espaguete – daí o nome.

Após parte da massa da estrela “cair” no buraco e ser destruída, há a liberação de uma grande quantidade de energia, que gera uma enorme nuvem de detritos. Surge, também, um clarão – que pode ser detectado aqui da Terra se cientistas forem rápidos no gatilho e apontarem telescópios potentes para o ponto certo do universo. Esse fenômeno luminoso é conhecido como “evento interrupção de maré”.

A boa notícia é que esse “golpe de sorte” aconteceu. Astrônomos europeus conseguiram flagrar com detalhes, pela primeira vez, um evento de interrupção de maré. Isso os permitiu recriar com precisão inédita como uma estrela se transforma em “macarrão” por causa da ação de um buraco negro. O resultado da reconstituição foi este vídeo, a que você pode assistir abaixo.

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“A ideia de um buraco negro ‘sugando’ uma estrela próxima parece ficção científica. Mas é exatamente isso que acontece num evento de interrupção da maré ”, diz Matt Nicholl, pesquisador da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, que liderou o estudo.

Batizado de AT2019qiz, o evento foi detectado pelos cientistas logo após a morte da estrela. “Como o acompanhamos desde cedo, pudemos ver a cortina de poeira e detritos formada após o buraco negro lançar um poderoso fluxo de matéria, com velocidade de até 10.000 quilômetros por segundo”, disse em comunicado Kate Alexander, uma das co-autoras.

Durante seis meses de 2019, telescópios de observatórios do mundo todo foram usados para coletar informações sobre a espaguetificação da estrela. Entre eles estão o Observatório Europeu do Sul, no Chile, o Observatório Las Cumbres, nos EUA, e o também americano observatório espacial Swift. Apesar de ter acontecido a mais de 200 milhões de anos-luz da Terra, foi o evento de interrupção da maré mais próximo já observado – o que colaborou para a riqueza de detalhes da simulação que você viu acima.

O estudo científico que detalha a descoberta foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society na última segunda-feira (12). Você pode lê-lo clicando aqui.

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