Número de imigrantes com carteira assinada no Brasil quase triplica em 10 anos


Segundo o governo, o fluxo migratório de haitianos e venezuelanos desde 2016 puxou alta no número de estrangeiros formalmente empregados. Violência política na Venezuela também fez 2019 registrar recorde no total de pedidos de refúgio no Brasil. Haitianos chegam ao Brasil pela fronteira da Guiana, em Roraima
Emily Costa/G1 RR
O número de imigrantes empregados no Brasil com carteira assinada quase triplicou em uma década, mostra balanço divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta quinta-feira (17).
Dos 55,1 mil estrangeiros com trabalho registrado no mercado formal em 2010, o total saltou para 147,7 mil em 2019. Os números não incluem 2020, ano fortemente atingido pela pandemia do coronavírus em todo o mundo.
Esses dados se referem a estrangeiros que vivem no Brasil sob diferentes regimes de imigração: os números incluem tanto pessoas que imigraram com vistos quanto refugiados (leia mais sobre os dados do refúgio no Brasil no fim da reportagem).
De acordo com o Ministério da Justiça, o aumento se deve principalmente ao aumento de imigrantes do Haiti e da Venezuela na segunda metade da década. Somente entre 2018 e 2019, o número de estrangeiros registrados no mercado formal saltou 8,3%.
2019 registrou recorde em solicitações de refúgio
Imigrantes venezuelanos chegam ao Brasil por rotas clandestinas, em foto de 2019
Alan Chaves/G1 RR
O ano passado registrou o maior número de solicitações de refúgio no Brasil considerando toda a série histórica: foram 82.520 pedidos de reconhecimento da condição de refugiado somente em 2019. Isso representa mais de um terço (34%) de todos os 239.706 requerimentos feitos desde 2011.
ESPECIAL G1: Refugiados no Brasil
A maioria desses pedidos feitos no ano passado era de imigrantes provenientes da Venezuela: 28.133 solicitações. Quase 75% das solicitações — 20.902 no total — foram deferidas. Muitas dessas aprovações ocorreram em diferentes levas de análise do Conare que ocorrem desde dezembro.
Segundo o comitê, a razão para essas análises mais rápidas está em um dispositivo aprovado no ano passado pelo governo brasileiro: em junho de 2019, o Brasil reconheceu a Venezuela como país em situação de grave e generalizada violação dos direitos humanos, com a piora na situação humanitária no regime de Nicolás Maduro.
Os outros países com maior número de cidadãos que tiveram pedidos de refúgio aceitos no Brasil entre 2011 e 2019 são Síria (3.768) e República Democrática do Congo (1.209).
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