‘Voto de Cabresto’: Polícia Civil indicia vice-prefeito de Perdizes e servidores por dar materiais de construção em troca de votos


Trio foi denunciado por organização criminosa, peculato – desvio de dinheiro público, corrupção e coação eleitoral; eleitores também foram indiciados. O G1 entrou em contato com a defesa dos envolvidos. Coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (29) pela Polícia Civil
César Campos/G1
A Polícia Civil indiciou o vice-prefeito de Perdizes, Vinícius de Figueiredo Barreto (Cidadania) e dois funcionários da prefeitura, André Luís Ferreira Silva e Wallinson Douglas Silva Presentino, por organização criminosa, peculato – desvio de dinheiro público, corrupção e coação eleitoral. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29) durante uma coletiva de imprensa do delegado da cidade, Rafael Pereira Silva Gallo. O trio foi investigado por dar materiais de construção em troca de voto durante a Operação “Voto de Cabresto”.
De acordo com a autoridade policial, os apoiadores do vice-prefeito envolvidos no caso também foram indiciados por corrupção eleitoral. “As vendas dos votos, seja por parte do político ou do eleitor, é crime tipificado em lei. Agora, o inquérito concluso será remetido ao Ministério Público”, explicou o delegado. Não foi informado o número de acusados e os nomes deles.
Os servidores foram presos no dia 16 de outubro, durante cumprimento de mandados de prisão em Perdizes. Já o vice-prefeito se entregou à Polícia Civil, na Delegacia Regional de Araxá. Ainda foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e mais de R$ 5 milhões foram apreendidos. No dia 21 deste mês, a Justiça Eleitoral concedeu habeas corpus para os envolvidos.
Neste ano, Vinícius Barreto é candidato a prefeito e já teve o registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). (Veja mais informações dele abaixo). O G1 tentou contato com o advogado do trio para saber se o mesmo gostaria de se manifestar sobre, mas não havia retorno até a última atualização desta matéria.
Entrevista coletiva
Durante a entrevista coletiva, o delegado Rafael Pereira Silva Gallo contou que um dos assessores trabalhava no setor de compras e autorizava a aquisição dos materiais.
“O vice-prefeito, desde pelo menos 2019, elaborava a lista de apoiadores e passava para o assessor que trabalhava na divisão. Ele autorizava a aquisição e encaminhava direto para os dois estabelecimentos que tinham ganhado as licitações. Depois, o caminhão saía distribuindo os produtos nas residências dos apoiadores do Vinícius de Figueiredo, com dinheiro público”, ponderou.
Conforme o delegado, “as empresas também serão investigadas, já que esses locais só vêm ganhando as ofertas nos últimos anos e dividem o ganho”. Os nomes das empresas também não foram revelados.
Perguntado sobre a possibilidade de outras investigações, Rafael Pereira informou que muitos materiais foram colhidos durante as diligências. “A inicial foi de crime eleitorais, mas de fato já apuramos indícios de outros, mas não posso adiantar detalhadamente. Entretanto, essa foi a primeira e pretendemos desencadear outras”.
Durante o processo, cerca de 30 pessoas foram ouvidas, apesar disso, o trio não prestou depoimento. “Demos várias oportunidades já que é direito deles apresentar a versão e eventual justificativa para os atos, já que eles alegavam que tinham. Mas nenhum dos três compareceu”, revelou Pereira.
A autoridade também informou que pediu prisões preventivas dos três envolvidos. “No caso do vice-prefeito, existe um impedimento na lei que – faltando 15 dias para as eleições – o candidato não pode ser preso preventivamente. Será remetido à Justiça e com o feriado e a proximidade das eleições, pode ser que não dê tempo de o juiz julgar o mérito. Em relação aos assessores, não há impedimento”, finalizou.
Entenda o caso
Operação ‘Voto de Cabresto’ em Perdizes
William Tardelli
A operação conjunta investigou um suposto grupo que usava a máquina pública para coagir e induzir servidores, em especial funcionários comissionados, a votar no vice-prefeito, que é candidato a prefeito nestas eleições. As investigações também apontam que o candidato e apoiadores ofereciam material de construção a eleitores em troca de votos.
Operação ‘Voto de Cabresto’ cumpre mandados de prisão contra vice-prefeito de Perdizes e funcionários da prefeitura
‘Voto de Cabresto’: vice-prefeito se entrega, servidores são detidos e mais de R$ 5 mi apreendidos em Perdizes
Além dos mandados de prisão, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, sendo dois deles em casas de vereadores. Os policiais também estiveram na sede da Prefeitura e da Câmara de Perdizes. Foram recolhidos documentos, aparelhos eletrônicos e dinheiro.
Ainda durante as diligências, os investigadores apreenderam R$ 64 mil em espécie e R$ 5 milhões em cheques. A polícia não deu detalhes sobre onde e com quem os montantes foram encontrados, nem a origem do dinheiro e ligação com a compra de votos em Predizes.
Vinícius Barreto
Vinícius Barreto é vice-prefeito de Perdizes e assumiu o Executivo da cidade por um período. Agora, ele é candidato a prefeito no pleito deste ano pelo Cidadania e já teve o registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele assumiu a Prefeitura de Perdizes em maio de 2017 e ocupou o cargo de prefeito até abril de 2020.
Em 2017, o então prefeito de Perdizes, Fernando Marangoni, que tinha acabado de se reeleger, foi preso pela Operação “Isonomia” após ser flagrado recebendo R$ 20 mil em propina na cidade de Uberlândia. Dois dias depois, o vice-prefeito Vinícius Barreto assumiu o Executivo do município.
Em maio de 2020, Vinícius voltou ao cargo de vice, quando a Justiça devolveu o posto de prefeito a Marangoni.
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