Obras para prevenir enchentes em BH ainda não foram entregues e podem não ser eficientes


A parte mais robusta das obras, que vai precisar de R$ 200 milhões, ainda nem saiu do papel. Outros quatro pontos tensos da capital estão do mesmo jeito. Córrego Cachoeirinha transborda quanto há muita chuva em Belo Horizonte
Reprodução/TV Globo
Dezembro, como já é esperado, é um período chuvoso e Belo Horizonte enfrenta alagamentos. A prefeitura tem nove obras de prevenção de transbordamento de córregos e enchentes, mas, até agora, nenhuma delas foi entregue totalmente à população.
Os nove pontos complicados quando o assunto é chuva são córregos e rios que transbordam quando cai muita água na capital mineira, causam transtornos e até mortes. O Executivo disse que já investiu mais de R$ 3 milhões neste ano em obras nestas áreas.
Cinco estão em andamento:
a Bacia do Onça, na Avenida Cristiano Machado, próximo à Estação São Gabriel;
o Ribeirão Arrudas, na Avenida Tereza Cristina;
o córrego Bonsucesso, na Região do Barreiro;
o córrego Camarões, também na Região do Barreiro;
e a obra da Avenida Vilarinho com a Rua Doutor Álvaro Camargos. Essa é uma das mais avançadas e está na segunda etapa.
“Essa obra aqui é pra captar a água na superfície da pista, tanto na [Rua Doutor] Álvaro Camargos quanto na [Avenida] Vilarinho, diz o superintendente da Sudecap (Superintendência de Desenvolvimento da Capital), Henrique Castilho.
A parte mais robusta das obras, que vai precisar de R$ 200 milhões, ainda nem saiu do papel. Outros quatro pontos tensos da capital estão do mesmo jeito.
São eles:
o Córrego Cachoeirinha, na Avenida Bernardo Vasconcelos;
o Ribeirão Pampulha, na Avenida Cristiano Machado;
a Avenida Francisco Sá, no bairro Prado;
e o Córrego do Leitão, que alaga a Avenida Prudente de Morais.
“Ali da região do [Córrego] do Onça, nós temos [os córregos] Pampulha, Cachoeirinha e Onça. O Onça já tem uma etapa iniciada”, completou Castilho.
Mas especialistas dizem que essas obras muito caras, mesmo quando estiverem prontas, não vão resolver o problema de enchentes na cidade em médio e longo prazos.
O grande problema é a impermeabilização do solo, com asfalto, calçadas de concreto e poucas áreas verdes, por exemplo. Tudo isso ajudaria a absorver a água antes de ela chegar aos córregos e rios.
O arquiteto e urbanista Sérgio Myssior diz que a prefeitura deveria transformar BH em uma “cidade-esponja” e quem constrói casas e prédios também precisa pensar na drenagem da água.
“Nós precisamos de parar de reproduzir um modelo que é formado por novas vias que são asfaltadas, por novas construções que são 100% impermeabilizadas ou por passeios que tenham a capacidade de conciliar tanto a área de acessibilidade que é primordial na condição de uma boa calçada quanto também na implantação de jardins drenantes”, falou Myssior.
A prefeitura já tem os R$ 200 milhões citados na reportagem. Os recursos vieram de um contrato com a Caixa Econômica Federal.
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