Volta às aulas na rede pública do Rio é adiada para outubro

— Lidamos com problemas antigos, como falta de funcionários, banheiros sem estrutura, ventiladores ruins, janelas quebradas — diz a professora e diretora do Sindicato estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ) Maria Beatriz Lugão.

Um professor de uma escola municipal da Zona Norte do Rio conta que a unidade não recebeu sanitização, máscaras de proteção facial ou dispensers de álcool gel:

— Há unidades sem água, com vaso sanitário sem assento, pias sem torneiras…

No Colégio Estadual José Bonifácio, em Niterói, toda a equipe de apoio é composta por funcionários do grupo de risco, segundo o Sepe-RJ.

A Secretarial estadual de Educação (Seeduc) diz que o protocolo de retomada das atividades presenciais nas unidades escolares foi construído e aprovado coletivamente, em conjunto com representantes de escolas e um comitê de especialistas formado por setores do governo e da sociedade civil. A pasta não comentou os problemas estruturais, mas disse que determinou que todas as unidades da rede comprassem e instalassem dispensers de álcool em gel nas escolas e outros materiais de proteção.

Rede federal

Com medo de que os filhos percam o ano letivo de 2020, pais do Colégio Pedro II enviaram uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) para que a direção seja obrigada a apresentar um planejamento de aulas virtuais. A instituição anunciou que vai iniciar em setembro transmissões online. Mas os vídeos não terão conteúdo didático, por isso não poderão ser computados como atividade acadêmica.

— Ninguém sabe quando essa pandemia vai acabar. Não estamos pedindo a volta das aulas presenciais. Só queremos que os nossos filhos tenham a chance de concluir o ano letivo — desabafa o técnico de telecomunicações Lindenberg Venâncio, que tem dois filhos matriculados na instituição, um no 6º ano do fundamental e outro no 1º ano do ensino médio.

Em nota, a direção do colégio afirma que “enquanto perdurar a suspensão das atividades presenciais, as ações realizadas remotamente não poderão ser consideradas para o cômputo de dias letivos”, e afirma que “a reorganização do calendário letivo será realizada em um momento posterior, conforme for possível enxergar um cenário de retorno em condições seguras”. Alega, ainda, que, enquanto escola pública, não pode “atender às necessidades de uma parcela dos estudantes e ao mesmo tempo excluir a grande maioria”, referindo-se a alunos que não teriam condições de assistir às aulas online.

O MPF arquivou o pedido dos pais do Pedro II porque já existe outro procedimento instaurado para analisar o assunto, que, até ontem, não havia sido levado à Justiça.

Tags , .Adicionar aos favoritos o Link permanente.

“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”