Vítima da intoxicação pela cerveja Backer recebe, com sucesso, o rim da esposa

O professor Cristiano Gomes é uma das vítimas da intoxicação das cervejas da Backer, que matou dez pessoas e deixou 16 com sequelas graves. Ele chegou a ficar totalmente paralisado, mas a fisioterapia o ajudou a recuperar os movimentos. Só que os rins ficaram comprometidos. Vítima da intoxicação pela cerveja Backer recebe, com sucesso, o rim da esposa
Um brasileiro de Minas Gerais pôde comprovar nesta terça-feira (29) a afirmação que muitos médicos repetem como uma espécie de mantra: doar órgãos é um ato de amor.
Às 10h30 desta terça-feira (29), o rim saiu do corpo da Flávia. Uma hora depois, já estava transplantado no corpo do Cristiano.
‘Meu cirurgião brincou aqui que não tem como o organismo do Cristiano rejeitar o meu rim. Porque foi tanto amor nessa doação”, conta Flávia Schayer.
O próprio Cristiano fez questão de tranquilizar todo mundo.
“Graças a deus, está tudo ótimo, excelente. A cirurgia foi maravilhosa, e a recuperação, aqui agora, está sendo fantástica. Não tem coisa melhor”, diz Cristiano.
“O transplante foi um sucesso, o rim já está funcionando”, afirma Ricardo Gontijo, cirurgião transplantador.
De papel passado, esse rim já era do Cristiano faz tempo: desde o dia 23 de agosto. E a prova, o termo de consentimento de doação de órgãos, a assinatura da Flávia, já estava lá. Faltava só entregar esse rim para o novo dono. E isso os médicos fizeram nesta terça. Agora, o Cristiano é o dono desse rim de direito e de fato também.
O professor Cristiano Gomes é uma das vítimas da intoxicação das cervejas da Backer, que matou dez pessoas e deixou 16 com sequelas graves. Ele chegou a ficar totalmente paralisado, mas a fisioterapia ajudou a recuperar os movimentos. Os rins ficaram comprometidos definitivamente. Dependente da diálise, ele passava dez horas por dia ligado à máquina, que agora vai ser devolvida, graças ao gesto de amor da Flávia, que sempre manifestou o desejo de doar os órgãos.
“Manifestar a sua vontade de doar, no fundo, é uma manifestação de amor também à nossa família. Porque a gente quer que eles, nessa hora, tenham paz para poder tomar a decisão que eu queria que tivesse acontecido”, explica Luiz Carneiro D´Albuquerque, diretor de transplante de órgãos do aparelho digestivo do Hospital das Clínicas.
O professor foi a primeira vítima a conseguir, na Justiça, que a Backer pague o custo da fisioterapia. Mas o tratamento renal, da diálise ao transplante, foi bancado pelo SUS.
“A gente viaja para dar aula e falar sobre a situação dos transplantes no Brasil. E a nossa experiencia no país, todos ficam perplexos quando nós mostramos o que é o sistema de saúde, o SUS do Brasil: 95% ou mais da população brasileira transplanta pelo SUS. Eles têm medicamento garantido pelo resto da vida. E é assistência médica garantida com atendimentos diferenciados”, conta Luiz Carneiro D´Albuquerque, diretor de transplante de órgãos do aparelho digestivo do Hospital das Clínicas.
O Brasil tem 122 mil doentes renais crônicos em tratamento; 25 mil à espera por um rim. Eles representam 60% da fila de transplantes do país.
O Júlio ainda tem as cicatrizes da hemodiálise, mas, há dez anos, voltou a ter uma vida normal depois que recebeu o rim doado pela Lilian, que também é mulher ele.
“Foi um processo muito difícil, muito difícil mesmo. Mas, graças a deus, depois do transplante, é vida nova mesmo. A gente sempre brinca, não é, Júlio? Fala assim: ‘você tem uma parte de mim. Casado em comunhão de bens. Então, fez a doação em comunhão de bens”, conta Lilian Braga de Assis, dona de casa.
“O rim estava lá dormindo ao meu lado há tanto tempo”, diz o comerciante Júlio Cesar de Assis.
Nesta segunda (28), quando estava indo para o hospital, o Cristiano já fazia planos para a vida nova, contando com a boa vontade do médico.
“Se ele deixar, eu vou comer aquela pasta de amendoim. Bife à parmegiana também é bom”, dizia.
O Júlio garante: depois do gesto de amor da Lílian, não existe mais prato indigesto na vida dele.
“Graças a deus, graças à ação dela, estou aí. Trabalho, pratico esporte, tenho uma vida normal”, conta.
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