Número de mortes por Covid-19 no Brasil é 38 vezes o da China

Na última quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro comemorou o desempenho do país no combate à pandemia. “O Brasil foi um dos países que melhor se saiu no tocante ao combate à Covid”, disse em uma de suas lives semanais. “Levando em conta a questão econômica, vamos assim dizer”. Na realidade, o país ainda patina no campo econômico e, apesar da leve recuperação, as perspectivas para o próximo ano são desanimadoras.  Além disso, os números da doença revelam que, por aqui, a epidemia cobrou um preço muito alto – principalmente em comparação a países que conseguiram contornar a crise de saúde pública.  

O Brasil, mesmo com um sexto da população chinesa, teve 38 vezes o número de mortes por Covid-19 do país asiático até o dia 10 de dezembro. Isso significa que, para cada chinês morto com a doença, 38 brasileiros morreram. O país já ultrapassou a marca das 180 mil mortes – e, ao que tudo indica, o cenário não deve melhorar tão cedo. Ontem (13), dezoito estados e o Distrito Federal apresentaram alta na média móvel de mortes. O Brasil também está há mais de uma semana com uma média diária de mais de 40 mil casos, números comparáveis ao primeiro pico da doença, entre julho e agosto. 

A China, primeiro epicentro da doença, teve o pico de casos em fevereiro, mas conseguiu reduzir o número de novas contaminações diárias com uma estratégia agressiva de supressão. A rapidez para decretar a quarentena local, o fechamento total de estabelecimentos comerciais e rastreamento massivo de pessoas que tiveram contato com infectados, medidas que seguem as recomendações científicas, ajudaram o país asiático a contornar a crise. Mesmo com surtos recentes, a China conseguiu testar aos milhões e, o país que antes era o epicentro da doença, tornou-se um exemplo no combate ao vírus.  

Já no Brasil, não houve estratégia – o presidente preferiu seguir a cartilha anticiência. A China já está na reta final para aprovar o uso de uma vacina contra a Covid-19 e produzi-la em massa. Ao todo, catorze vacinas do país estão na fase final de testes, incluindo a CoronaVac. Por aqui, o governo entregou recentemente um plano de vacinação ao Supremo Tribunal Federal em resposta a um questionamento da Corte. Sobre esse plano, especialistas que aparecem como colaboradores do texto disseram que o material final não fora avaliado pelo grupo.

Além de patinar na economia, o presidente Jair Bolsonaro perdeu também o timing das vacinas e insinua que a imunização não será obrigatória, dando força à retórica anticiência de seus seguidores. Os resultados desastrosos do Brasil em comparação com a China – 38 vezes mais desastroso – é uma consequência de como os dois países escolheram enfrentar a emergência de saúde pública.        

 

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