‘Voto de Cabresto’: vice-prefeito se entrega, servidores são detidos e mais de R$ 5 mi apreendidos em Perdizes


A operação ocorreu na manhã desta sexta (16), quando 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Câmara e casas de vereadores. Grupo é investigador por dar materiais de construção em troca de voto; vice-prefeito concorre ao cargo de prefeito nestas eleições. servidores Prefeitura de Perdizes presos Operação ‘Voto de cabresto’
TV Integração/Reprodução
Dois funcionários da Prefeitura de Perdizes foram presos e mais de R$ 5 milhões foram apreendidos, na manhã desta sexta-feira (16), durante a Operação “Voto de Cabresto”. A informação foi repassada à imprensa durante coletiva na tarde desta sexta pela promotoria eleitoral do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) da Polícia Civil, que realizaram a ação.
Já no final da tarde, o vice-prefeito de Perdizes, Vinícius de Figueiredo Barreto (Cidadania), que tinha um mandado de prisão contra ele, se entregou à Polícia Civil, na Delegacia Regional de Araxá.
A operação conjunta investiga um suposto grupo que usava a máquina pública para coagir e induzir servidores, em especial funcionários comissionados, a votar no vice-prefeito, que é candidato a prefeito nestas eleições. As investigações também apontam que o candidato e apoiadores ofereciam material de construção a eleitores em troca de votos.
Vinícius Barreto é candidato a prefeito e já teve o registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele já assumiu o Executivo da cidade por um período entre 2017 e 2020 (entenda abaixo).
“Ele formou uma equipe de apoiadores, incluindo funcionários públicos, vereadores e empresários de Perdizes. As investigações vão continuar devida a gravidade da situação, porque compra de voto está deturpando o momento máximo da democracia, que é a escolha livre do voto. Por isso o nome ‘Voto de Cabresto’, que é uma prática de comprar o voto, principalmente de pessoas carentes”, afirmou o delegado Rafael Pereira Silva Gallo.
Segundo a promotora de Justiça Bárbara Francine Prette, os investigados devem responder por corrupção eleitoral e organização criminosa. “O crime eleitoral, de corrupção eleitoral, tem pena de reclusão de no máximo quatro anos. A coação eleitoral é uma pena de detenção. Isso apenas no âmbito criminal. Além de uma associação criminosa e a possibilidade de uma organização criminosa.”
O prefeito de Perdizes, Fernando Marangoni, informou que não foi citado nas investigações e nem declarou apoio a nenhum candidato. “Colocamos o Município à disposição da Justiça para prestar quaisquer informações que forem solicitadas.”
Já a defesa dos dois funcionários da prefeitura disse que não vai se manifestar, pois ainda não teve acesso aos autos do inquérito que culminou nas prisões.
Dinheiro apreendido
Além dos mandados de prisão, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão. Dois deles em casas de vereadores. Os policiais também estiveram na sede da Prefeitura e da Câmara de Perdizes. Foram recolhidos documentos, aparelhos eletrônicos e dinheiro.
Foram apreendidos R$ 64 mil em espécie e R$ 5 milhões em cheques. A polícia não deu detalhes sobre onde e com quem os montantes foram encontrados, nem a origem do dinheiro e ligação com a compra de votos em Predizes.
Em nota enviada ao G1, a Câmara de Perdizes informou que colabora com as investigações e está à disposição da Justiça. Confira a íntegra do posicionamento da Casa:
“Sobre a operação “Voto de Cabresto” deflagrada hoje no município de Perdizes pela Promotoria Eleitoral do Ministério Público de Minas Gerais e Polícia Civil, a Câmara Municipal esclarece que colabora com as investigações e estará sempre à disposição da justiça, contudo, lamentamos pré-julgamentos, uma vez que a operação é tão somente a averiguação de uma denúncia feita por terceiros.
Reafirmamos nosso compromisso com a transparência, e caso seja necessário, oportunamente voltaremos a nos pronunciar oficialmente sobre os fatos.”
Operação ‘Voto de Cabresto’ em Perdizes
William Tardelli
Entenda o caso
Mandados de prisão contra o vice-prefeito de Perdizes, Vinícius de Figueiredo Barreto (Cidadania), e dois funcionários da Prefeitura, cujas identidades não foram divulgadas, foram cumpridos na manhã desta sexta-feira (16) pela Operação “Voto de Cabresto”, realizada pela promotoria eleitoral do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pela Delegacia de Polícia Civil de Perdizes. O objetivo é combater o grupo criminoso responsável pela prática de ilícitos eleitorais.
A ação também cumpriu 15 mandados de busca e apreensão, incluindo buscas na casa de dois vereadores de Perdizes, cujas identidades não foram divulgadas. Foram recolhidos documentos, dinheiro, aparelhos celulares e computadores utilizados no desenvolvimento das atividades ilícitas, as quais comprovadamente deturpavam o sistema eleitoral e o livre exercício do voto.
Buscas também foram feitas na Prefeitura e na Câmara Municipal de Perdizes, e em dois estabelecimentos comerciais, não informados.
Vinícius Barreto é candidato a prefeito e já teve o registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o MP e a Polícia Civil, durante as investigações foi apurado que o grupo usava a máquina pública municipal para deturpar o processo eleitoral ao coagir e induzir outros servidores, em especial funcionários comissionados, a votarem em Vinícius para prefeito nas eleições municipais de 2020.
Conforme as corporações, durante as diligências investigativas foi também revelado que o vice-prefeito de Perdizes e os apoiadores forneciam materiais de construção – como tijolos, cimento, areia, telhas e portas – para eleitores em troca de voto.
De acordo com o MP e a polícia, mandados de prisão temporária foram cumpridos contra o vice-prefeito e dois funcionários da Prefeitura, por utilizarem de poder econômico e de influência política para ocultar provas e dificultar as investigações.
Vinícius Barreto
Vinícius Barreto é vice-prefeito de Perdizes e assumiu o Executivo da cidade por um período. Agora, ele é candidato a prefeito no pleito deste ano pelo Cidadania e já teve o registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele assumiu a Prefeitura de Perdizes em maio de 2017 e ocupou o cargo de prefeito até abril de 2020.
Em 2017, o então prefeito de Perdizes, Fernando Marangoni, que tinha acabado de se reeleger, foi preso pela Operação “Isonomia” após ser flagrado recebendo R$ 20 mil em propina na cidade de Uberlândia. Dois dias depois, o vice-prefeito Vinícius Barreto assumiu o Executivo do município.
Em maio de 2020, Vinícius voltou ao cargo de vice, quando a Justiça devolveu o posto de prefeito a Marangoni.
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