Homem percorre quase 3 mil km com moto de 110 cc até chegar no interior de SP: ‘Presente de 40 anos’


Itinerário, denominado ‘Expedição Jumeca’, começou em Teresina (PI) e tem como destino Penápolis (SP). A iniciativa é uma homenagem à história e à população nordestina. Richard Torsiano percorre quase 3 mil km de moto pelo Brasil
Richard Torsiano
“Tem sido uma das melhores experiências vividas até aqui. Será meu presente de 40 anos, que completarei no próximo dia 18.” O depoimento é de Richard Torsiano, que há uma semana saiu de Teresina, no Piauí, com destino a Penápolis, no interior de São Paulo, cidade onde nasceu.
O percurso, que totalizará 2,8 mil quilômetros, está sendo feito em cima de uma moto de 110 cilindradas.
Torsiano é consultor do Banco Mundial e da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação na América Latina e no Caribe. Ele mora em Brasília (DF) e divide seus dias entre a rotina na capital brasileira e a temporada de trabalho no Piauí, para onde viaja todos os meses por um período de dez dias.
Apaixonado pelas duas rodas, Torsiano sempre viajou com motos grandes. A ideia da expedição deste ano começou em 2019, quando ele tomou a decisão de apostar na nova experiência, a primeira com uma moto tão pequena.
“É uma moto barata, baixo custo de manutenção e baixo consumo. Ela faz até 50 km com um litro de gasolina. Vi no Piauí quanto o povo ganhou em liberdade podendo ter uma motinha dessas”, diz.
A expedição começou no dia 5 de dezembro deste ano e a expectativa é que seja concluída neste sábado (12), quando deve chegar a Penápolis. Ele passou por estados como Bahia, Goiás, Minas Gerais, além do Distrito Federal.
Homenagem à história piauiense
Expedição totalizará 2,8 mil km e está sendo feita com uma moto de 110 cilindradas
Richard Torsiano
Segundo o motociclista, a ideia surgiu como uma homenagem à história e à população nordestina, especialmente do Piauí.
Torsiano conta que nas suas idas ao estado percebeu o quanto essas motocicletas foram revolucionárias para a população local. Segundo ele, elas representam uma transformação na mobilidade de famílias que, no passado, dependiam de jumentos e cavalos.
Em homenagem ao termo “Jumento Mecânico”, que faz referência a essa mudança, a motocicleta dele foi batizada de “Jumeca”, nome dado também à expedição.
O itinerário também homenageia a história de nordestinos que viajavam para o estado de São Paulo em busca de melhores condições de vida.
“Fazer esse itinerário do Piauí ao interior de São Paulo em cima de uma moto tão pequena é instigante e desafiador pela distância e pelos perigos, mas principalmente por tentar reproduzir o trajeto que muitos emigrantes piauienses e nordestinos tiveram que encarar em algum momento da vida em busca de uma alternativa para melhorar a vida em São Paulo. Eles faziam esse percurso em condições muito precárias, em paus de arara, jumentos e cavalos ou até mesmo caminhando”, explica.
Motocicleta utilizada na expedição
Instagram Jumeca
A escolha do destino levou em consideração o afeto de Torsiano pela cidade-natal. A motocicleta também foi personalizada para a viagem.
“Incluí na personalização símbolos do Nordeste: o chão rachado da seca do semiárido e o jumento, que foi o grande aliado de trabalho e deslocamento do povo nordestino.”
‘Uma das melhores experiências vividas’
A viagem também tem sido para Torsiano uma oportunidade de relaxar a aproveitar a adrenalina. Ele conta que já passou por muita emoção, sendo uma delas em uma rodovia entre as cidades de Luís Eduardo Magalhães (BA) e Formosa (GO).
“Isso foi na terça-feira, foi um dia bastante tenso, tráfego pesado de caminhões e muita chuva, temporal mesmo. Mas deu tudo certo. Aliás, não tive problemas na viagem com caminhões. Todo mundo dizia que seria perigoso, que passariam por cima da motinha, mas foram muito respeitosos”, afirma.
Mas além da adrenalina nas rodovias pelo interior do Brasil, ele também tem tempo para curtir as belezas e o povo brasileiro.
“O fato de viajar devagar me permite contemplar a natureza e as comunidades e parar para fotografar e fazer vídeos com comunidades locais. Momento de adrenalina e relax permanente”, diz.
Trajeto que Richard está fazendo desde sábado em uma moto
Reprodução
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*Sob supervisão de Marcos Lavezo/G1
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