Menos morte, mais vida!


A experiência do Mamãe Guará na redução da mortalidade infantil de Guarapuava Dizem que uma loba defende seus descendentes e seu território com todas as forças. A alusão, carregada de simbolismo, não é por acaso. As mães de Guarapuava, nome indígena que significa lobo bravo, são tal como lobas – fazem tudo o que está ao seu alcance para proteger seus filhos.
Só que isso nem sempre foi possível. Em 2010, o coeficiente de mortalidade infantil na cidade marcava 17,9 mortes para cada 1000 nascidos. Um dos maiores índices de todo o Paraná, o que não orgulhava ninguém. Era preciso agir de forma urgente e precisa. A solução estava na própria história das alcateias: proteger toda a manada. Não era uma obrigação apenas das mamães, que já estavam enfrentando turbilhões para salvar seus filhos, mas de uma sociedade como um todo.
Essa dura realidade não podia mais existir em uma cidade que se preparava para ser melhor. Em 2013, estruturado e preparado para mudar a realidade, foi criado o Mamãe Guará, um projeto de atenção básica, que começa no acompanhamento das gestantes em casa, nas Unidades de Saúde, no parto e nos primeiros cuidados.
“Conseguimos reduzir a mortalidade infantil para o menor índice dos últimos anos. Não temos dúvida que essa é a melhor conquista de todas: a vida!”, enfatiza o prefeito, Cesar Silvestri Filho.
O acompanhamento acontece constantemente. Após a consulta, são marcados os exames e as mães encaminhadas para a Clínica da Mulher, onde recebem atendimento especializado até depois do nascimento da criança.
Esse acompanhamento faz mesmo a diferença na vida das mamães guarapuavanas. Em sete anos do programa, os índices já caíram para 9,3 a cada 1.000 nascidos. A Gislaine, por exemplo, já tinha trinta anos quando ficou grávida pela primeira vez. A insegurança da mãe de primeira viagem logo foi superada com o acompanhamento constante da equipe do Mamãe Guará, composta por profissionais da medicina, enfermagem e nutrição. “Eu tive um suporte muito bom, logo após eu chegar em casa, me ligaram perguntando como que estava a minha recuperação, perguntaram da nenê, eu achei muito bom”, contou.
Gislaine participou do programa Mamãe Guará e durante toda a gestação e no pós-parto recebeu da equipe toda a ajuda que precisava
Foto Gislaine
Os desafios da gravidez começam com a insegurança sobre como agir, desde dúvidas sobre que alimentos podem ser ingeridos, até a inquietação sobre a formação do bebê. Essa experiência de acompanhamento individualizado no pós-parto ajudou Gislaine, que fez o acompanhamento da filha. “Ela vem semanalmente e é muito bom o atendimento. A pediatra é ótima e ela começou a ganhar peso, ficar mais gordinha já”. Esse acompanhamento acontece porque depois do parto a mãe e o bebê continuam recebendo atendimento dos profissionais do Mamãe Guará até que seja avaliado que ambos estão saudáveis.
Carinho e dedicação são a chave do sucesso do programa
O carinho e dedicação dos profissionais da saúde de Guarapuava são sentidos pelas mães, que adquirem mais confiança durante a gravidez. Quando a Nayra descobriu que estava grávida da segunda gestação, foi até a UBS e na mesma hora passou a ter uma equipe acompanhando com ela o crescimento do bebê.
Essa equipe multiprofissional consegue monitorar as gestações e garantir mais saúde para as mães e crianças. Nos momentos juntos, são compartilhados além de amor e carinho, muita informação e troca de experiências. “É importante ter ao lado das grávidas pessoas que compartilham o conhecimento necessário para tranquilizá-las”, destacou a enfermeira Sueli.
Futuras mamães recebem atendimento especializado de equipe multidisciplinar

Durante o acompanhamento individualizado, as futuras mamães fazem exames, como ultrassonografia, em que podem ouvir as batidas desse novo coração que se forma. Além disso, os exames e consultas frequentes durante a gestação tranquilizam as mamães sobre a saúde dos bebês, podendo indicar logo no início possíveis agravantes na saúde da mãe. Identificar precocemente a gravidez de risco é importante para garantir a saúde da mamãe e do bebê. “Na semana passada eu passei mal, fui no hospital, fui bem atendida e eu também tenho pressão alta, tenho várias coisas, eu fui bem atendida, não me deixaram ir embora até que a minha pressão baixasse. Tem todo esse cuidado desde a UBS até no hospital tem esse cuidado”, contou Nayra. Receber as recomendações médicas frequentemente e segui-las, ajudam a prevenir agravantes e sequelas.
Até hoje, cerca de 23 mil mulheres e crianças já passaram pelo Mamãe Guará, reduzindo para um dígito os índices de mortalidade infantil. E sabe o que é o melhor? Que ele não termina aqui. Quer ver só? Passa para a próxima história para entender como essa política pública continua.

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