Gringos são sempre bem-vindos, mas intercâmbio não pode virar piada

Sou 100% favorável ao intercâmbio de jogadores, mas essa invasão de argentinos, chilenos, paraguaios, venezuelanos e de vários outros países está virando piada. E por um simples motivo, são ruins demais. Nosso futebol está tão no fundo do poço, mas tão no fundo do poço, que estamos perdendo espaço para uma turma muito ruim de bola. O Inter, por exemplo, está lotado de “gringos” fraquíssimos e o Vasco contratou um colombiano que, me perdoem a franqueza, não poderia estar vestindo a camisa do clube. Os empresários estão fazendo a festa e vendendo gato por lebre.

Na segunda divisão também está uma farra. Mas os estrangeiros não estão dispostos a atuar apenas como coadjuvantes. Chegaram devagarzinho, avaliaram o nível, constataram que era possível avançar algumas casinhas e hoje são ídolos em muitos clubes. Exagero meu?  As grandes estrelas do time da Colina são três argentinos, no Flamengo, Arrascaeta, mesmo não sendo titular da seleção uruguaia, aqui distribui os coletes, assim como Soteldo, no Santos, mesmo não sendo titular da seleção venezuelana. Ainda da Venezuela temos Savarino, no Atlético Mineiro, que formará o ataque com o recém chegado Vargas, chileno. E esse, mesmo rodado, velho de guerra, chega com status de líder.

Otero e Casares, dispensados do Galo, brilham no Corinthians e o paraguaio Gustavo Gómez é o capitão do Palmeiras. Sem falar no meu Botafogo, que ousou voos mais longos para trazer Honda e o marfinense Salomon Kalou. “Mas, PC, o Fogão tem outros gringos no elenco”, me alerta o vendedor do quiosque quando soube que abordaria esse tema na coluna. Quais, perguntei. E ele respondeu: “Gatito, paraguaio, Lecaros, peruano, Cortez, equatoriano, e Barrandeguy, uruguaio, mas nem sei se ainda estão por lá…”. Pior eu que nem sabia que haviam sido contratados.

Olha, nenhum problema que os gringos sejam ídolos e líderes por aqui, afinal já tivemos brilhando em solo brasileiro Doval, Figueroa, Andrada, Fischer, Perfumo, Pedro Rocha, Gamarra, Hugo de Leon e Tevez, mas acho que os presidentes de clubes não estão dando mais importância ao peso das camisas e talvez, por isso, muitos times, inclusive o meu Botafogo esteja despencando ladeira abaixo. O Brasil não pode ser a lixeira do futebol, afinal respeito é bom e o torcedor gosta. Se já não fosse o bastante, ainda temos que escutar os “analistas de computadores” falando que o jogador “quebrou a bola”. Quantas vezes vou ter que falar que bola não é pedra para se quebrar?

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