Vizinhos que extrapolam limites legais proliferam na quarentena

Enquanto todos falam do tal novo normal, falo aqui do novo animal, uma espécie não tão rara que prolifera nos condomínios país afora, causando medo e pavor nos vizinhos.

Antes da pandemia, eles já existiam, mas parece que ganharam força e destaque com a quarentena. Refiro-me aos vizinhos de comportamento antissocial, criminosos que extrapolam todos os limites legais e, em defesa de seus supostos direitos, agridem, ameaçam, batem e até matam.

Tidos às vezes como excêntricos, muitos desses vizinhos criminosos já possuem histórico de comportamento lesivo, configurando uma espécie de tragédia anunciada.

Difícil é a missão dos síndicos, que não possuem ferramentas legais e seguras para uma ação preventiva e, na maioria dos casos, o que resta é chamar a polícia.

O que as autoridades por vezes chamam de desinteligência entre vizinhos pode rapidamente avançar para um crime muito mais grave, fruto do ódio e da intolerância que imperam nos dias de hoje.

Estupefatos, assistimos ao caso do morador de um prédio em São Paulo que, incomodado com o barulho da obra do apartamento de cima, resolveu espirrar um gás altamente tóxico por debaixo da porta, quase causando uma tragédia. O homem já tinha histórico de postura antissocial e não fora exemplarmente punido à época.

Indignados, também acompanhamos o caso de um homem, policial inclusive, que invadiu o apartamento ao lado e espancou sua vizinha, com extrema violência e brutalidade, por conta de uma desavença corriqueira. Ele merece ser expulso do condomínio e há caminhos legais para isso.

O que dizer da briga entre dois moradores que já havia acabado, mas restaram as ameaças, e, quando eles se encontraram no corredor, partiram para a agressão, resultando na morte de um deles? Era um jovem, também com histórico complicado, com dificuldades para cumprir normas comezinhas.

E o caso mais recente, em Goiânia, em que uma moradora agrediu verbal e fisicamente o educado porteiro, que apenas pediu sua identificação em razão da biometria não ter funcionado. Ele levou socos, bolsadas e foi humilhado pelo simples fato de fazer o seu trabalho e, felizmente, não reagiu. A madame deveria ter sido presa em flagrante…

Para os casos extremos, o remédio há que ser amargo, e os síndicos, apoiados pelos conselheiros e pelo jurídico dos condomínios, precisam agir com rigor.

A ação deve ser não só na esfera administrativa, através da aplicação de multas, mas sobretudo na esfera judicial, requerendo até mesmo a expulsão do condômino por reiterado comportamento antissocial, tese que vem ganhando cada vez mais força, para preservação da segurança e do sossego dos demais moradores.

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