“Visitantes” da Primavera começam a chegar no interior de São Paulo


Casal de Vinhedo (SP) comemora visita de aves migratórias; sovi, tesourinha e bem-te-vi-rajado já foram registrados. Bem-te-vi-rajado é uma das aves que migram para a região sudeste durante a Primavera
Susana Coppede/Arquivo Pessoal
A Primavera chegou e com ela vieram algumas surpresas: os observadores de aves, Susana e Wagner Coppede, registraram no quintal da casa, em Vinhedo (SP), sovi, bem-te-vi-rajado e tesourinha. Os cliques são motivo de comemoração, já que essas espécies migratórias começam a chegar às regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a partir do mês de agosto para se reproduzir.
“Todos os anos entre agosto e setembro ficamos atentos às aves migratórias. A tesourinha nidifica todos os anos na mesma árvore, então conseguimos observá-la no começo da manhã e no final da tarde”, conta Susana, que junto ao marido desbrava um remanescente de mata do condomínio em busca dos flagrantes. “Perto do lago observamos cinco indivíduos de sovi, no período da manhã, quando se alimentam das cigarras”, diz.
As aves foram observadas em Vinhedo, no interior de São Paulo
Susana Coppede/Arquivo Pessoal
Já o bem-te-vi-rajado demorou a aparecer: a presença da ave se fazia pelo som. “Escutamos a vocalização da ave na primeira semana de setembro, mas só agora conseguimos fotografá-la no nosso quintal. Ele vocaliza bastante no período da manhã e costuma se mostrar por volta das 11 horas”, detalha a observadora.
Nós sabemos que são aves migratórias, inclusive já observamos as espécies em outras regiões do País. Por isso, sempre ficamos felizes quando aparecem por aqui, como se fosse a primeira observação. Pra nós é um privilégio poder acompanhar e registrar esse ciclo da natureza
Olhos vermelhos do sovi contrastam com a plumagem acinzentada
Susana Coppede/Arquivo Pessoal
Migratórias
A chegada da Primavera anuncia o início de um novo ciclo, a renovação da vida. Muitas espécies de aves se reproduzem durante a estação e, no caso das migratórias, a escolha do local considera principalmente clima e a quantidade de horas de luz, fatores que têm influência direta na disponibilidade de alimentos.
É por isso que espécies como o sovi (Ictinia plúmbea), por exemplo, migram do norte para o sul, sudeste e centro-oeste durante os meses de agosto e setembro e permanecem na região até o final de janeiro.
A ave de rapina permanece no sul, sudeste e centro-oeste até o final de janeiro
Susana Coppede/Arquivo Pessoal
Comum no Brasil, a ave de rapina vive em bordas de florestas densas, florestas de galeria e capoeiras altas. É possível observá-la solitária, aos pares ou até mesmo em bandos com outras espécies de gavião.
Com cerca de 35 centímetros de comprimento, possui asas estreitas e compridas. Os olhos vermelhos e as pernas alaranjadas se destacam entre a plumagem cinza.
Be-te-vi-rajado chama atenção pela plumagem e vocalização
Susana Coppede/VC no TG
Discreta e solitária
A lista de espécies migratórias conta ainda com o bem-te-vi-rajado (Myiodynastes maculatus), conhecido também por siriritinga e bem-te-vi-preto. Entre os meses de julho e agosto a ave chega ao Pantanal, para iniciar o período reprodutivo. Outros indivíduos seguem o trajeto até o estado de São Paulo, em setembro, também para se reproduzir.
Encarregada pela construção do ninho e incubação dos ovos, a fêmea costuma aproveitar ocos de árvores feitos por pica-paus e ninhos feitos por outras aves em cupinzeiros. Com folhas e capins a estrutura é forrada e fica pronta para receber até quatro filhotes. Após o nascimento, macho e fêmea dividem a tarefa de alimentar a prole por até 21 dias.
Após a reprodução, a espécie retorna para regiões mais ao norte do Brasil Central e Amazônia.
Tesourinha costuma voltar para a mesma árvore todos os anos, no período de migração
Susana Coppede/VC no TG
Fiel ao ninho
A observação do casal de passarinheiros quanto ao ninho da tesourinha (Tyrannus savana) ilustra um comportamento característico da espécie: as aves dormem em uma mesma árvore ou em árvores próximas durante o período migratório, seja em áreas naturais ou urbanas.
Durante o outono e o inverno vivem em regiões Amazônicas e, com a chegada da Primavera, retornam à região de origem, podendo ser na Argentina, Paraguai ou regiões do sul e sudeste do Brasil. Por isso, para observar vários indivíduos da espécie é preciso aproveitar os meses mais quentes e sair para passarinhar.
O período de reprodução da espécie ocorre entre os meses de setembro e dezembro
Susana Coppede/Arquivo Pessoal
Para receber a ninhada o casal de tesourinha constrói um ninho aberto com gravetos amontoados, que nem sempre garante a proteção dos ovos: é comum que ovos e filhotes sejam derrubados pelo vento.
Após o nascimento, os pais se revezam na criação dos filhotes, que entre fevereiro e março voam para o norte do continente.
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