Nove meses desde o 1º caso de Covid-10 no Acre, doença já matou mais de 750 pessoas no estado


Infectlogista alerta que segunda onda ainda tem um cenário grave. Primeiros casos da doença foram confirmados em 17 de março. Mais de 756 pessoas já morreram vítimas de Covid-19
Dhárcules Pinheiro/Arquivo pessoal
O Acre completa, nesta quinta-feira (17), nove meses desde que o primeiro caso da doença foi confirmado. O estado teve três casos confirmados no dia 17 de março, desde então, teve que mudar estruturas e implantar unidades de referência para o atendimento aos pacientes com a doença. A primeira morte da doença confirmada pela Secretaria de Saúde do Acre foi de Antônia Holanda, de 79 anos, no dia 6 de abril.
Para relembrar e fazer um balanço, o G1 lista os principais acontecimentos neste período. Inicialmente, a UPA do 2º Distrito foi a unidade de referência para atender os casos em Rio Branco. Somente em agosto, a unidade referência aos atendimentos desses casos passou a ser o Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into).
Os casos foram aumentando gradativamente. Em abril, o alto número de casos de Covid-19 na cidade de Acrelândia, no interior do Acre, chamou a atenção não só pelo avanço da doença em poucos dias, mas também porque os casos na cidade estavam ligados a um evento político na cidade vizinha, Plácido de Castro.
A última cidade a confirmar caso de Covid-19 foi Jordão. Isolada, o acesso à cidade é feito por barco ou avião. O município registrou o primeiro caso da doença em 3 de junho deste ano, mais de três meses depois dos primeiros casos serem registados na capital.
Já a cidade de Porto Walter foi a última no estado a registrar morte pela doença. A primeira vítima na cidade foi o idoso Francisco Lau. Então, todas as cidades do Acre passaram a registrar mortes a partir de 21 de julho, de acordo com o boletim.
De joelhos, filho implora por vaga na UTI para pai de 90 anos entubado com Covid-19 no AC
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Pico da pandemia
Um estudo do Centro de Saúde e Desporto do curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) mostrou que o pico da doença na capital ocorreria na segunda quinzena de maio e seguiria até início de setembro, o que se confirmou.
O recorde de casos novos em um dia nesse período foi de 524, registrado no dia 23 de maio. Ainda em maio, no dia 22, foram 240 novos casos em um dia. Ainda naquele mês, no dia 27, 470 casos foram confirmados. Já em junho, no dia 27, foram 458 casos em um dia e em 1º de julho 462 novos registros.
No mês de setembro, o Acre teve uma baixa nos casos, saindo do pico e registrando baixa, inclusive, na fila de exames em análises.
Hospital de referência sem infectologista
No Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into) – unidade referência para o recebimento de casos da Covid-19 – a todo momento pessoas com sintomas da doença chegam em busca de atendimento. Atualmente, uma média de 220 pessoas procuram a unidade por dia, porém, na unidade não existe infectologista, que é o médico especialista para casos de Covid.
A Sesacre foi procurada pela equipe da Rede Amazônica para explicar o motivo de não ter um infectologista no Into durante todo este tempo em que o estado vem enfrentando o alto número de casos de Covid-19, mas a secretaria apenas informou que está providenciando a lotação de um infectologista para a comissão de controle de infecção hospitalar da unidade
Internações voltaram a aumentar no começo de novembro
Junior Aguiar/Asscom-AC
Segunda onda
O fôlego demorou pouco tempo. Em novembro, período de campanha eleitoral, os casos começaram a aumentar. Os atendimentos no Into triplicaram logo no começo do mês. O avanço da contaminação ficou claro no dia 12 de novembro, quando a Secretaria de Saúde (Sesacre) voltou a confirmar 402 novos casos em 24 horas, um dos cinco maiores registros durante toda a pandemia.
Na época, a Fiocruz divulgou 15 estados com tendência moderada ou forte de alta de casos e o Acre estava na lista. Além dele, aparecia também Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Mas é importante entender que há diversos níveis de espalhamento da doença. Por isso, a Fiocruz divide essas tendências em basicamente quatro grupos: curto prazo, longo prazo, moderada e forte.
Primeiro exemplo: uma tendência moderada de crescimento de curto prazo significa que a localidade registrou aumento de casos nas três semanas anteriores e a probabilidade dessa situação continuar assim vai de 75% a 95%. É o caso do noroeste de São Paulo, do nordeste de Goiás e do norte do Piauí, por exemplo.
Gladson Cameli fala sobre vacinação contra Covid-19 e pactos com prefeitos eleitos
Leitos
O estado teve que criar leitos de UTI específicos para pacientes graves de Covid-19. No início eram 10 vagas. Aos poucos esses leitos foram aumentando, chegou a 90. Em Rio Branco, na primeira onda, os leitos chegaram a ficar todos ocupados e pacientes desassistidos. Atualmente, há 70 leitos de UTI, sendo 60 em Rio Branco e 10 em Cruzeiro do Sul.
Avaliado em R$ 4,1 milhões, o Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, foi inaugurado no dia 10 de julho após mais de 24 dias de atraso. A entrega da unidade estava marcada para o dia 16 de junho, mas por falta de gases foi adiada para o dia 29 do mesmo mês. Porém, a unidade não tinha todos os equipamentos da UTI e nem a usina de gases para começar a atender e a inauguração foi adiada por uma segunda vez.
Até junho, o Acre já havia recebido Acre mais de R$ 47 milhões em repasses para ações de combate à Covid-19.
Perfil das vítimas
Até essa quarta-feira (16), no último boletim da Sesacre, o Acre registra 756 mortos. Os que mais morrem com a doença são os homens. Das vítimas, 455 são homens, 60% do total. Já as mulheres são 40%, com 301 vítimas.
A maioria, 496 (66%), dos mortos sofria com alguma outra comorbidade, o que fez com que o quadro se agravasse. Porém, 260 pessoas, ou seja, 34%, não tinha outras doenças. Os dados mostram ainda que 534 vítimas fatais da doença tinham mais de 60 anos, sendo 71% dos casos, sendo que 184 pessoas tinham acima de 80 anos – a faixa etária que mais acumula mortos, segundo o boletim da Sesacre.
Com relação aos casos confirmados, 21.017 (54,0%) foram mulheres e 17.921 (46,0%) homens. A maior proporção dos casos confirmados encontra-se entre 30 a 39 anos em ambos os sexos.
De acordo com a raça, a maioria das pessoas que morreram era parda (13.861), já 3.909 das vítimas eram amarela e 2.452 brancas. Além disso, 775 eram indígenas e 466 pretas.
No G1 há um espaço destinado à memória das vítimas: Memorial Vítimas Covid-19
Comitê muda regional do Alto e Baixo Acre para fase laranja e Juruá fica na faixa de atenção
Reprodução
Regionais regridem
O Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19 reclassificou, no último dia 11, as regionais do Alto Acre e Baixo Acre e Purus para fase de alerta, representada pela cor laranja. A regional do Juruá/Tarauacá permaneceu na fase amarela, que é de atenção.
A reclassificação trouxe a regressão destas duas regionais, sendo que o Alto Acre, que estava na faixa verde, desceu para a fase laranja sem ao menos ficar na amarela. Já o Baixo Acre, que inclui a capital acreana, Rio Branco, saiu da fase de atenção para a de alerta.
Foi a 13ª coletiva do Pacto Acre sem Covid. A avaliação ocorreu nas duas últimas semanas epidemiológicas, com análise entre os dias 22 de novembro a 5 de dezembro. A próxima avaliação deve ser divulgada no dia 23 de dezembro.
As três cidades que estão no topo de maior incidência de Covid-19 são: Assis Brasil, Xapuri e Mâncio Lima. Respectivamente, as cidades têm 1.003; 8.956 e 697 casos da doença para cada 10 mil habitantes.
Governador Gladson Cameli falou que está disposta e tem quase R$ 113 milhões em cofre para comprar a vacina contra a Covid-19
Reprodução
Vacina
O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), disse em entrevista do Jornal do Acre 1ª Edição de quarta-feira (16) que o Estado tem quase R$ 113 milhões em recursos disponíveis para comprar uma vacina contra a Covid-19 logo que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar a liberação.
Nesta quarta-feira (16), o Ministério da Saúde apresentou no Palácio do Planalto o Plano Nacional de Imunização. Entre as mudanças, foram incluídos novos grupos prioritários como presos, quilombolas e trabalhadores do transporte coletivo e a previsão da utilização da Coronavac .
“Noto uma disputa e não vou entrar nela porque estão colocando em primeiro lugar alguns interesses. O que quero dizer é que já era para estar marcada a data e hora da aplicação da primeira vacina na nossa população. O plano foi apresentado, nossa secretaria foi apresentada. Fomos tão transparentes, conseguimos fazer uma economia de investimentos nossos aqui de quase R$ 113 milhões que estão nos cofres prontos para fazer investimento. Vamos utilizar esse recurso para compra da vacina, caso me permitam. Preciso de algumas autorizações e nossa PGE [Procuradoria Geral do Estado] está pedindo ao Supremo Tribunal Federal, como o Estado do Maranhã fez, para que nos dê o direito de comprar a vacina que estiver disponível”, disse o governador em entrevista à Rede Amazônica Acre nesta quarta-feira (16).
Momento ainda é de atenção
Júnior Aguiar/Secom
‘Não podemos baixar a guarda’
O infectologista Alan Areal disse que nesse período de pandemia, o que mais avançou foi a questão do tratamento, já que no início tudo era muito novo.
“A conduta sempre foi muito baseada naquilo que os pacientes iam apresentando, na sintomatologia e muitos medicamentos foram discutidos ao longos destes meses e quais medicamentos eram eficazes, quais, comprovadamente, não serviam para o tratamento de Covid e também foi discutido alguns antivirais usados em outras patologias, drogas que que estavam praticamente para ser entregues no mercado e foram testados”.
Segundo ele, a expectativa de uma vacina para imunização em massa vem como uma nova fase, mas garantiu que as medidas de segurança sanitárias ainda devem ser respeitadas.
“O Brasil começa a se preparar para esse novo momento e eu diria que temos que estar otimistas, mas não baixar a guarda e continuarmos atentos e vigilantes com relação às medidas de segurança. É preciso que as pessoas tenham um pouco mais de paciência, que esse segundo momento ainda é muito grave, muitos jovens estão perdendo suas vidas, idosos e profissionais da área da saúde ainda estão sendo acometidos com infecção. Temos uma baixa considerável desses profissionais e, portanto, devem cumprir o isolamento”, pontua.
Ele destacou ainda que o cancelamento das festas de fim de ano por parte das autoridades foi uma decisão acertada.
“Não é hora de baixar a guarda, as pessoas precisam entender isso e ter um pouco mais de paciência, principalmente agora com a chegada das festas de natal, de fim de ano. Precisamos sonhar com muitos fins de ano pela frente e não que esse vai ser o último. Se não tivermos essa consciência, vamos estar aglomerando, contribuindo para o aumento de casos e isso pode gerar um cenário muito caótico, podendo chegar ao colapso no nosso sistema de saúde e não é isso que queremos. A gente pede, como profissional de saúde, mais paciência até que tenhamos a imunização em massa para que possamos ficar mais tranquilos diante do cenário da Covid-19”, finaliza.
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