Morre adolescente que mobilizou a web após perder movimentos por câncer raro: ‘Sofreu muito’


Izaquiel Augusto da Silva Junior, de 16 anos, foi diagnosticado com condrossarcoma estágio 4, tipo de tumor ósseo que começou no pulmão, causando compressão na medula. Izaquiel antes e depois da descoberta do tumor
Arquivo Pessoal
O adolescente Izaquiel Augusto da Silva Junior, de 16 anos, que mobilizou a web após perder os movimentos por causa de um câncer raro, morreu após nove meses lutando contra a doença em Bertioga, no litoral de São Paulo. “Ele sofreu muito. Pedi para Deus que fizesse sua vontade, não a minha. Agora, ele descansou e só deixou coisas boas”, disse a mãe do jovem, Maria Vilma da Silva, de 36 anos, em entrevista ao G1.
Júnior foi diagnosticado com condrossarcoma estágio 4, tipo de tumor ósseo que começou no pulmão, causando compressão na medula. A doença fez com que ele parasse de andar, precisando adaptar toda a rotina. Segundo a mãe, o filho morreu na última quinta (10), e o corpo foi velado e sepultado nesta sexta-feira (11).
Os primeiros sintomas sentidos pelo jovem foram dores nas costas, e apenas em março os médicos descobriram que se tratava de um câncer. A mãe do adolescente conseguiu uma vaga no Hospital Santa Marcelina, onde ele foi tratado. Ela relata que sentiu todo o apoio do local e dos médicos, mas que o estágio avançado da doença tornou difícil a recuperação. “Ele estava sofrendo muito, falta de ar, não aguentava, pedia socorro”, relembra Vilma.
Júnior já havia começado alguns tratamentos, segundo a mãe, mas chegou a um estágio em que os médicos relataram que não havia chance de melhora no quadro. Ela conta que os profissionais se reuniram, e ela chegou a questionar sobre uma cirurgia, mas foi informada de que o procedimento não poderia ser feito, pelas condições do adolescente.
Vilma deixou o emprego para cuidar do filho, entre idas e vindas à capital paulista
Reprodução/Redes Sociais
“Ele falava que estava com dor, e eu só chorava. É uma tortura ver seu filho com dor e não poder resolver”, desabafa.
Vilma diz viver o luto em paz, por saber que o filho descansou após meses de luta. O caso do jovem foi compartilhado nas redes sociais, gerando uma onda de solidariedade e mobilizando internautas. “Meu filho foi muito querido por todos, por quem nunca tinha nem visto ele, só sua história. Ele deixou coisas boas no mundo”, conta.
A mãe e o esposo precisaram sair do emprego por um período, para acompanhar o filho entre idas e vindas à capital paulista. Diarista, ela se diz grata pela mobilização, que conseguiu arrecadar itens essenciais para o dia a dia do adolescente. “Me deixou ensinamentos”, finaliza.
Condrossarcoma
O condrossarcoma é um tipo de câncer ósseo. “Corresponde a 11% dos tumores primários do osso, e geralmente acomete a faixa etária acima dos 50 anos. Deste percentual, apenas 2% ocorrem em pacientes com menos de 20 anos”, explica Silvio Borges, oncologista ortopédico do Hospital Ana Costa.
Os ossos mais comumente atingidos são os da pelve, da bacia e do joelho. “A doença pode evoluir com dor, um sintoma bem normal, mas também pode ser até indolor”. A sintomatologia pode levar de semanas a meses, até a origem ser descoberta, segundo explica Borges.
Jovem ficou sem andar por conta de tumor
Arquivo Pessoal
O oncologista Raphael Brandão, especializado no Dana-Farber Cancer Institute pela Harvard Medical School, explica que exames como raio-X simples, ressonância ou tomografia podem ser usados para levantar a suspeita da doença, mas que o diagnóstico é sempre feito com biópsia.
“Quando temos esse diagnóstico em mãos, fazemos uma diferenciação. Dá para operar esse paciente? Esse paciente tem metástase? Se é doença é localizada, é feita uma cirurgia para tratar. Caso tenha metástase, podemos tentar radio ou quimioterapia. Radioterapia não é tão bom, porque é um tumor que costuma ser resistente”, finaliza.
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