MP recomenda que elefante seja transferido para santuário após morte de companheira em zoológico


Sandro está sendo monitorado pelo zoo de Sorocaba (SP) desde a morte de Haisa, no dia 18 de novembro. Segundo o MP, animal pode sofrer com solidão e saudade da companheira se continuar no recinto. Haisa e Sandro no zoo de Sorocaba (SP)
TV TEM/Reprodução
O Ministério Público (MP) fez uma recomendação para que a Prefeitura de Sorocaba (SP) realize a transferência do elefante asiático Sandro para um santuário no Mato Grosso.
A decisão foi tomada após a morte de Haisa, que foi companheira do animal por 20 anos no Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros”. Sandro está sendo monitorado pela equipe do zoo desde a partida da elefanta, no dia 18 de novembro.
Sandro e Haisa viviam juntos desde 1995 em Sorocaba. A elefanta nasceu na Ásia e vivia em Santa Catarina, em um recinto com duas irmãs. Já Sandro é da América Latina e tinha 26 anos quando conheceu a companheira no zoo.
Haisa e Sandro estão juntos no zoo de Sorocaba (SP) desde 1995
Reprodução/TV TEM
De acordo com o MP, “elefantes são animais extremamente sensíveis e inteligentes” e, por isso, Sandro pode sofrer com a solidão e a saudade da companheira se continuar no recinto do zoo. Além disso, o órgão afirma que o recinto onde o animal vive é pequeno, considerando os seus hábitos na natureza.
O Santuário de Elefantes do Brasil, situado na Chapada dos Guimarães (MT), ofereceria um local mais adequado para acolher Sandro, informou o MP.
A prefeitura possui 15 dias para protocolar um parecer informando se aceitará a recomendação ou não. O G1 entrou em contato com o poder público, mas ainda não obteve retorno.
Morte de Haisa
Elefanta Haisa no zoológico de Sorocaba (SP)
Júlia Martins/G1
O anúncio da morte da elefanta foi feito pela Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) horas depois que uma ONG informou ter entrado na Justiça para apurar a situação do animal, que sofria de artrose. Além da ONG, o Ministério Público abriu um procedimento preparatório.
Segundo a Sema, um guarda civil municipal fazia patrulhamento no local quando presenciou o momento em que Haisa morreu perto do recinto. Não há informações sobre como teria ocorrido a morte do animal.
Na madrugada seguinte, a elefanta foi retirada do zoo com a ajuda de um guindaste e transportada até o hospital veterinário de uma universidade particular de Sorocaba por um caminhão. Haisa foi enterrada um dia depois de sua morte em uma área do Parque Natural “Chico Mendes”.
Cova aberta em parque ecológico para enterrar elefanta em Sorocaba
Fernando Belon/TV TEM
Ainda de acordo com a pasta, o corpo do animal passou por exames de necropsia para identificar a causa da morte. O processo foi acompanhado por especialistas do Instituto Adolfo Lutz, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP). O laudo ainda não saiu.
Antes da morte de Haisa, vídeos publicados nas redes sociais mostraram a situação do animal, que não conseguia caminhar ou se alimentar e tinha machucados pelo corpo.
Segundo a ação do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal na Vara da Fazenda Pública de Sorocaba, ela parecia apresentar infecção e necrose nas patas, não conseguindo se firmar em pé.
Funcionários do zoológico se reuniram em local onde elefanta foi enterrada em Sorocaba
Carlos Henrique Dias/G1
De acordo com o promotor Jorge Alberto de Oliveira Marum, a averiguação do caso seria preliminar por parte do MP. Conforme a prefeitura, desde o mês de maio a elefanta vinha apresentando dificuldade locomotora.
Além disso, uma avaliação clínica mostrou aumento de volume em membros torácicos e enrijecimento articular nos cotovelos do animal. Após exames, foi constatado um quadro de artrose, uma doença degenerativa que não tem cura.
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