Wanderley Laureth (Avante) apresenta propostas de governo para a prefeitura de Blumenau

Na terceira entrevista dos candidatos a prefeito de Blumenau, Wanderley Laureth (Avante) foi sabatinado pelos jornalistas do portal ND+ e da NDTV Blumenau. Blumenauense, empresário, casado e pai de dois filhos, o ex-presidente do Blumenau Esporte Clube detalhou parte das propostas que compõem o plano de governo que ele quer apresentar aos eleitores.

Candidato Wanderley Laureth (Avante) detalha propostas de governo para os veículos do Grupo ND – Foto: Vinicius Bretzke/NDTV

A vontade de fazer política, conta, nasceu de ouvir as impressões das pessoas sobre a cidade, diante das diferentes realidades que testemunha.

“Eu quero ser prefeito de Blumenau por conhecer realmente as dificuldades do nosso povo. Eu moro no Sestrem, no Garcia, nasci e fui criado no Garcia. Aí muita gente fala ‘Ah, mas tu vai ser o prefeito do garcia?’ Não, eu vou ser o prefeito dos bairros de Blumenau. Eu quero ser prefeito de Blumenau porque quero trazer a linda e bela Blumenau que a gente tem no centro da nossa cidade, ao redor da Vila Germânica, para os bairros da nossa cidade. As ruas principais com calçadas largas, vamos fazer ciclovias para o ciclista andar com segurança, onde o cadeirante pudesse andar, para nós que queremos sair das nossas casas podermos caminhar. Está na hora do povo da nossa cidade realmente ter a qualidade de vida que paga para ter. A gente paga muito imposto, IPTU muito alto nos bairros, e a gente não tem 90% do que tem o atendimento no centro da nossa cidade”, declarou.

Confira a entrevista completa do candidato Wanderley Laureth para o ND+ e para o programa Balanço Geral:

ND+: Caso o senhor seja eleito vai assumir uma cidade em plena pandemia de coronavírus e, que mesmo que seja resolvida, vai afetar todo o próximo mandato. Como o senhor pretende lidar com a questão sanitária e econômica nesse cenário?

Wanderley Laureth: Começando pela questão sanitária, eu acho que a gente tem que buscar modelos que já deram certo no Brasil e no mundo. Acredito que está em diminuição, mas pelo que a gente está vendo no mundo está voltando novamente em alguns lugares. Então, nós precisamos tomar alguns cuidados e, infelizmente, os políticos esqueceram por causa da eleição, essa é a realidade. Mas nós temos que tomar alguns cuidados. A partir do ano que vem e o principal que tem que ter, agora está mais fácil de testar as pessoas, mais fácil de isolar, acho que esse é o cuidado com a questão sanitária. Através da nossa Secretaria de Saúde vamos, com certeza, fazer um projeto para isso, um plano, onde se possa realmente tomar todos os cuidados necessários para que não volte da forma que está, como pode acontecer, como está acontecendo no mundo.

Na questão econômica, nós vamos investir muito na questão do empreendedor. Hoje tem 27 mil MEIs (Microempreendedor Individual) em Blumenau, fora as micro e pequenas empresas, essas pessoas foram as mais afetadas. Eu estava até agora numa reunião com o pessoal do turismo e deixei muito claro para eles que a nossa ideia é realmente investir no empreendedorismo, para a pessoa que quer empreender em Blumenau. Hoje a dificuldade é muito grande, o pequeno, o médio, e o MEI, ele é o que mais foi afetado. O que a gente vê na realidade na prefeitura é simplesmente mandar fechar, mas não tem um auxílio nenhum em questão financeira, nem com desconto em impostos, e praticamente nenhum tipo de auxílio na questão de empréstimos. Nós precisamos incentivar esse empreendedor, a prefeitura precisa acreditar nesse empreendedor. Hoje a prefeitura não acredita no empreendedor. Hoje para pegar um empréstimo de R$ 5 mil como MEI é uma burocracia enorme. A prefeitura diz que fez um programa que seria fácil e não é, eu sei porque eu estou vivendo na pele. Então, o que nós vamos fazer é, através de uma parceria muito forte com a nossa Secretaria de Desenvolvimento, também chamar o pessoal da Acib (Associação Empresarial de Blumenau), o pessoal que realmente desenvolve a nossa cidade, setor turístico e tudo, e através disso tudo fazer um projeto para realmente investir em quem quer empreender e acreditar no nosso empresário.

O que a gente não pode é o seguinte, para dar um exemplo: toda concessão em Blumenau é uma empresa que participa. Nós precisamos que dez empresas participem, precisa ser realmente atrativa essa concessão, esse empreendimento. Eles me falaram agora, é muita burocracia, muito isso, mito aquilo, muita amarra, nós vamos tirar essas amarras, vamos investir e acreditar realmente em quem quer  investir na nossa cidade, empreender e dar emprego para o nosso povo.

ND+: Na questão da mobilidade, no seu plano de governo o senhor diz que pretende incentivar o uso das bicicletas em Blumenau, considerando a geografia da cidade e o relevo acidentado, como o senhor pretende fazer isso?

Laureth: Eu acho que o plano é um pouco mais amplo do que isso, acho que mobilidade urbana passa também pelo ciclista, mas ele passa no caminahr, no cadeirante poder se locomover e passa também pela questão de ter um transporte público de qualidade, pela construção de novas estradas e realmente em se pensar num novo modelo de mobilidade urbana. Só que o que nós não podemos fazer, por exemplo, na questão da bicicleta, hoje o ciclista sofre porque tem 300 metros de uma ciclovia, daqui a pouco já não tem mais. A ciclovia que a gente tem hoje em Blumenau, tirando o que tem na (rua) Hermann Huscher, na Alameda (Rio Branco) e na (rua) Nereu Ramos, o resto é ciclovia de fazer de conta.

Uma ciclovia que tem 40 centímetros, onde um ônibus, um caminhão, um carro passa dentro da ciclovia, é mais perigoso andar dentro da ciclovia do que numa calçada, você vê muita gente onde tem essas ciclovias pequenas  andando em calçadas, então o que precisa ser feito? Nós precisamos dar condições da pessoa usar a bicicleta também como forma de transporte, mas as calçadas tem que ter, no mínimo, um metro de largura, um piso padrão de fora a fora na cidade inteira, pincipalmente nas ruas que ligam os bairros – Rua Progresso, Rua Amazonas, a Dois de Setembro -, essas transversais mesmo, essas ruas que ligam aonde mora o povo, essas ruas hoje não têm calçada, o cadeirante tem que andar no meio da pista de rolamento, o ciclista tem que andar no meio da pista de rolamento, disputando lugar contra o carro.

Como fazer? Alargar as ruas onde tem que alargar, fazer calçadas onde tem que fazer, mas a mobilidade urbana de Blumenau, um dos projetos da nossa proposta, que é uma proposta que já tem desde 1970, é o Rodoanel em Blumenau. Esse Rodoanel vai ligar Blumenau, ligar os bairros da nossa cidade, tirando o trânsito que hoje é no Centro. Para vir aqui eu tive que passar por várias ruas do Centro, coisa que não precisaria se tivesse um Rodoanel que passasse por fora do Garcia, passa pela Dois de Setembro, pelas Itoupavas e roda Blumenau inteira.

Isso é uma coisa importante que a gente tem que fazer e só existe uma solução para o trânsito de Blumenau: melhorar 100% a mobilidade urbana na questão de transporte público, melhorar as ciclovias, melhorar as calçadas para quem precisa se locomover e o Rodoanel é uma principal. Por exemplo, se vamos ligar o Garcia no (bairro da) Velha, não vamos gastar R$ 3 milhões num barranco onde nem pode botar dinheiro lá, isso é dinheiro jogado fora, mas na época de eleição vale tudo. Nós vamos fazer um investimento que seja de R$ 200 milhões, R$ 300 milhões, mas que possa valer a pena para a nossa população.

Confira abaixo a entrevista para o Balanço Geral:


https://static.ndonline.com.br/2020/10/CANDIDATO-WANDERLEI-LAURETH.mp4https://vou.leraqui.net/wp-content/uploads/2020/10/CANDIDATO-WANDERLEI-LAURETH.mp4

ND+: O seu plano diz que o senhor vai zerar todas as filas – creches, exames, zerar tudo. Qual a estratégia que o senhor vai usar pra fazer isso?

Laureth: Falando na questão da educação, creches primeiro. Vamos colocar um novo modelo de educação, um novo padrão de educação em Blumenau. Como vai ser esse modelo? Ele vai passar por escolas de período integral, principalmente na questão da creche, algumas creches vamos ter que ampliar, onde dá para ampliar. A gente tem que terminar as sete creches que estão para terminar em Blumenau há anos. Vamos deixar bem claro aqui, que agora em tempo de eleição até isso nós vemos, o prefeito solicitou pelo governo federal para nós pagarmos, para agora terminar as creches. Eu acho que essa é a diferença, precisa realmente terminar essas creches, cobrar o dinheiro federal, vir aqui e terminar. Já são 600, 800 crianças que vão ser assistidas.

Tem que ampliar as creches que já têm hoje e que dá para ampliar. Dar melhor condição de trabalho para os professores da creche, não simplesmente fazer da creche um amontoado de criança, como é feito hoje, onde a mãe e o pai vão na Justiça e conseguem colocar a criança lá. Então a gente tem que dar qualidade de trabalho para esse professor, ampliando as salas, ampliando as vagas.

E a outra estratégia é com as empresas de médio e grande porte que,  acima de 50 funcionários, nós vamos criar uma estrutura dentro da empresa. Nós já falamos com o empresário e ele gostou  muito dessa ideia, onde a mãe vai levar o seu filho para a empresa e vai ter um espaço, a empresa vai ceder o espaço e nós vamos ceder a mão de obra, que seriam os professores para estar lá. Qual mãe não vai ficar muito feliz se a tua empresa puder atender a tua criança lá, saber que vai estar lá dentro, vai ficar segura. Ela vai trabalhar mais feliz, vai render mais. Esse projeto da empresa é o nosso projeto piloto que vai zerar a fila das creches em Blumenau.

Na questão da saúde vamos descentralizar a questão de urgência e emergência. Vamos pegar esses quatro AGs (Ambulatórios Gerais) que temos nos bairros Garcia, Velha, Fortaleza e Itoupava e adequar eles para atendimento 24 horas de urgência e emergência, dando condições para os profissionais médicos, enfermeiros e pessoas que atendem e dando condição de trabalho, que é colocando raio-x, ultrassom, sala para micro e pequenas cirurgias e até UTI, que vai sobrar agora com a questão da pandemia. Nós precisamos tirar toda a saúde que é tratada em urgência e emergência no Hospital Santo Antônio e no Hospital Santa Isabel e levar para os bairros. E tem também a criação de urgência e emergência no Ambulatório Geral do Centro para pediátrico e gestantes, da mesma forma dando toda a qualidade e condições de trabalho para todas as pessoas que estão no local.

Candidato Wanderley Laureth (Avante) detalha propostas de governo para os veículos do Grupo ND – Foto: Vinicius Bretzke/NDTV

ND+: O senhor fala em dar um auxílio para financeiro para associações de moradores que forem parceiras da prefeitura. De onde pretende tirar esse recurso?

Laureth: Associação de moradores a gente quer fazer como se fosse um braço da nossa Secretaria de Obras, de manutenção urbana. Acho que nada melhor do que eles que estão lá no bairro, a associação de moradores precisa ser tratada melhor. O que faz a associação de moradores hoje? Ela deveria assistir as pessoas que moram lá no bairro, mas hoje ela não consegue, ela na verdade é feita para meia dúzia de pessoas participarem.  Eu sei porque tem a do Morro do Sestrem, lá onde eu moro, que é a mesma coisa. A comunidade não utiliza aquele espaço.

O que nós precisamos fazer: um novo modelo de associação onde a gente vai ajudar financeiramente para ela se estruturar, mas claro, ela vai ter que atender a nossa população. Por exemplo: tem um quadra lá, ela tem que ficar aberta para a população brincar, o pai poder levar o filho na quadra. Lá onde eu moro a associação de moradores fica fechada o dia inteiro, abre 17h, 18h da tarde. A quadra está lá, o pai e a mãe querem utilizar, levar o filho para brincar no final de semana, ou que seja à tarde, porque nós não temos parques ao parque Ramiro (Ruediger), então a associação de moradores acaba sendo uma infraestrutura que tem que ser usada.

Então qual é a nossa ideia? É que a associação de moradores consiga receber recursos como se fosse uma mini Secretaria da prefeitura, descentralizar, e eles têm a condição de ter um canal direto com a prefeitura para uma rua precisou de serviço, a luz que queimou num poste. Hoje como é que funciona: a associação de moradores é refém do vereador, se não for um vereador fazer uma indicação, ir lá na tribuna, não sai nada. Se o vereador que vai lá não é do prefeito, daí mesmo que não saí, então a gente precisa mudar isso. O vereador é para fazer leis e fiscalizar o prefeito. Vereador não é para mandar, dizer que aqui tem um buraco, lá queimou. A associação precisa disso? Não, a gente tem que criar um canal direto.

Até por isso, estive na associação da Concórdia e assumi o compromisso de que a associação de moradores vai ser um braço da prefeitura nos bairros da nossa cidade, da comunidade, desde que eles se adequem atendendo a população. Como eu acabei de falar, eles vão ter que atender a população de Blumenau, abrindo a associação de moradores para eles realmente participarem. Outro ponto é que nenhum membro da diretoria da associação de moradores pode ser político. Quer ser candidato daqui quatro anos? Beleza, vamos apoiar, a gente quer o político se ele for bom. Agora, enquanto estiver dentro da associação de moradores não pode ter participação de nenhum político, porque senão acaba se tornando um negocio de ‘Ah, não faz porque está lá’ ou ‘Faz porque está lá’ e isso a gente não quer, o que a gente quer é que realmente que faça o negócio para a população e pensando só na questão da comunidade em si.

ND+: As mulheres são a maioria em Blumenau, tanto da população quanto do eleitorado. Quais são as suas propostas para as mulheres de Blumenau?

Laureth: Eu começo que escolhi uma mulher para ser minha vice, uma mulher muito preparada, mãe de família, tem três filhos, está com uma menina agora de sete meses, é formada em Química. Infelizmente ela perdeu o pai há pouco tempo, mas cuida de todas as empresas do pai, e a gente conversou muito sobre isso, principalmente a questão da segurança pública, nós vamos criar uma Secretaria de Segurança em Blumenau e essa secretaria um negócio voltado só para a mulher. Hoje, por exemplo, a mulher agredida na casa, se ela não for até a delegacia fazer um BO acaba passando em branco. E muitas mulheres acabam não fazendo porque quando chega lá já muda, naquele meio caminho, quando vai sair de casa para lá às vezes muita coisa acontece. Nós queremos montar um setor, principalmente na segurança da mulher, onde ela vai ter a condição de fazer o BO na hora, porque a nossa guarda armada, que a gente vai colocar na nossa cidade, vai ter uma área especificamente para a segurança da mulher. Nesse quesito eu acho que precisa ter, porque a mulher vai chegar e na hora ela faz (o BO) e o marido já vai, tem o distanciamento e faz as coisas acontecerem.

Outra política pública para a mulher, pensando na saúde, por exemplo, da gestante, hoje ela é maltratada. A gestante que depende da saúde pública é maltratada. Eu tenho exemplos, que não consegue fazer um ultrassom, o ginecologista nem olha na tua cara, então a gente precisa mudar. Por isso vamos criar esse Ambulatório Geral do Centro, ele vai ser específico, 24 horas para gestante e para pediatra, porque queremos realmente que a gestante tenha um tratamento diferenciado. A pessoa que está grávida está gerindo o nosso futuro, é o futuro que tá nascendo dali, e hoje se você não tem um plano de saúde você não consegue fazer um exame de toque, de qualquer coisa, você muitas vezes é maltratado no setor público, então a gente precisa mudar.

A mulher, como você falou, ela é a maioria, mas não é porque ela é a maioria do eleitor que a gente vai mudar a vida dela, porque a gente quer o voto dela, não tem essa intenção. Eu quero mudar a vida de todo mundo e é a mulher, na realidade, que faz a nossa família, o nosso lar, ser melhor.

Eu, graças a Deus, tenho a oportunidade de ter casado com uma grande mulher, mãe da minha filha de 11 anos, está gravida e vai vir o nosso Benjamin, trabalha, é batalhadora, é isso que a gente quer, criar a oportunidade para a mulher. Quando a gente fala em creche tempo integral, a gente fala que a mulher vai ter a condição de trabalhar, porque muitas vezes ela vira dona do lar porque tem os filhos e não tem onde deixar ou não tem condições de pagar uma creche. Então, criando essa estrutura com a mulher eu tenho certeza que ela vai se desenvolver e contribuir ainda mais com a família e com a nossa cidade.

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