Oito anos após incêndio que destruiu Comunidade do Piolho em SP, moradores podem não ocupar casas prometidas por Prefeitura


Novo conjunto habitacional deve ser ocupado por outras pessoas que também estão na fila de projetos habitacionais; Prefeitura diz que famílias precisariam comprovar residência na área para depois realizar o cadastro habitacional. Favela do Piolho fica na região do Campo Belo, Zona Sul de SP. Comunidade da Favela do Piolho, Zona Sul de São Paulo
Kleber Tomaz/G1
Oito anos depois de um incêndio destruir boa parte da Comunidade do Piolho, na Zona Sul da capital, outras pessoas, que não os moradores da favela, ocupam o conjunto habitacional com 300 apartamentos que foi erguido quase ao lado, na Rua Estevão Baião.
A Favela do Piolho fica na região do Campo Belo, perto do Aeroporto de Congonhas, e ocupa uma quadra inteira às margens da Avenida Jornalista Roberto Marinho.
Em 2012, 1.140 moradores perderam suas casas e a Prefeitura prometer realocar os moradores em um conjunto habitacional. Até hoje, os moradores estão sem os apartamentos. O novo conjunto começou a ser ocupado por outras pessoas que também estão na fila de projetos habitacionais da Prefeitura.
Muitas dos moradores já tinham até assinado documentos que garantiam um imóvel no conjunto, que é o sonho de consumo de muitas famílias de comunidades carentes. Cada apartamento tem sala, cozinha, dois quartos e banheiro.
Em 2012, após o incêndio, as famílias começaram a receber um auxílio-aluguel pago pela Prefeitura, enquanto o conjunto habitacional era construído.
A manicure Fabiana dos Santos Melo vive em uma casa alugada com os 4 filhos. Dos R$ 1 mil que recebe todo mês com o seu trabalho, quase metade vai para pagar aluguel. Até hoje ela vive com ajuda do auxílio-aluguel, de R$ 400. A promessa de morar no novo endereço é antiga.
“Eu durmo aqui com a Julia e o pequeno, e os outros dois dormem cada um num colchão. Eles falaram que quem quisesse esse empreendimento teria que assinar um termo falando que só queria aqui. Quem não assinasse, o empreendimento poderia ser em qualquer outro lugar, qualquer outro bairro. Eu assinei para cá. A gente até tinha um site da habitação que a gente entrava, colocava o número do CPF para saber onde seria a nossa moradia e sempre caía aqui.”
Mas em março, uma notícia foi frustrante. “Falaram que não tem nenhuma previsão agora, ou seja, 8 anos a gente esperando aqui e agora eles vieram com essa bomba, que não era para a gente.”
Tempos atrás, a cabeleireira Núbia chegou a visitar um apartamento decorado, com fogão, sofá, mas não tem nenhuma informação de quando e para onde vai poder se mudar.
“Na reunião que tivemos lá eles falam que não têm previsão e nem tem empreendimento nenhum para a gente. Só que nós não queremos viver só de aluguel-social não, nós queremos nossa moradia”, afirma.
Essa é a mesma situação da desempregada Cícera Galvão da Silva e do José.
“É uma agonia porque a pessoa passar por aquilo… Criança pequena na época. Hoje são maiores, graças a Deus, e pior hoje, porque a gente vê uma obra dessas, um empreendimento desse e assim, é frustração total.”
O motorista Michael Ferreira Barbosa também só quer uma resposta.
“A gente ficou na expectativa que agora em dezembro iam entregar para a gente e… Um banho de água fria, exatamente isso que aconteceu conosco.”
Por nota, a Secretaria de Habitação da capital disse que 500 famílias da Favela do Piolho foram identificadas para terem direito ao atendimento habitacional e informou que em uma audiência pública foi acordado que elas precisariam comprovar residência na área para depois realizar o cadastro habitacional.
Sobre as famílias que apareceram na reportagem, a Prefeitura disse que elas vão continuar recebendo o auxílio-aluguel, mas que ainda não há vinculação para algum empreendimento.
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