O acordo na política existe para encobrir erros de poderosos

O acordo entre poderosos sempre joga contra os interesses populares. Desconfie com muita intensidade dos “grandes negociadores” ou articulados que fecham acertos calados. Este entendimento visa o interesse deles. A disputa pelo comando do Congresso Nacional é o momento de se explicitar a ação de grupos e posicionamento de partidos políticos. O presidente Jair Bolsonaro quer influenciar na formação da nova cúpula do Congresso. Como todos os presidentes, joga duro para eleger aliados na Câmara e Senado, mas colocar nas duas casas parlamentares que não sejam exatamente adversários já significa uma boa vitória. Tudo indica que o presidente vai conseguir esta façanha. Não se trata de um poste, mas de um não adversário incondicional. A postura do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, no exercício do mandato, deu muito trabalho ao governo. 

Os presidentes da Câmara e do Senado dominam a pauta, indicam posicionamentos políticos importantes e são os donos do botão de início do processo de impeachment. O Senado agora guarda um poder extra ainda não usado, de votar o impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal. Quando esta caixa for aberta, não será fechada tão cedo, e a previsão é de que a partir daí, muda o Supremo e sua postura arrogante. Já são mais de 40 pedidos de impeachments protocolados no Senado. Na Câmara, o botão que detona o processo de impeachment do presidente da República fica nas mãos do presidente. Um poder muito forte. O presidente tem ainda o controle também das comissões permanentes e o coração do poder, o plenário. Os presidentes da Câmara e Senado administram um orçamento de R$ 11 bilhões. É muito dinheiro, como se fosse mais de 10 cidades do porte de Santos, em São Paulo.  São, portanto, posições importantes e uma sucessão que não passa pelo voto popular.

Esta disputa está sendo travada agora num novo mundo, mais transparente. A pressão popular promove milagres aqui no Planalto Central. As pessoas começaram a prestar atenção no que querem os Renans, Maias, Alcolumbres e Liras. A tentativa de acerto entre o PT e partidos de esquerda com os candidatos é, na verdade, defesa de nacos do poder. A tentativa de manutenção de espaços nas mesas diretoras e nas comissões permanentes é o que manda nestas sucessões da Câmara e do Senado. Primeiro se define grupos e depois os nomes. Acabou o tempo da hegemonia. Um partido grande definia o candidato e os partidos discutiam a divisão das migalhas, os cargos nas mesas e comissões. Agora, com a pulverização da política em várias legendas, as negociações ficaram mais complicadas, porém, mais transparentes. Todos vão acompanhando as negociações que envolvem inclusive a pauta. É assim que projetos importantes de reformas, pautas populares como prisão em segunda instância e lei da ficha limpa estão sendo negociados nos bastidores. Nesta hora, tudo se promete e negocia, o deputado vira massa de manobra

O lógico e ideal seria a abertura de debate público sobre pautas e temas importantes, mas decididamente estes assuntos dão lugar a disputas e interesses pessoais. Sempre foi assim. A novidade é que agora as entranhas da disputa política ficam expostas ao público. Entre os que “se lixam” para o que pensa o povo e os ávidos por dinheiro público, estão os dominados que foram eleitos para serem representantes e se transformam em apertadores de botão, guiados por controles remotos que ficam fora da política visível.

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