Lima Duarte, em MG, tem cachoeiras, rios coloridos e ‘janela do céu’


Descubra o Brasil: série mostra destinos que merecem ser mais conhecidos, mas que ainda estão no radar apenas de viajantes que já buscam roteiros diferentes. Descubra o Brasil: Lima Duarte (MG) tem cachoeiras e mirantes naturais
No sudeste de Minas Gerais, a cidade de Lima Duarte mistura o sossego do jeitinho mineiro com passeios de contemplação e de aventura em meio à natureza. São mais de 70 cachoeiras, rios com águas coloridas, grutas e até uma “janela” natural com vista privilegiada.
O Descubra o Brasil apresenta destinos que já estão no radar dos viajantes que buscam roteiros diferentes, mas que merecem ser mais conhecidos.
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Com 16 mil habitantes, o município está na Zona da Mata Mineira, próximo do estado do Rio de Janeiro. Por lá, as atrações ao ar livre atraem principalmente os fãs de trilhas – feitas a pé, de bicicleta, moto ou em carros 4×4.
Se você já pensou no ator Lima Duarte, vale avisar que a cidade não possui relação com o famoso intérprete de Sinhozinho Malta. O nome do município na verdade homenageia José Rodrigues de Lima Duarte, um médico e político mineiro do século 19.
É no distrito de Conceição do Ibitipoca, a 27 km da sede do município, que o visitante vai encontrar os principais pontos turísticos. A pequena vila na zona rural tem cerca de mil moradores e é a porta de entrada para o Parque Estadual do Ibitipoca.
Alto da Boa Vista, em Ibitipoca (MG)
Secretaria de Turismo de Lima Duarte
Mas o que é Ibitipoca?
Ibitipoca vem do tupi-guarani e significa “serra que estoura” ou “serra estourada”. Não se tem certeza do motivo: a região pode ter sido batizada assim pelas muitas grutas que possui ou ainda por receber muitos raios na época das chuvas.
Em uma área de quase 1.500 hectares, o Parque Estadual do Ibitipoca tem três rotas de trilhas, com trajetos que variam de 5 km a 16 km. Alguns deles exigem que o visitante tenha preparo físico, por conta de suas subidas e descidas.
A Janela do Céu é a principal atração da região. Com um mirante que mais parece uma piscina natural de borda infinita, ela fica bem em cima de uma cachoeira e tem uma vista privilegiada para o céu e para os morros.
Janela do Céu em Ibitipoca, MG
Secretaria de Turismo de Lima Duarte
Melhor do que qualquer filtro de redes sociais, a Janela do Céu é disputada para fazer a foto perfeita da viagem, então é preciso paciência para aguardar a sua vez sem aglomerações.
Também é preciso ter fôlego para chegar até lá: o mirante fica no fim da trilha mais extensa do parque, o Circuito Janela do Céu, que tem 16km de extensão.
Águas coloridas e grutas que abrigaram escravos
Não é preciso percorrer tanto, porém, para perceber as belezas naturais da região. Por todos os roteiros o visitante encontra paredões de pedras, grutas, cachoeiras, piscinas naturais e mirantes para admirar a paisagem da Serra do Ibitipoca, uma extensão da Serra da Mantiqueira.
As águas de cachoeiras e rios também chamam a atenção por seu colorido natural, com tons que vão do dourado ao avermelhado. Na prainha ou nos poços de cachoeiras, é difícil resistir a um banho gelado para refrescar os dias mais quentes.
Ibitipoca
Marcio Lucinda/Agência Alto gerais/Divulgação
O Pico da Lombada é o ponto mais alto do Parque Estadual do Ibitipoca, a quase 1.800m de altitude. De lá, o turista consegue ter uma visão panorâmica da serra.
As grutas do Ibitipoca também valem a visita. Na curiosa Gruta dos Três Arcos, suas três grandes entradas deixam luz e ar circularem. Já a Gruta dos Fugitivos tem história pra contar: séculos atrás, ela teria servido de abrigo a escravos em busca de liberdade.
Por conta da pandemia, o Parque Estadual do Ibitipoca restringiu o número de visitantes diários e suspendeu a prática de acampamento. Nas regras atuais são aceitas 500 pessoas por dia e somente com agendamento prévio feito pelo site do parque. Além de recomendar que o turista leve água, lanche, sapatos e roupas adequados para trilhas, a organização do parque exige o uso de máscaras durante a visita.
O valor do ingresso varia de R$ 20 (de segunda a sexta) a R$ 25 (aos finais de semana e feriados) e o pagamento é somente em dinheiro, na portaria do parque. Há estacionamento pago no local (R$ 25 por carro), mas na pandemia ele está operando com apenas 25 vagas, por ordem de chegada.
Pedra que equilibra, em Ibitipoca, MG
Secretaria do Turismo de Lima Duarte/Divulgação
Veja a seguir outros destaques de Lima Duarte:
A cidade também tem atrações fora da área do parque. Uma das opções de passeio fica na Vila Souza do Rio Grande, a 30km de Conceição do Ibitipoca. Depois de um trecho de carro, a trilha a pé leva até a Pedra que Equilibra, uma curiosa formação rochosa que intriga os turistas. Mas o ponto alto do trajeto é o passeio de bote e caiaque pelo Rio Grande. Com águas calmas, o roteiro pode ser feito em família.
Com uma bela visão panorâmica da região, o Alto da Boa Vista é a pedida para contemplar o pôr do sol no entorno da cidade. O atrativo conta com quatro cachoeiras e um paredão que funciona como mirante. É procurado para trilhas a pé, de bike, de moto e de 4×4.
A cerca de 20 km de Lima Duarte-MG, o Parque Estadual Serra Negra da Mantiqueira é outra opção de visita repleta de belezas naturais. Criado em 2018, ele possui cachoeiras de águas douradas, grutas, montanhas e mirantes, além de rica flora e fauna.
A Volta das Transições é um roteiro que percorre todos os municípios do Circuito Serras de Ibitipoca. Nele, os aventureiros cruzam serras, vales, campos e florestas. O trajeto prioriza estradinhas de terra que cortam pequenos vilarejos. Dividido em sete etapas, o circuito completo tem mais de 400km de extensão. Apesar de ter sido criado para o cicloturismo, é possível percorrer o trajeto nas modalidades de ciclismo, trekking, off-road, motociclismo e cavalgada.
Em 2020, a cidade de Lima Duarte ganhou também um autódromo. A pandemia não permitiu que muitas provas fossem realizadas, mas em dezembro o traçado sediou uma etapa do Superbike, principal campeonato de motovelocidade do continente americano.
Alto da Boa Vista, em Ibitipoca
Secretaria do Turismo de Lima Duarte/Divulgação
Como chegar
Lima Duarte fica no sudeste de Minas Gerais, mas, curiosamente, está mais próxima da capital de outro Estado. São 360 km de distância desde Belo Horizonte ou 260 km do Rio de Janeiro.
A maior cidade da região é Juiz de Fora, a 90 km, que recebe ônibus vindos de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, entre outras cidades. Em Juiz de Fora o turista pode contratar serviço de transfer para Lima Duarte ou pegar mais um ônibus para a cidade. Já para chegar até o distrito de Conceição do Ibitipoca, é preciso pegar mais um ônibus dentro de Lima Duarte.
Serviço
A cidade tem mais de 50 opções de hotéis e pousadas, além de casas em plataformas de aluguel, com 2.200 leitos no total. Para comer, há cerca de 100 estabelecimentos como restaurantes e lanchonetes.
Agências de turismo locais oferecem roteiros com condutores ambientais para passeios ecológicos, hiking, trekking e trilhas de moto, entre outras opções. Mais informações pelos telefones (32) 99991-0914 ou (32) 98404-3905.
A maioria do comércio local aceita cartões como meio de pagamento, mas lembre-se de levar dinheiro em espécie. O Parque Estadual do Ibitipoca, por exemplo, aceita apenas dinheiro para o ingresso.
Não há caixas eletrônicos 24h na cidade. Na área urbana de Lima Duarte há agências bancárias do Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica. No distrito de Conceição do Ibitipoca não há posto de combustível, apenas em Lima Duarte.
Nas áreas rurais e no parque estadual o sinal de celular pode ficar instável ou inexistente. As operadoras Claro e Vivo funcionam melhor nestas áreas. Na área urbana, no entanto, a recepção de sinal é mais abrangente para todas as operadoras.
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