Governo precisa colocar em prática lista de ações para ter sucesso na vacinação em massa da população

Praticamente todas as vacinas conhecidas precisarão de duas doses, o que dobra a necessidade de muita coisa, como de seringas, por exemplo. Além disso, é preciso muito controle, porque o país deve usar vacinas de laboratórios diferentes. Vacinação em massa no Brasil depende de várias ações do governo
A picadinha vai ser a de sempre, mas o arsenal contra a Covid vai ser muito maior do que o usado nas campanhas de vacinação comuns. Até agora, praticamente todas as vacinas conhecidas precisarão de duas doses, o que dobra a necessidade de muita coisa, como de seringas, por exemplo. Além disso, é preciso muito controle, porque o país deve usar vacinas de laboratórios diferentes.
“Eu acredito que o grande desafio para essa campanha será a necessidade de nós informatizarmos essa vacinação. É preciso garantir que quem tomar a vacina do laboratório A termina o esquema com a vacina do laboratório A. Porque as vacinas não podem ser intercambiáveis, não pode começar com um laboratório e terminar com outro. Então será necessário, sim, que haja um cadastramento dessa população a ser vacinada e que isso fique registrado em um sistema de informação para que não haja esse erro, de você começar a tomar uma vacina e terminar com outra”, diz Carla Domingues, epidemiologista.
A epidemiologista coordenou o programa nacional de imunizações por oito anos e lembra que, na pandemia da gripe H1N1, em 2010, foi criado um fundo emergencial de mais de R$ 6 milhões. O dinheiro foi usado na compra de 113 milhões de doses de vacinas do Instituto Butantan, de licitações internacionais e da OPAs, a Organização Pan-Americana de Saúde; 89 milhões de brasileiros foram imunizados em três meses e a coordenação foi toda do Ministério da Saúde.
Organização é a palavra-chave para uma vacinação em massa. Especialistas e fornecedores de insumos estão preocupados com a falta de planejamento. O anúncio de um calendário só não basta. Do sistema de informática às carteirinhas, da seringa aos equipamentos de proteção individual para quem vai aplicar as doses, são muitos os itens necessários que ainda não foram encomendados.
Os três fabricantes brasileiros de seringas dizem ter capacidade para produzir o que for necessário, mas as incertezas dificultam a programação das fábricas.
Nos estados de Minas Gerais e Goiás, por exemplo, dizem que já fizeram as compras. O Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina começaram o processo de compra. Pernambuco, Paraíba e Maranhão ainda vão comprar. Ceará e Paraná não definiram como vão agir. Alagoas e Tocantins aguardam as orientações do Ministério da Saúde.
“Há uma falta de seringas? Não. O que nós estamos querendo é que as compras que estão sendo feitas tenham uma coordenação central, e que elas sejam feitas com os volumes, de acordo com os volumes que eu terei no programa das vacinas”, explica Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, Associação Brasileira dos Fabricantes de Dispositivos Médicos.
É a mesma preocupação dos fabricantes de EPIs, os equipamentos de proteção individual. No começo da pandemia, a Anvisa suspendeu a exigência de registro para as empresas fornecerem máscaras, luvas e protetores faciais às unidades de saúde. O número de fabricantes passou de três para 40, só que o prazo dessa liberação emergencial expirou.
“As empresas estão aptas a fornecer. Mas precisa ser feita a demanda, precisa ser demandado para poder fornecer. É, existe um problema, vamos dizer, de organização de todos em conjunto”, avalia Raul Casanova Júnior, da Animaseg, Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho.
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